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Taurina: o que é, para que serve, doses, cuidados e contraindicações

A taurina (Tau) ou ácido beta-aminossulfônico é um composto final do metabolismo dos aminoácidos sulfurados (metionina e cisteína) que se encontra conjugada com ácidos biliares de sódio e potássio, resultando na formação do ácido taurocólico, um dos ácidos da bílis, essencial para absorção das gorduras.

O nome da substância vem do latim taurus, por ter sido isolado da bile de um touro, em 1827, pelos alemães Friedrich Tiedemann e Leopold Gmelin.

Estudos apontam que a substância esteja presente de forma abundante em nosso corpo, sendo sintetizada naturalmente pelo organismo, principalmente nas células do fígado e do tecido adiposo.

Contudo, existem alimentos ricos nesta substância.

Fontes de taurina

Ainda que esteja naturalmente presente no organismo humano, a taurina também pode ser adquirida pela ingestão de alimentos.

  • em menores quantidades em alimentos de origem vegetal
  • em algas e,
  • no reino animal, em maiores concentrações em frutos do mar, como crustáceos, moluscos, pescada
  • em aves de carne escura, como frango e peru,
  • e em carnes vermelhas.
  • A taurina não é encontrada em ovos, leite e frutas.

Para que serve a taurina

Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no qual foi adicionado o aminoácido taurina na água de camundongos obesos durante dois meses, pesquisadores observaram que os animais não apenas perderam peso de forma significativa como apresentaram diversos benefícios no controle da glicemia.

Os dados sugerem que o tratamento poderia proteger os roedores de desenvolver complicações como o diabetes.

Segundo o pesquisador da Fapesp Everaldo Carvalho Carneiro, a taurina se concentra nas células alfa do pâncreas cuja função é mobilizar a energia estocada no fígado durante períodos de jejum prolongado para prevenir a hipoglicemia.

Além disso, dados da literatura científica mostram que a taurina pode estimular a célula beta, sua vizinha no pâncreas, a secretar a insulina.

O estudo sugere que, de alguma forma, a taurina modula esse controle da insulina, favorecendo maior ou menor secreção do hormônio, dependendo do caso.

Estudos mostraram também que a taurina favorece a captação de glicose no tecido muscular e menor produção desse açúcar pelo fígado.

Os dados preliminares do estudo da Unicamp mostram que a taurina promove uma melhor adaptação dos animais com relação ao comportamento alimentar, saciedade e controle glicêmico.

Estudos também apontam que a taurina pode modular diversos parâmetros metabólicos, além da ação e secreção da insulina já apontados, níveis sanguíneos de colesterol.

Atualmente, é muito comum ser utilizada como suplemento energético por atletas, que acreditam na melhora do desempenho físico e muscular.

A utilização de taurina pode favorecer a recuperação muscular, a prevenir danos decorrentes da atividade física intensa e, desta forma favorecer o desempenho atlético e o ganho de massa muscular de triatletas

Os exercícios físicos em geral, principalmente aqueles associados à atividades aeróbicas, alteram de alguma forma a fisiologia das nossas células, e a ingestão de nutrientes pré e pós treino é essencial para o desempenho dos atletas.

É aí que entra a taurina, porque seu uso está bastante disseminado nos dias atuais, podendo ser encontrada facilmente no mercado comum de bebidas, ou em capsulas, ou em pó, geralmente associados a outras substâncias complementares.

Acredita-se que a taurina pode auxiliar na recuperação no pós-exercício possibilitando a obtenção de nutrientes e o reabastecimento do glicogênio nos músculos durante o exercício, favorecendo assim a recuperação após treino.

Doses

A Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) instituiu a resolução RDC 273, a qual determina que as bebidas energéticas podem conter no máximo 400 mg de taurina a cada 100 ml de bebida.

Ainda não foram estabelecidas as recomendações de ingestão diária (RDA) de taurina, e os estudos encontrados são divergentes, variando entre 2 gramas/dia a 6 gramas/dia.

Cuidados e contraindicações

O uso indiscriminado da substância ou sem acompanhamento de profissional especializado pode trazer riscos sérios à saúde, principalmente:

  • danos hepático e renal,
  • distúrbios gastrointestinais
  • desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Por isso, para segurança das pessoas, é imprescindível que o uso do aminoácido taurina seja acompanhado por médico e nutricionista que, após uma avaliação pessoal de peso, altura, massa muscular, tipo de atividade física, regularidade dos exercícios, aliada a exames laboratoriais de sangue, hormônios e urina, poderá regular a necessidade e modulação do suplemento, seja associado a outros nutrientes, bem como a quantidade correta e adequada para cada tipo especifico de organismo e atividade física desempenhada.

Consulte um médico!

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Sobre Juliane Isler

Juliane Isler
Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher

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