Mal a China se recupera do coronavírus e seus mercados de animais vivos retomam atividades

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Aos poucos, o mundo foi se dando conta da gravidade da pandemia de coronavírus. Em uns países antes, em outros, como o Brasil, depois. Diante da ameaça invisível, contra a qual ainda não temos cura nem defesas, muitos buscam consolo na esperança de que, quando tudo isso passar, a humanidade nunca mais será a mesma. Estaremos todos mais solidários e mais conscientes do valor da vida. De todas as formas de vida. Será?

No fim-de-semana, uma das formas de celebrar a vitória da China na luta contra o coronavírus foi um retorno à “vida normal” nos mercados de animais vivos – embora, ao que tudo indica, o atual surto tenha se originado em um ambiente muito semelhante: o mercado de Wuhan.

O correspondente do jornal britânico Daily Mail, George Knowles, relatou o que viu no último sábado (28), em um mercado fechado em Guilin, no sudoeste do país asiático, onde havia uma grande concentração de pessoas, circulando em meio a gaiolas empilhadas com animais de diferentes espécies, esperando para serem abatidos.

“Cães apavorados, gatos amontoados em gaiolas enferrujadas […] Coelhos e patos abatidos e esfolados lado a lado, em um chão de pedra coberto de sangue, sujeira e restos de animais”, contou Knowles na reportagem publicada no domingo (29).

Outro correspondente do Daily Mail fotografou cartazes anunciando a venda de morcegos e escorpiões, oferecidos como medicina tradicional no mercado de Dongguan, cidade industrial localizada no sul da China.

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©Daily Mail

Recentemente, o GreenMe publicou uma matéria sobre a extração da bílis dos ursos, vendida como tratamento para a Covid-19. Um processo repleto de sofrimento, que condena os animais ao confinamento em jaulas, onde mal podem se mover e adquirem toda a sorte de infecção – a despeito das altas doses de antibióticos usadas para mantê-los vivos e ‘rentáveis’.

Será que algum dia nós todos aprenderemos?

Embora a reportagem do Daily Mail tenha perguntado, já no título, se algum dia “eles”, os chineses, aprenderiam a lição, vale lembrar o que há tempos dizem cientistas do mundo inteiro: o alto consumo de proteína animal está relacionado a um futuro repleto de doenças.

Nesse sentido, é improdutivo apontar apenas para os “exóticos” hábitos chineses. Sim, o consumo de animais silvestres expõe os seres humanos a vírus desconhecidos, para os quais não temos defesas – e, hoje, estamos sentido na pele o que isso representa.

Mas esse é apenas uma parte do problema. Mesmo os hábitos de consumo tidos como perfeitamente normais e aceitáveis diante dos olhos ocidentais são fontes de doenças. Como o Green Me destacou recentemente, os matadouros não são lugares propriamente limpinhos e arrumadinhos:

Além disso, se pensarmos na sensibilidade animal, não faz sentido naturalizar o consumo de vaca e lesma (escargot), mas se escandalizar com quem come cachorro ou serpente. Todos os animais são seres sencientes.

Cabe reformular a pergunta: será que algum dia todos nós aprenderemos?

Veja AQUI e AQUI duas petição que pedem o fechamento dos mercados de animais vivos na China.

O vídeo abaixo mostra como são esses mercados (este foi feito em Wuhan). Ele contém imagens fortes, não sendo aconselhado para pessoas sensíveis.

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Jornalista e mestre em Ciência da Religião. Tem 18 anos de experiência em produção de conteúdo multimídia. Coordenou diversos projetos de Educação, Meio Ambiente e Divulgação Científica.
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