O sofrimento animal, e humano, contado por um matador de abatedouro

A maioria das pessoas é carnívora por dissociação. Ou seja, elas simplesmtente se recusam a associar a carne à vida animal. É como se a carne que elas comessem viessem do nada, e não tivessem nada a ver com o sofrimento animal e humano, pois ninguém em sã consciência quer causar mal à alguém.

Mas é preciso abrir os olhos para a realidade dos fatos. Se você é um adulto que não acredita em Papai Noel, tampouco pode acreditar que a carne que você come vem do paraíso dos animais e, o pior: se você for daquelas pessoas que acredita que o homem é mais importante que os animais, ou que os animais nasceram propriamente para servirem de alimento aos homens, você precisa saber do sofrimento que é a vida de um matador de abatedouro.

Um relato chocante vem do Reino Unido através da BBC. Um ex-funcionário conta que teve depressão e pensamentos suicidas depois de ter trabalhado durante 6 anos em um matadouro:

“lugares sujos, imundos. Há fezes de animais no chão, você vê e sente o cheiro das entranhas, e as paredes são cobertas de sangue”.

E isso tudo considerando que o Reino Unido possui, em teoria, uma das mais respeitadas indústria da carne do mundo, por causa de seus altos padrões de higiene e de bem-estar animal.

O que se conta ali é uma verdade que muita gente finge não saber: os animais sofrem, mas quem os mata também sofre.

Ser matador em abatedouro de animais é um dos trabalhos mais cruéis que alguém possa ter. Além da carga horária pesada, o ambiente de morte é realmente enlouquecedor. Um trabalho deste tipo seria para um “cabra-macho” e, como “homens não choram”, o ex-funcionário conta sobre a sua dificuldade em dividir a fraqueza de não poder mais prosseguir com a matança que o perseguia até no sono. Ele tinha pesadelos sonhando com os olhos dos animais: inocentes, inquisidores e acusadores.

O relato é deveras perturbador. Se você tiver estômago para ler, eis o seu link: ‘Fezes, entranhas e sangue’: as confissões de um ex-funcionário de abatedouro.

É importante que as pessoas saibam que a indústria da carne é cruel em todos os sentidos e para todo o tipo de vida. Desde o desmatamento para dar lugar ao pasto, ao momento da morte do animal e da morte em vida do matador.

Um estudo intitulado “carnívoros por dissociação” fala sobre o porquê de as pessoas continuarem a comer carne sabendo dessa crueldade toda. Eis que elas conseguem não associar a carne à vida e ao sofrimento.

De acordo com o estudo, se você quiser ser vegetariano ou vegano, coloque na cozinha fotos de animais e lembre-se que a carne que você come não é de soja, é feita de sangue, de osso e de alma.

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Ingressou no curso de Ecologia pela UNESP e formou-se em Direito pela UNIMEP. É redatora-chefe e co-founder de GreenMe Brasil.
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