Carne de laboratório: como e do que é feita? Você comeria?


Os avanços científicos e tecnológicos aliados à necessidade urgente de mudança alimentar, estão tornando o consumo de carne algo obsoleto e ultrapassado.

Até os agropecuaristas estão percebendo que se não fizerem algo para se adequarem à essa nova realidade, terão grandes prejuízos em seus negócios como já estão tendo, pois muita gente vem acordando para o fato de que os animais não merecem ser sacrificados para satisfazer nossas vontades.

Na vanguarda de tudo isso, surge a carne cultivada de laboratório, que grandes empresários, cientistas e atores famosos estão investindo e apostando como alimento do futuro, um substituto da carne convencional para aqueles que têm dificuldade de parar com o consumo da carne.

O diferencial da carne cultivada de laboratório

O diferencial da carne cultivada é, que por ser produzida em laboratório, não tem a necessidade da vasta criação de animais em fazendas industriais, evitando a extensiva exploração e abate de milhares de animais.

Embora a produção de carne cultivada não descarte totalmente o uso de animais, e ainda não seja completamente ética e cruelty-free, ainda assim, sua produção poupará muitos animais da crueldade imputada pelo atual sistema de pecuarista, como por exemplo:

  • Galinhas poedeiras trancafiadas em gaiolas durante anos de maus-tratos
  • Bezerros machos provenientes da produção leiteira sendo afastados à força de suas mães e, posteriormente mortos para que o leite da vaca seja exclusivamente consumido pelos humanos
  • Porcos sendo criados de forma cruel, tendo seus rabos cortados e dentes retirados sem anestesia para servirem de alimentos aos humanos.
  • Galinhas sendo exploradas para botarem ovos de forma antinatural e pintinhos, que não são aproveitados pela indústria granjeira sendo esmagados vivos.

Saiba mais sobre o sofrimento animal causado pela criação deles para consumo em:

Como é feita a carne de laboratório? É 100% cruelty-free?

A tecnologia utilizada para a produção desta carne é a mesma empregada na bioengenharia de tecidos, usada na medicina regenerativa.

A carne cultivada, também conhecida como carne de laboratório, carne limpa, carne de cultura, carne sintética ou ainda carne artificial, é produzida por cultura de células de animais in vitro, ou seja, proveniente de multiplicação celular de células-tronco.

Para se produzir essa carne, faz-se uma biópsia retirando uma pequena amostra do músculo do animal, do tamanho de uma semente de gergelim.

Dessa amostra, os técnicos coletam algumas células-tronco do tecido para iniciar o processo de cultivo da carne.

Para se ter uma ideia, segundo informações da empresa Mosa Meat, esta pequena amostra do tamanho de um grão de gergelim pode produzir 80.000 hambúrgueres.

Isso acontece porque as células se multiplicam e, dessa forma, vão formando fibras primitivas que então se acumulam para formar o tecido muscular.

Para que as células possam se multiplicar, elas são colocadas em um meio de cultura rico em nutrientes, dentro de um biorreator, que funciona como uma incubadora.

O meio de cultura que favorece o desenvolvimento das células vinha, e ainda vem sendo, dependendo da empresa, obtido através do soro fetal, extraído do feto vivo da vaca, um procedimento que envolve crueldade animal.

Nesse contexto, pesquisadores têm buscado através de estudos, opções mais éticas de se obter um meio de cultura de crescimento, como por exemplo um composto químico constituído por vitaminas, minerais e, dependendo do método de produção, até hormônios.

A Eat Just, que produz a Good Meat, a Mosa Meat e a Aleph Farms, são exemplos de empresas que cultivam carne em um meio de crescimento à base de um composto rico em nutrientes e livre do uso de animais.

Vídeo mostra as etapas de produção da carne cultivada

Este vídeo do programa Futurando, publicado no Canal DW Brasil, explica várias questões relacionadas à carne cultivada em laboratório. Confira!

https://www.youtube.com/watch?v=3eDCa6HjVUs

Origem da produção da carne cultivada

O conceito de carne cultivada foi difundido por Jason Matheny no início do ano 2000, após sua coautoria em um artigo sobre esse tipo produção e a criação da New Harvest, a primeira organização sem fins lucrativos do mundo, dedicada a apoiar a pesquisa para o desenvolvimento da carne in vitro.

Em 2013, um professor da Universidade de Maastricht, Mark Post, apresentou ao mundo o primeiro hambúrguer cultivado diretamente de células animais.

Em dezembro de 2020, Cingapura se converteu no primeiro país do mundo a aprovar a comercialização de carne cultivada em laboratório a partir da concessão à empresa Eat Just Inc., de vender nuggets de frango produzida a partir de cultura celular.

Esses nuggets foram produzidos a partir das células da pena, que soltou naturalmente, de um galo criado em santuário, chamado Ian.

A partir dessas descobertas e inovações, foram surgindo mais protótipos de carne cultivada produzidas por empresas voltadas para a produção desse tipo de produto.

Desafios da produção da carne cultivada

Por ainda não ser bem conhecida e produzida em larga escala, a carne criada em laboratório tem ainda um custo significativamente mais elevado que a carne convencional.

Em relação à sua semelhança com a carne natural, os pesquisadores seguem aprimorando para torná-la o mais próxima possível, em termos de consistência, sabor, aroma e aparência da carne natural.

Contudo, os crescentes apoios de investidores, têm feito com que a produção da carne cultivada venha ganhando espaço, aumentando sua produção e sendo cada vez mais consumida. 

Por que cultivar carne em laboratório?

Um dos objetivos da produção da carne de laboratório é atender aos “adoradores de carne” ou “dependentes da carne”, criando uma alternativa que seja mais vantajosa ao consumo da carne convencional e mais sustentável, com sabor agradável, preço de mercado que venha a ser mais barato e com valor nutricional equivalente ao da carne natural.

Vantagens da carne cultivada

Apesar dos entraves a serem vencidos, esse tipo de produção de carne apresenta várias vantagens, tais como:

  • O processo de fabricação estéril e a ausência de fazendas de animais em grande escala reduzem o risco de proliferação de doenças, uso intensivo de antibióticos ou a disseminação de futuras pandemias relacionadas à produção e consumo de carne oriunda da pecuária extensiva.
  • Diminui a degradação ambiental e o uso excessivo de água associados à produção da carne.
  • Atende à demanda dos mercado consumidor de carne
  • Possibilita menor impacto ambiental em relação à produção da carne da pecuária extensiva pois, segundo este estudo realizado por pesquisadores de Oxford em conjunto com a Universidade de Amsterdã, a carne cultivada  gera apenas 4% das emissões de gases de efeito estufa, com uma redução de até 45% e requer apenas 2% de terras em relação às ocupadas pela indústria mundial de carne.
  • A produção da carne cultivada evita a destruição de florestas, a poluição de rios e oceanos porque, diferentemente da pecuária extensiva, não ocupa grandes pastos e não requer grande concentração de animais.
  • Sem contribuir para a emissão de gases efeitos estufa e o desmatamento, a carne cultivada ajuda a reduzir os fatores desencadeadores das mudanças climáticas e a extinção de animais selvagens.
  • A carne cultivada pode poupar bilhões de animais de sofrerem e serem abatidos, a cada ano.
  • E com tudo isso, pode ajudar a evitar que nosso planeta entre em colapso ambiental.

Saiba mais como reduzir a produção de carne pode ajudar a preservar o meio ambiente:

Mesmo com todas essas vantagens, vale salientar que a produção da carne cultivada também pode causar impactos ao meio ambiente. Para que essa produção seja limpa e sustentável, ela precisa ser feita com uso de energia descarbonizada e com controle das pegadas ambientais, como sugere este estudo.

Sobre os prejuízos da pecuária para o meio ambiente, leia:

Conheça os males do consumo da carne para a saúde, em:

Alternativas mais naturais são as melhores

Para o Veganismo, o futuro começa agora, ou seja, através de nossas escolhas alimentares e de consumo, a fim de poupar os animais de sofrerem e morrerem para servir às nossas demandas consumistas.

Sendo assim, já existem diversas formas mais simples, naturais, saudáveis e práticas de substituir a carne que não demandem tanto investimento e que podem ser utilizadas no momento atual. Já existem muitos substitutivos da carne encontrados em mercados mas, o melhor, mais saudável e mais econômico continua sendo cozinhar em casa, preparar o próprio alimento.

Esse estudo comprova que as alternativas vegetais à carne são mais acessíveis, ecológicas, sustentáveis e, por isso, melhores.

Nesse caso, ainda prevalece o velho princípio: quanto mais simples e natural, melhor!

Você comeria?

E aí? Vai esperar pela carne cultivada em laboratório ou vai começar agora a operar a mudança que você tanto almeja para si e para a Terra?

Veja como produzir alimentos substitutivos à carne animal nas receitas abaixo. 

Bom apetite!

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Deise Aur

Professora, alfabetizadora, formada em História pela Universidade Santa Cecília, tem o blog A Vida nos Fala e escreve para greenMe desde 2017.


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