Relatório da OMS aponta 4 teorias sobre surgimento do coronavírus

Relatório da OMS aponta 4 teorias sobre surgimento do coronavírus

Um relatório recentemente noticiado, liderado pela OMS e feito por especialistas de vários países, apresentou 4 hipóteses para a causa do surgimento do novo coronavírus.

Segundo informações da agência de notícias independente Associated Press (AP News), este relatório foi realizado por uma equipe de cientistas internacionais, dentre eles o epidemiologista e vice-diretor de pesquisa do Instituto Pasteur de São Petersburgo, na Rússia, Vladimir Dedkov, que sintetizou as prováveis causas do coronavírus em uma lista.

As 4 pistas sobre as origens do vírus

A ida dos especialistas a Wuhan foi a primeira etapa dessa pesquisa, ou seja, a Fase I desta análise para descobrir as origens desse vírus.

Com base nas informações obtidas, foram estabelecidas 4 probabilidades para a origem da pandemia, que foram colocadas na sequência crescente das mais prováveis às menos:

  1. de um morcego a um animal intermediário, antes de infectar humanos
  2. direto de um morcego para humanos
  3. por meio de produtos alimentícios contaminados
  4. de um vazamento de um laboratório, como o Instituto de Virologia de Wuhan

O Dr. Vladimir Dedkov e a equipe de especialistas envolvida nesta pesquisa, atuaram em conjunto com cientistas e especialistas chineses, que por suas vezes coletaram a maior parte dos primeiros dados sobre a doença.

As 4 pistas sintetizam um longo relatório, que agora virá à tona, após meses de falta de consenso sobre o surgimento dessa doença, principalmente entre os governos dos EUA e da China.

Ainda não está definido quando ocorrerá a publicação oficial do relatório. O objetivo do trabalho é fazer com que as informações nele obtidas, ajudem a evitar que o mundo passe por outras pandemias.

Teorias menos prováveis segundo o relatório

A 3ª teoria, a da transmissão por cadeia de frio, ou seja, a de que o vírus teria sido transmitido ao mundo através de produtos alimentícios congelados, foi levantada por funcionários chineses bem como pelo chefe do painel da Covid-19 na Comissão Nacional de Saúde da China e líder da equipe chinesa, Liang Wannian.

A 4ª teoria sobre o surgimento do coronavírus partiu da informação da médica virologista chinesa Li-Meng Yan, em conjunto com pesquisadores de sua equipe e das suspeitas do governo dos Estados Unidos durante o mandato do presidente Trump.

A falta de democracia na China, que culminou com a prisão de uma jornalista que documentou o início da pandemia, também levou muita gente a desconfiar de que talvez a pandemia não fosse apenas um acidente de percurso da natureza.

Vladimir Dedkov vê essa teoria, bem como a 3ª, como as mais improváveis, por isso foram colocadas abaixo na lista.

Segundo ele, é possível que os produtos alimentícios nos quais o vírus foi encontrado, possam ter sido contaminados por pessoas infectadas.

Sendo assim, para ele, pode ter sido uma pessoa infectada que trouxe o vírus para o mercado de Wuhan, onde alguns produtos contaminados foram encontrados.

“Em geral, todas as condições para a disseminação da infecção estavam presentes neste mercado. Portanto, muito provavelmente, houve uma infecção em massa de pessoas conectadas no local.

Neste ponto, não há fatos sugerindo que houve um vazamento de um laboratório.”

Se, de repente, surgirem fatos científicos de algum lugar, a prioridade da versão mudará. Mas, neste momento em particular, não há evidência disto.”

Os especialistas envolvidos

As informações deste relatório foram obtidas através da pesquisa e análise de especialistas como:

  • 10 epidemiologistas internacionais
  • cientistas de dados
  • veterinários
  • especialistas de laboratório e segurança alimentar

Os especialistas, em conjunto com a OMS, fizeram a coleta de dados e informações, no começo do ano na China, na cidade de Wuhan, onde está situado o mercado de Wuhan, considerado o epicentro inicial da doença.

Dados insuficientes

Matthew Kavanagh, diretor da Iniciativa de Política e Governança Global da Universidade de Georgetown no Instituto O’Neill, considera esses dados insuficientes e defende que mais pesquisas sejam feitas para definir, de forma contundente, o que pode ter causado esta pandemia.

“Espero que este relatório seja apenas um primeiro passo para investigar as origens do vírus e que a secretaria da OMS provavelmente diga isso.

E espero que alguns critiquem isso como insuficiente.”

De fato, até os especialistas envolvidos na pesquisa reconhecem que é necessário mais pesquisa e que isso é só o começo em busca do entendimento do que pode ter sido o estopim da pandemia que a humanidade está enfrentando.

E assim, seguem os cientistas e pesquisadores buscando decifrar o enigma da causa de uma infecção contagiosa que já dizimou mais de 2,7 milhões de pessoas no mundo e tem abalado a existência humana.

Coronavírus, muito além das causas

Independente de qual seja a verdadeira causa, entre as 4 apontadas, ou até outras que não tenham sido listadas, uma coisa é certa: precisamos reavaliar nosso modo de vida pois, nosso sistema social econômico foi deflagrado como ineficaz frente aos efeitos provocados pela pandemia, mostrando como vários aspectos da existência humana são falhos, incoerentes e até destrutivos.

Por exemplo:

  • o funcionamento e a organização das atividades econômicas, visando apenas o lucro e a exploração
  • saúde pública precária
  • falta de políticas públicas em prol do cidadão, dos seres vivos e do meio ambiente
  • saneamento básico deficiente
  • má nutrição alimentar, por falta de conhecimento do indivíduo ou devido à pobreza da população
  • ensino público retrógrado e ineficiente
  • relação desrespeitosa e abusiva com a Natureza e com os animais

Não basta achar uma causa para o surgimento do coronavírus, é preciso perceber que as ações humanas e o estilo de vida de nossa sociedade foram construindo o contexto adequado para o surgimento e a proliferação desse vírus.

São muitos os cinetistas que apontam para essa mudança:

Em suma, a sociedade carece de mudanças e essas começam por cada um de nós.

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