Anuptafobia: fobia de ficar solteiro, sozinho ou “pra titia”

Anuptafobia: fobia de ficar solteiro, sozinho ou “pra titia”

Houve um tempo em que “ficar pra titia”, como diziam nossos avós, era a pior coisa que poderia acontecer na vida de alguém, principalmente em se tratando de uma mulher.

Talvez seja por isso que ainda hoje existam jovens que carregam este estigma e sofram com a ideia de ficarem solteiros, como se isso fosse uma condenação, um castigo.

Esse medo pode ser algo tão arraigado que até tem um risco de se converter em um distúrbio psíquico classificado como Anuptafobia.

Saiba mais sobre esse transtorno psicológico, com todas as informações a seguir.

Origem do termo Anuptafobia

O termo Anuptafobia é formado em sua origem:

  • pelo prefixo grego “a” , que significa negação ou carência
  • + o adjetivo latino “nuptialis”, que se refere a tudo o que está relacionado com casamento
  • + o vocábulo grego “phobos”, associado a medo, fobia.

Por isso, anuptafobia traduzindo significa: medo de não casar.

Tal medo faz com que pessoas fiquem obcecadas em ter um parceiro (a) a qualquer custo, a ponto de manter um relacionamento, mesmo não estando felizes, só para não ficarem “solteiras”.

Em quem mais incide o medo de ficar sozinho?

Esse transtorno afeta mais indivíduos entre 30 e 40 anos de idade, de ambos os sexos, porém se faz mais prevalecente em mulheres, devido a fatores sociais e culturais.

Desequilíbrios que acompanham a Anuptafobia

Dependendo das tendências emocionais da pessoa, a Anuptafobia pode vir acompanhada ou se desenvolver com outros problemas psicológicos, como:

  • depressão
  • ansiedade
  • baixa autoestima
  • insegurança
  • ciúmes
  • dependência afetiva
  • síndromes de origem afetiva
  • bloqueios emocionais

O que alimenta o transtorno da Anuptafobia

Por mais que a sociedade tenha se modernizado, ainda é muito forte o condicionamento que para ser feliz e se realizar por completo é preciso ter um parceiro.

Por conta disso, existe uma cobrança, tanto pessoal como dos outros, para “arrumar” alguém e não viver solteiro (a), principalmente no que diz respeito às mulheres. Até por causa da permanente visão machista que ainda existe na sociedade de que mulher precisa se casar e ter filhos para cumprir sua natureza e papel diante da existência.

Além disso, mulheres casadas são vistas com mais respeito e consideração do que as “solteironas”, como se costuma dizer pejorativamente às mulheres solteiras, como se o fato de não haver “marido” fosse um problema, um mal a ser combatido ou que se tratasse de uma pessoa desajustada.

Vale salientar que o tratamento é diferenciado em se tratando de homens mais velhos e solteirões, pois é mais difícil de eles serem condenados e discriminados devido à valorização e imagem do homem ser mais alicerçada no sucesso material e profissional. Em contrapartida, a identidade da mulher ainda é acentuadamente vinculada à formação de uma família e a ter filhos.

A situação piora se, dentro do seio familiar e pela criação, casar-se e ou ter filhos é um padrão pré-estabelecido a ser seguido. Nesse caso, a pessoa se sentirá um alienígena por não conseguir dar prosseguimento a esse padrão sendo solteiro (a).

O paradigma do “felizes para sempre”

Além da educação, existem os apelos sociais, morais e culturais que nos passam a crença de que precisamos ter alguém e viver para sempre com essa pessoa até que a morte nos separe.

Os contos de fadas são a prova disso nos transmitindo, de geração em geração, a ideia das princesas encontrando seus príncipes e vivendo felizes para sempre. Só que não! Isto está distante da realidade e as próprias estatísticas de divórcios atestam isso.

Encontrar o parceiro ideal não é tão simples como nas produções cinematográficas românticas de Holywood, como em Uma Linda Mulher onde o galã personificado por Richard Gere se apaixona pela mocinha errante, interpretada por Julia Roberts, e a transforma em uma dama da sociedade.

Sentimentos atrelados à Anuptafobia

Além de todos os agravantes de uma sociedade que imprime nas pessoas um sentimento de que “é impossível ser feliz sozinho”, a Anuptafobia desperta nas pessoas:

  • Insuficiência pessoal
  • Vazio existencial
  • Autodesvalorização
  • Complexo de inferioridade
  • Culpa
  • Insatisfação
  • Isolamento
  • Sensação de fracasso
  • Inibição social
  • Medo da rejeição e do abandono

Padrões de comportamento da Anuptafobia

Uma pessoa com Anuptafobia tem a tendência de apresentar os seguintes padrões de comportamento:

  • Vitimização por estar solteira.
  • Desmotivação e desânimo, deixando de lado trabalho, família, amigos ou projetos pessoais para viver à procura do parceiro ideal.
  • Insatisfação e falta de alegria por não ter alguém a seu lado.
  • Ânsia de encontrar alguém para chamar de seu
  • Desconforto e inadequação de estar em locais onde tenha maior presença de casais.
  • Desenvolvimento de conduta  promíscua para encontrar  a todo custo um parceiro
  • Tendência a se envolver com outras pessoas que sofrem de Anuptafobia, intensificando ainda mais os sintomas e complicações desse distúrbio.
  • Predisposição a desenvolver inveja e crítica em relação a quem tem um parceiro
  • Sensação de ser anormal, carregando a dúvida: o que há de errado comigo?”.
  • Viver sonhando com o príncipe de sua vida
  • E, caso encontre um pretendente que por algum acaso não dê certo, essa pessoa nem dá um tempo e já corre para outro relacionamento, sem avaliar os riscos. Qualquer coisa vale a pena para não ficar sozinho (a).
  • Se estiver em um relacionamento, tende a anular-se para satisfazer os gostos do parceiro, como forma de não correr o risco de perdê-lo por desagradá-lo ou não satisfazê-lo.
  • Quando está com alguém, demonstra incapacidade de desfrutar de atividades e diversões sem a companhia do parceiro.
  • Necessidade de exibir que tem um parceiro para outras pessoas, principalmente através de postagens em redes sociais.
  • Se o relacionamento não der certo, esta pessoa pode cair em profunda depressão.

Complicações da Anuptafobia nos relacionamentos

Devido à obsessão por ter alguém, a pessoa pode ser impelida a entrar de forma compulsiva em relacionamentos tóxicos e sem futuro e sofrer as consequências disso vivendo uma grande decepção, abusos e frustrações, por estar em um relacionamento apenas para não correr o risco de ficar sozinha.

Além disso, esse medo pode fazer com que a pessoa desenvolva:

  • um forte sentimento de inferioridade em relação ao outro
  • dependência emocional
  • e viver uma relação abusiva e desrespeitosa para com ela mesma

Como vencer o medo de ficar solteiro

Se você sente que tem Anuptafobia ou tendência a esse transtorno, procure ajuda de um psicólogo para lidar melhor com esse desequilíbrio através da Terapia Cognitiva.

Outras ações que poderão ajudar a sair desse desequilíbrio são:

  • Aproveite sua solteirice para conhecer novas pessoas, fazer amigos, passear, viajar, ler bons livros, ouvir boas músicas e aproveitar melhor o tempo que você tem para você.
  • Viva o presente pois, “o futuro a Deus pertence”, isto quer dizer que ao invés de ficar pensando em um futuro solitário sem ninguém, utilize melhor o Poder do Agora, cuidando de si, amando-se, respeitando-se e curtindo cada oportunidade e experiência para seu crescimento.
  • Esteja aberto para novas sinapses, buscando conhecer gente diferente e lugares novos, envolvendo-se em situações que acrescentem mais positividade e conhecimento para você.
  • Se sua natureza tem mais a ver em vivenciar experiências sozinha, não force a barra querendo se nivelar ao padrão da sociedade, desenvolva seu potencial respeitando o que existe de mais verdadeiro em você: a sua Essência.
  • Elimine a crença de que para ser feliz  é preciso se casar, e de que um parceiro irá resolver todos os seus problemas. Pura ilusão! Tem gente que está casada e sente-se mais infeliz e solitária mais do que quem está sozinho. Dizem que a solidão a dois é pior das solidões.

Seja um solteiro feliz

Nataly Martinelli, neste vídeo do seu canal, dá algumas dicas para se encarar a solteirice de forma saudável e feliz:

Pensamentos sábios para os solteiros de plantão

Seguem alguns lembretes de pensadores sábios, para não se abater quando surgir o medo de ficar sozinho, e não deixar que a carência te leve a fazer escolhas desastrosas:

“Quem não sabe povoar sua solidão, também não saberá ficar sozinho em meio a uma multidão.”

Charles Baudelaire

“É necessário saber ficar sozinho, em silêncio, mergulhado em si.

É fundamental estar satisfeito com a própria companhia.”

Filipe Ret

“O outro não o preenche.

Preenchimento é interno.”

Osho

“Espero que antes de encontrar a pessoa certa você se encontre. Para que não a sobrecarregue com a ingrata responsabilidade de te fazer feliz.”

Flavio Siqueira

Veja outras frases que podem te mostrar o lado bom de estar sozinho, em:

Não importa se está solteiro ou casado, o que vale é como você se relaciona consigo e respeita o seu processo existencial, buscando se desenvolver como ser humano e ser espiritual.

Seja feliz, independente do seu estado civil!

Confira conteúdos que podem te ajudar se relacionar melhor consigo, em:

Amor próprio: 10 atitudes para se amar cada vez mais e sempre!

Aprenda a elevar sua autoestima com o filósofo Michel de Montaigne  

Pirâmide de Maslow: a Hierarquia das Necessidades e a Autorrealização

Autossabotagem: 10 pensamentos que minam a tua felicidade

Dar sentido à vida é mais importante que buscar felicidade

Poder transformador: abundância, dinheiro e prosperidade àqueles que sentem gratidão

Como curar a si mesmo através da auto-observação

Meditação – O que é, Como vivenciá-la e os Benefícios que ela nos traz

Gostou? Compartilhe!

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on tumblr
Share on reddit
Share on pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *