Carnaval da sororidade: uma mina ajuda a outra, mexeu com uma mexeu com todas

As campanhas contra assédio vieram com tudo no carnaval. Afinal, em nenhum outro contexto o assédio é aceitável e, tampouco, durante os dias de folia.

Praticar a sororidade, portanto, é uma forma de as mulheres manterem-se unidas formando uma rede de proteção.

De acordo com Claudia, os números de casos de assédio e importunação sexual crescem no carnaval contra mulheres e pessoas LGBTI+. O Disque Direitos Humanos (Disque 100) e a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), nesta época do ano, recebem cerca de 20% mais denúncias de violência sexual contra crianças e mulheres. Outro dado sobre violência no carnaval são os casos de mortes de pessoas LGBTI+.

Se, no Brasil, as mulheres têm medo de andar sozinhas pelas ruas normalmente, durante o carnaval esse receio fica ainda maior, porque muitos homens se sentem autorizados a exacerbarem um comportamento “macho alfa”. Nas ruas, nos transportes públicos, nos blocos, nos bares, em qualquer lugar, esteja atenta ao que acontece ao seu redor, fique perto das suas amigas e dê ajuda a alguma mulher desconhecida, se intuir que ela necessite.

O que é sororidade

O termo sororidade tornou-se mais conhecido há pouco tempo. Etimologicamente, a palavra, que tem origem latina, significa empatia e união entre mulheres. Existem algumas atitudes que ajudam a manter as mulheres unidas, de forma a deixá-las mais seguras socialmente.

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Uma mulher não é uma rival

Essa estratégia de colocar-nos umas contra as outras apenas desfavorece a nós mesmas. Uma outra mulher não é uma rival, mas sim alguém com as mesmas inseguranças que as nossas, sobretudo, no carnaval, quando o assédio se manifesta de forma mais explícita. Então, nada de competir com uma mulher por causa de um(a) crush.

Apoiar outras mulheres

Na folia, caso veja alguma mulher em desespero ou chateada, ofereça ajuda. Às vezes, o simples ato de escutá-la ou de emprestar-lhe o celular pode deixá-la melhor e ajudá-la a resolver algum problema. Se ela estiver bêbada, certifique-se de que ela está em boa companhia ou fique por perto para evitar abuso.

Não julgue

O fato de uma mulher estar com uma fantasia provocante ou sensual não lhe dá o direito de julgá-la. No carnaval, as pessoas se vestem do que quiserem e dançam da forma como se sentem bem e felizes. Se a mulher estiver bêbada, não a julgue também. Quem nunca passou da conta na folia?

Meta a colher

O ditado “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher” é um anacronismo. Se um homem agride verbal ou fisicamente uma mulher, qualquer outra pessoa tem a obrigação de lhe prestar ajuda ou socorro. Seja uma briga entre casais, seja um homem assediando uma mulher, intervenha. Se for preciso, chame a polícia.

Nada de comentários sobre o corpo alheio

As pessoas querem se divertir durante o carnaval. E para isso elas vão se liberar de amarras sociais. Muitos corpos ficarão mais expostos, inclusive, corpos gordos. Logo, cuidado com comentários que podem parecer inofensivos. Não seja gordofóbico no carnaval e nem em outro momento, claro.

Deixe os LGBTQI+ em paz

Sobretudo as mulheres lésbicas são alvo de comentários e atitudes machistas durante o carnaval. Muitos homens têm fantasias sexuais com duas mulheres e acham que podem intervir na relação de um casal lésbico como se ele fosse necessário. Se você é homem e tem alguma fantasia sexual que queira realizar, guarde-a para si, converse com um psicólogo ou arrume alguém que tope fazê-la com você de forma consensual. Então, nada de pedir beijo triplo e despejar o seu fetiche sobre as lésbicas. Respeito à sexualidade é uma atitude a ser praticada sempre. As pessoas trans também devem ser respeitadas, logo nada de fantasias e comentários que as depreciem.

Carnaval é lugar de diversão e respeito

No mais, é aproveitar essa festa mágica e se divertir. Leve seu próprio copo, para evitar a produzir lixo, não jogue este no chão (por favor!), tenha camisinhas com você e lembre-se: não é não em qualquer circunstância. Para além do não já virou assédio.

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É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.