COP26: o principal objetivo é evitar que o aquecimento global ultrapasse 1,5 °C

COP26: o principal objetivo é evitar que o aquecimento global ultrapasse 1,5 °C

A COP26 é um dos encontros mais importantes da história e está caminhando para sua última semana. A 26ª Conferência das Partes ou COP reúne governantes de mais de 190 países e mais de milhares de representantes de empresas e ONGs. Seu tema central é: o que os governos do mundo farão para evitar uma crise climática catastrófica?

A cúpula ocorre em um momento mundial tenso em que inundações, furacões, secas, ondas de calor e incêndios florestais estão cada vez mais frequentes e intensos com as mudanças climáticas em todas as regiões do planeta.

1,5 este é o número

Foi nos Acordos de Paris, na COP21 em 2015, que a maioria dos países do planeta se comprometeram a “manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2 °C“.

Enquanto acompanhamos notícias de que a temperatura do planeta já subiu 1,1 ºC em média, de acordo com o relatório de agosto do IPCC, o que está em jogo na COP26 é criar medidas que façam cortes drásticos e urgentes nas emissões de dióxido de carbono (CO2).

O principal objetivo é evitar que o aquecimento global ultrapasse um aumento de 1,5 °C em relação ao século 19.

Segundo Michael Oppenheimer, especialista em mudanças climáticas da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos e autor e revisor de vários relatórios do IPCC, cada aumento adicional no aquecimento causa mais danos e mais perdas de vidas. Oppenheimer é um dos autores do relatório do IPCC “Warming by 1.5 degrees” e afirma:

“Há uma diferença notável entre os riscos com um aumento de 1,5 °C versus um aumento de 2 °C. Eventos como calor extremo, danos de ciclones tropicais, inundações por chuvas mais intensas, todos esses tipos de impactos danosos e letais tornam-se cada vez mais comuns e mais intensos à medida que o aquecimento excede 1,5 °C“.

Como não ultrapassar os 1,5 °C?

Sem mudanças drásticas no cenário das emissões, o mundo caminha para um aumento de temperatura de pelo menos 2,7 °C até o final do século, alerta a ONU.

Os dados não estão compatíveis com os números máximos exigidos: as emissões de gases de efeito estufa caminham para um aumento até o fim desta década de 16 % em relação a 2010, segundo a ONU. E os atuais planos globais de produção de petróleo, gás e carvão excedem em mais do que duas vezes o nível necessário para ficar dentro de 1,5°C.

Para que a meta de 1,5 °C seja atingida, as emissões de CO2 devem ser reduzidas em 45 % até 2030. E, até 2050, devem chegar a zero líquido.

Os países devem se responsabilizar

Os países devem anunciar novas metas de redução de emissões a cada cinco anos. As metas são conhecidas como “Contribuições Nacionalmente Determinadas” (NDCs, na sigla em inglês).

Países como os EUA e o Reino Unido anunciaram planos para alcançar emissões “líquidas zero” até 2050 e a China até 2060.

Para o cientista britânico James Dyke, diretor do Instituto de Sistemas Globais da Universidade de Exeter, na Inglaterra, diz que “as políticas de zero líquido podem ser uma armadilha perigosa” e a tecnologia para extrair dióxido de carbono da atmosfera ainda é muito limitada. Ele alerta:

“Essas políticas podem permitir uma mentalidade imprudente de ‘queime agora, pague depois’. Em vez de introduzir cortes rápidos no uso de combustíveis fósseis, elas invocam um futuro otimista no qual é possível retirar com segurança as emissões de carbono”.

Reinvindicação pela justiça climática

Mais promessas: os países desenvolvidos se comprometeram em 2009 a contribuir com US$ 100 bilhões a cada ano a partir de 2020, a fim de ajudar outras nações na transição para economias de baixo carbono e na adaptação às mudanças climáticas.

Os países em desenvolvimento exigem que a promessa seja cumprida. Anaid Velasco é gerente de pesquisa do Centro Mexicano de Derecho Ambiental A.C. (CEMDA), uma das ONGs que está presente na COP26. Ele pede aos países desenvolvidos que cumpram suas promessas:

“Para a América Latina, o cumprimento dessa promessa de US$ 100 bilhões é de grande relevância, considerando que somos uma região altamente vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas, com perdas e danos consideráveis.

Ter os fundos prometidos é uma ação alinhada com a responsabilidade dos países que geram maiores emissões em comparação com nações que têm menos responsabilidade (exceto México e Brasil) mas mais impactos derivados das mudanças climáticas. De uma ação de justiça climática“.

Os principais participantes internacionais

Especialmente a China e os Estados Unidos respondem por quase 40 % das atuais emissões globais de CO2.

David Tyfield, professor do Centro Ambiental da Universidade Lancaster, na Inglaterra, acrescenta:

“As emissões da China dominam os números globais, com 27 % do total em 2019, e os Estados Unidos em segundo lugar, com 11 %. Pela primeira vez, as emissões chinesas ultrapassaram todas as emissões combinadas dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)”.

De um ponto de vista histórico, o CO2 emitido há séculos continua a aquecer o planeta hoje. Os Estados Unidos, com 20 %, superam a China, que tem 11 %, de acordo com uma pesquisa do centro de estudos internacional Carbon Brief.

O Brasil não está muito atrás. No estudo, o país aparece em quarto lugar no ranking de emissões desde 1850, depois de Estados Unidos, China e Rússia.

O que esperar da cúpula

O planeta e a humanidade estão em estado de emergência e espera-se que os países apresentem compromissos de redução de emissões muito mais eficazes e que se responsabilizem pelas perdas e danos que as nações com menos recursos estão passando.

O mundo espera estratégias e planos igualitários de

  • financiamento climático;
  • descarbonização;
  • como os combustíveis fósseis serão mantidos no solo.

É hora de correr atrás do prejuízo.

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