“Mundo em pausa graças aos malditos comedores de morcego”: o desabafo de um vegano famoso

Talvez ele seja o primeiro vegano famoso a se pronunciar contra a pandemia que, ao que tudo indica, teria surgido em um mercado de horrores, o mercado de animais vivos em Wuhan, na China.

Digamos que esta é a versão mais provável até agora, enquanto uma investigação independente ainda não tenha concluído sobre a origem e a disseminação do novo coronavirus, o Sars-Cov-2.

Explicamos. Uma epidemia surgiu em Wuhan em um mercado onde pessoas compram animais vivos que são mortos na hora para serem consumidos frescos. Porém, embora muitos casos tenham surgido propriamente neste mercado, em pessoas que trabalhavam ou frequentavam este lugar, alguns países estão começando a duvidar de que sua origem tenha sido ali. Pode ser que o vírus tenha escapado acidentalmente de um laboratório.

Esta possibilidade foi levantada pelos Estados Unidos e agora muitos outros países começaram a querer saber de fato, como e quando teve início a pandemia que parou o mundo.

O que se sabe, através de uma pesquisa científica a qual ninguém contestou até o momento, é que o novo coronavírus não fora nem criado nem modificado em laboratório, e que sua origem é sim o morcego. Mas o assim chamado spillover (ou seja, o salto de espécie) do morcego para o homem, ainda é um mistério. O vírus teria escapado do laboratório, infectado algum pesquisador, ou teria penetrado o estômago de quem comeu morcego no mercado de Wuhan? Ou teria ainda sido passado do morcego para o pangolim (animal traficado e muito usado na medicina tradicional chinesa)?

Enquanto estas perguntas seguem sem respostas, algumas pessoas estão começando a ficar de saco cheio da mudança imposta pelo lockdown. Principalmente os veganos poderiam reclamar porque, se as últimas epidemias vieram do consumo de carnes de frango, porco ou morcego, os veganos não têm nada com isso.

Bryan Adams (cantor e fotógrafo canadense, um dos artistas mais bem sucedidos da década de 1980) desabafou em sua conta Instagram: “mundo em pausa graças aos malditos comedores de morcegos”. 

“Esta noite deveria ser o começo de uma série de shows, mas graças a algum maldito comedor de morcego, algum vendedor em um mercado de animais vivos, algum ganancioso bastardo de fábrica de vírus, agora o mundo está em pausa, isso para não mencionar as milhares de pessoas que sofreram ou morreram com esse vírus. Minha mensagem para elas, além de ‘muito obrigado’, é tornar-se veganas. Para todas as pessoas que sentirão falta dos nossos shows, saiba que eu eu gostaria de estar lá ainda mais do que vocês.”

Sua mensagem acompanha um vídeo no qual ele apresenta “Cuts Like A Knife”, um single lançado em 1983 em álbum homônimo.

Adams recebeu inúmeras críticas por seu desabafo e teve que desativar a opção de postar comentários. Ele deveria realizar uma série de concertos no Royal Albert Hall, em Londres, tudo cancelado por causa da pandemia.

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CUTS LIKE A KNIFE. A song by me. Tonight was supposed to be the beginning of a tenancy of gigs at the @royalalberthall, but thanks to some fucking bat eating, wet market animal selling, virus making greedy bastards, the whole world is now on hold, not to mention the thousands that have suffered or died from this virus. My message to them other than “thanks a fucking lot” is go vegan. To all the people missing out on our shows, I wish I could be there more than you know. It’s been great hanging out in isolation with my children and family, but I miss my other family, my band, my crew and my fans. Take care of yourselves and hope we can get the show on the road again soon. I’ll be performing a snippet from each album we were supposed to perform for the next few days. X❤️ #songsfromisolation #covid_19 #banwetmarkets #selfisolation #bryanadamscutslikeaknife #govegan🌱

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Depois de ter sido acusado de racismo, o cantor se desculpou e disse que sua intenção foi apenas denunciar a crueldade animal, mantendo a sua posição #govegan!.

Talvez agora outros veganos venham a seu encontro. Fato é que estamos nessa pandemia há 5 meses e tudo começa a ficar difícil de suportar quando em muitos lugares o pior ainda não passou, se é que passará. Como dizem, paciência tem limites. Mas ao que parece, o Sars-Cov-2 mudou o mundo de uma vez por todas, e teremos de nos adaptar a esse novo mundo, querendo ou não.

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Sobre Daia Florios

Daia Florios
Ingressou no curso de Ecologia pela UNESP e formou-se em Direito pela UNIMEP. É redatora-chefe e co-founder de GreenMe Brasil.

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