Comportamento de manada: o efeito rebanho realmente existe

Comportamento de manada: o efeito rebanho realmente existe

Somos todos animais. Assim como as cabras, o gado e os carneirinhos, pedestres em grupos e multidões se comportam como um rebanho de ovelhas. Quando não se sabe para aonde ir em situações de confusão, as pessoas tendem a seguir aqueles que veem pela frente, especialmente se estes parecem saber para aonde vão.

O comportamento de manada é um termo geralmente usado para descrever pessoas que se comportam como massa, sem expressarem a própria individualidade. Também é usado para descrever situações onde as pessoas reagem todas da mesma maneira, como se fossem telecomandadas.

É um comportamento comum em rabanhos, matilhas, em bandos de pássaros, em cardumes de peixes e em humanos (afinal, somos animais).

Exemplos de comportamento de manada em humanos

O tempo todo vemos o homem se comportar como massa de manobra. Se tem uma bolha econômica especulativa por exemplo, os investidores são inclinados a agir coletivamente sem uma direção centralizada.

Em votações é muito comum que as pessoas decidam seus votos através da tendência da maioria. Até para fazer selfie nas redes sociais o pessoal age sem pensar, e faz as caras e bocas da moda seguindo o fluxo da manada.

Muitos dos nossos comportamentos (senão todos) são ditados pelo marketing, pela política, pela economia, pela religião, pelos influenciadores de plantão, que ditam as regras do jogo onde as pessoas jogam no modo automático (sem pensar).

A ciência quis entender o comportamento de manada em humanos porque, apesar de nós também sermos animais, deveríamos ser inteligentes.

A ciência da manada

Para comprovar que o comportamento de manada existe, um experimento foi realizado pelo Departamento de Matemática da Universidade Sapienza de Roma, Itália.

Dois grupos formados por cerca de 40 pessoas cada, foram convidados a chegar, partindo de uma sala de aula, a um determinado lugar desconhecido por todos, exceto por uma pessoa no primeiro grupo e por cinco pessoas no segundo (o que não fora revelado até o final do experimento).

“Saindo da sala de aula, as pessoas mostraram uma ligeira tendência a irem para a direita, na direção do Departamento que lhes era mais familiar, mas isso logo foi superado pelo desejo de seguir os colegas que estavam na frente. Este comportamento permitiu que as pessoas capazes de ‘arrastarem’ os outros, pudessem encaminhá-las pelo caminho mais rápido”, disse o pesquisador Emiliano Cristiani do IAC-CNR.

Esta é foi primeira experiência do tipo, feita com escopo de pesquisa. Os pesquisadores descobriram que as pessoas parecem não se sentir confortáveis com as instruções que vêm de cima, mas se tornam dóceis e obedientes quando acreditam que estão escolhendo autonomamente.

A estratégia do líder oculto

Saber que as pessoas se comportam como gado quando estão em grupos, em multidões, quando não sabem para aonde ir – e que, por isso mesmo, podem ser controladas – não é uma coisa de todo ruim.

Um líder oculto poderia manejar as pessoas em situações perigosas. Por exemplo, para orientar o movimento de uma multidão em situações de emergência, misturando à multidão pessoas que saibam exatamente como devem se comportar para o bem de todos.

“Novos modelos matemáticos e métodos de otimização foram usados em combinação para encontrar a estratégia do líder oculto, a levar todos para o seu destino, evitando esperas e congestionamento. O melhor método é dividir a multidão para direcioná-la para todas as saídas disponíveis, mesmo as mais distantes e menos conhecidas. No caso de haver apenas uma saída, para garantir um escoamento ideal é paradoxalmente preferível enganar algumas pessoas, levando-as para longe da saída disponível, para depois trazê-las de volta na direção certa”.

As técnicas de controle das grandes multidões estudadas nesta pesquisa, na verdade, encontram a sua aplicação natural nos casos em que a situação perigosa é previsível, mas a comunicação entre as autoridades e a multidão é difícil, como durante uma manifestação violenta.

O efeito rebanho

Nestes casos, os agentes à paisana, escondidos no meio da multidão, podem correr em direções previamente pensadas para ativar o efeito rebanho.

“Quisemos testar no campo, a precisão das previsões dos modelos matemáticos para o controle das multidões, que usam o chamado efeito rebanho – disse o pesquisador. É um comportamento que ocorre em animais sociais, como gansos, baratas e, claro, carneiros, que se movem seguindo os companheiros mais próximos, independentemente do destino a que devem chegar. Em matemática, um rebanho é um exemplo de um sistema de auto-organização, um grupo composto por um grande número de ‘agentes’ que se seguem regras simples e em que as dinâmicas individuais são influenciadas por aquelas dos agentes mais próximos. Embora seja geralmente associada às atitudes para com os animais, estudos deste gênero são úteis para orientar grandes aglomerações humanas em situações delicadas, como em planos estratégicos de evacuação”.

É importante notar que o efeito rebanho tem aplicabilidade seja para o bem que para o mal. Saber que a massa humana pode ser controlada com uma varinha – como fazem os pastores com suas ovelhas ou o maestro com sua orquestra – é instigante.

É preciso ter cabeça própria pois podemos estar sendo comandados por um ou mais líderes ocultos. O único remédio para o mal do comportamento de manada é a crítica.

Essa pesquisa foi publicada no arXiv.

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Fonte foto: witaly.it

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