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Lixão têxtil a céu aberto no Chile é a nova paisagem do deserto do Atacama

Lixão têxtil a céu aberto no Chile é a nova paisagem do deserto do Atacama

O Chile é o maior importador de roupas usadas da América Latina e, também, é lá que encontra-se um lixão a céu aberto de roupas, bolsas e sapatos descartados de diversos países tendo como destino final o deserto do Atacama.

É uma paisagem lamentável. São montanhas de roupas que crescem cerca de 59 mil toneladas por ano entrando na zona franca do porto de Iquique, a 1.800 quilômetros de Santiago.

Consumo excessivo de roupas

O material das roupas demora aproximadamente 200 anos para se desintegrar. Milhares de toneladas acabam como lixo escondido em Alto Hospicio, no norte do Chile.

Alex Carreño, ex-trabalhador da zona de importação do porto de Iquique, mora próximo do lixão e explica:

“Essas roupas vêm de todas as partes do mundo. O que não foi vendido para Santiago ou foi para outros países (como Bolívia, Peru e Paraguai para contrabando), ou fica aqui, porque é uma zona franca”.

Fast fashion

De acordo com estudo da ONU de 2019, a produção de roupas no mundo dobrou entre 2000 e 2014, o que também mostra que a indústria têxtil é “responsável por 20% do total de desperdício de água globalmente”.

A produção de um par de jeans consome 7.500 litros de água e a fabricação de roupas e calçados gera 8% dos gases de efeito estufa.

A moda tóxica da indústria têxtil atualmente é a chamada fast fashion, com

  • trabalhadores mal pagos;
  • denúncias de mão-de-obra infantil;
  • e condições deploráveis ​​para a produção em massa das vestimentas.

Lixões têxteis

É possível encontrar de t-u-d-o nos lixões têxteis do deserto chileno. As roupas enterradas ou expostas no lixão causam impactos ambientais graves: liberam poluentes no ar e nos corpos d’água subterrâneos típicos do ecossistema do deserto.

Franklin Zepeda, fundador da EcoFibra, empresa de economia circular com unidade produtiva Lixo eletrônico é usado para ensino de robótica nas escolas públicas de Fortalezaem Alto Hospicio, produz painéis isolantes com base nessas roupas descartáveis e faz um alerta:

“O problema é que a roupa não é biodegradável e contém produtos químicos, por isso não é aceita nos aterros municipais”.

Por exemplo, incêndios podem ocorrer devido aos produtos químicos e tecidos sintéticos que compõem estas roupas.

O consumo excessivo de roupas não é nada sustentável e polui o planeta. A cada segundo é enterrada ou queimada uma quantidade de tecidos equivalente a um caminhão de lixo.

Que tal, inclusive, fazer uma limpa no armário?

As imagens são desoladoras:

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