Greenwashing: uma prática ecologicamente INcorreta

Conheça o Greenwashing: uma prática ecologicamente INcorreta

Sustentável, ecologicamente correto, vegano, cruelty free, quilômetro zero… estes conceitos estão na moda e parece que vieram para ficar, afinal, quem é que quer comprar de empresa que maltrata animal, derruba árvore ou polui rios e mares?

O crescimento do conceito de desenvolvimento sustentável por todo o mundo trouxe um grande alerta sobre a necessidade de o ser humano se relacionar melhor com o meio ambiente. Mas infelizmente, há um outro lado da moeda. De olho no mercado, empresas e indústrias maquiam seus produtos de verde, o assim greenwashing, que veremos a seguir.

O que vem acontecendo é uma questão bastante polêmica. Muitas empresas tentam se promover divulgando uma responsabilidade socioambiental e sustentável que da parte delas não existe.

Elas usam essa bandeira apenas para promoverem seus produtos, muitas vezes sem nenhum escrúpulo. Mas um consumidor atento, após uma análise mais criteriosa, conclui que o produto está apenas sendo rotulado com uma etiqueta falsamente ecológica: greenwashing.

Como perceber a fraude?

Publicidade ambiental confusa

Ficou confuso? Nós esclarecemos.

A publicidade ambiental goza de grande prestígio hoje em dia, ou seja, é “in” ser “green”, ou simplesmente, está na moda.

Por conta disso, há um enorme volume de produtos que divulgam em seus rótulos uma série de frases que fazem alusão à possíveis qualidades ecológicas, que não podem ser comprovadas na prática, ou que são por demais genéricas, para que o consumidor consiga compreendê-las com clareza.

Isso se comprova por meio de expressões como:

  • 100% natural (pode ser, mas não significa que a empresa que o produz tenha responsabilidade ambiental)
  • qualidade verde (demasiado genérico)
  • produto amigo do ambiente (demasiado genérico)
  • produto eco (demasiado genérico)
  • saudável (alimentos saudáveis sequer levam rótulos)
  • vegan (nem tudo que é vegano é sustentável ou saudável)

Entre outras expressões que certamente você já leu nos rótulos ou ouviu falar.

Esse tipo de coisa fere os princípios legais da informação, objetividade e transparência ao cliente.

Greenwashing – conceito

Greenwashing é um conceito original da língua inglesa, que seria uma espécie de “maquiagem verde“. Isto é, uma camuflagem de produtos, com uma imagem pública de fabricação ecologicamente sustentável.

A organização TerraChoice Environmental Marketing, no ano de 2010, identificou por meio de um relatório certas práticas que ajudam a caracterizar uma ação de greenwashing.

Os dados são alarmantes e estavam presentes em cerca de 95% dos produtos de uso doméstico presentes nos mercados norte-americano e canadense.

Quais as características do greenwashing em rótulos de produtos?

  • Fazer referências a quantidades falsas;
  • Dados expostos sem referência ou prova;
  • Dados genéricos, ambíguos ou contraditórios;
  • Ocultação de características nocivas ao meio ambiente;
  • Falsa ideia de certificação ambiental.

O que faz de uma marca ser não-greenwashing?

Alguns cuidados deverão ser tomados, não só quanto as informações contidas nos rótulos, mas também com relação às campanhas de marketing envolvendo o produto.

Os seguintes aspectos devem ser ressaltados, portanto:

  • Amplo conhecimento de ações e princípios de sustentabilidade;
  • Análise clara e sincera de impactos ambientais e sociais da marca;
  • Perseguir os princípios da sustentabilidade, com objetivo a atingir uma produção completamente adequada sob o ponto de vista ecológico;
  • Fiscalização permanente sobre ações de sustentabilidade da empresa.

Penalidades de greenwashing pelo mundo

Algumas atitudes têm sido adotadas, de modo a combater esse tipo de violação do direito do consumidor e em nome da transparência industrial.

EUA

Nos EUA, a Federal Trade Comission, que é uma agência cuja finalidade é a de exercer regulação do mercado local, elaborou diretrizes para apresentar limites à chamada “publicidade verdade”; de modo a limitar a atuação das empresas, quanto a promoção de seus produtos que não pode ser lesiva ao consumidor final. Isto é, deve conter o real significado de cada um dos componentes de sua fabricação / formulação.

França

Na França, houve condenações civil e penal da megacorporação Monsanto, em 2012. A decisão judicial se deu, porque o rótulo de um herbicida continha as expressões “biodegradável” e “respeito ao meio ambiente“, “limpo” e algumas outras palavras que carregavam uma ideia de que era um item ecológico. Esse fato causou a intoxicação de um agricultor.

E o Brasil neste cenário?

No caso do Brasil, há uma forte expectativa de que ações de proteção ambiental sejam tomadas, no sentido de se coibir atos de greenwashing. Até porque isso acompanhará a tendência mundial à punição desse tipo de crime, como vimos anteriormente.

Empresários e público em geral que desejem se informar melhor sobre o que pode caracterizar o greenwashing, pode encontrar um rico material, em documentos como o The Greenwash Guide, Eco-promising e The Six Sins of GreenwashingTM.

Em tempos de greenwashing, portanto, a publicidade terá de ser muito cautelosa, em relação a que tipo de imagem de produtos é veiculada pelos meios de comunicação.

A informação deve sempre ser conduzida com transparência ao consumidor, a fim de estimular e aplicar os princípios do consumo consciente.

Fonte foto: freeimages.com

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