Tricotilomania: mania de tocar e arrancar cabelos e pelos


Em um mundo compulsivo, acabamos adquirindo também comportamentos compulsivos.

Tocar, alisar, enrolar e arrancar os cabelos pode virar um distúrbio grave cujo nome é tricotilomania.

A tricotilomania está entre as condições psiquiátricas listadas no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). Trata-se de um comportamento compulsivo de arrancar os cabelos, não só da cabeça, mas também pelos de todo o corpo.

Tricotilomania

A tricotilomania faz parte dos transtornos comportamentais repetitivos focados no corpo (BFRB).

No manual DMS-5, está incluída no capítulo dedicado aos “Transtornos Obsessivo-Compulsivos e Relacionados“.

É um distúrbio, cuja denominação deriva da união de três termos gregos:

  1. thrix (cabelo);
  2. tillo (rasgar);
  3. e mania (mania).

Como especificado no DSM, as pessoas com tricotilomania podem arrancar “cabelos do couro cabeludo, sobrancelhas e/ou pálpebras”, bem como de outros lugares do corpo.

O distúrbio é caracterizado pelo arrancamento sistemático e crônico de cabelos da cabeça e outras áreas do corpo.

Pode ser um comportamento parcialmente automático (sem plena consciência) ou totalmente consciente.

Consciente x Inconsciente

Para pessoas com tricotilomania, puxar o cabelo pode ser:

  • Focado: algumas pessoas puxam o cabelo intencionalmente para aliviar a tensão ou angústia;
  • Automático: algumas pessoas puxam o cabelo sem nem perceber que estão fazendo isso, como quando estão entediadas, lendo ou assistindo TV.

Causas e Sintomas

O distúrbio pode afetar todas as faixas etárias, de crianças a adultos.

Quando se trata de adultos, em 80 a 90% dos casos são mulheres.

De fato, a causa do transtorno ainda não se sabe ao certo, mas especialistas acreditam que possa ser uma combinação de fatores genéticos e ambientais.

O estudo “Mutações SLITRK1 em Trichotillomaniacs” publicado na revista Nature, descobriu que uma pequena porcentagem de pacientes apresenta mutações no gene SLITKR1, ligado a conexões entre neurônios.

Ou seja, o histórico familiar e a genética, pode desempenhar um papel no desenvolvimento da tricotilomania.

Além disso, situações ou eventos severamente estressantes podem desencadear tricotilomania em algumas pessoas.

Os sinais e sintomas da tricotilomania

  • Puxar o cabelo repetidamente, geralmente do couro cabeludo, sobrancelhas ou cílios, ou outras áreas do corpo (os locais podem variar ao longo do tempo);
  • Uma sensação crescente de tensão antes de puxar os cabelos ou ao tentar resistir a puxar;
  • Uma sensação de prazer ou alívio depois que o cabelo é puxado;
  • Uma sensação de prazer em setor a textura do cabelo arrancado:
  • Perda de cabelo perceptível, cabelo encurtado ou áreas afinadas ou calvas no couro cabeludo ou em outras áreas do corpo, incluindo cílios ou sobrancelhas esparsos ou ausentes;
  • Morder, mastigar ou comer o cabelo arrancado;
  • Puxões de cabelos em áreas específicas;
  • Tentar parar de puxar o cabelo ou tentar fazê-lo com menos frequência sem sucesso;
  • Angústia ou problemas em situações sociais relacionadas.

Muitas pessoas que têm tricotilomania também cutucam a pele, roem as unhas ou mastigam os lábios.

A maioria das pessoas com tricotilomania puxa o cabelo quando está sozinha, em particular, e geralmente tentam esconder o distúrbio dos outros.

Consequências e complicações

Embora possa não parecer particularmente grave, a tricotilomania pode ter um grande impacto negativo.

As complicações podem incluir:

  • Aflição emocional;
  • Problemas sociais;
  • Danos na pele e no cabelo;
  • Calvície;
  • Alopecia;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Formação de tricobezoares (aglomerados de cabelo no sistema digestivo).

Queda de cabelo

O toque compulsivo pode levar à perda de cabelo.

Tocar excessiva e repetitivamente os cabelos pode causar danos às pontas dos fios de cabelo.

Torcer ou esfregar o cabelo, especialmente com as mãos sujas ou oleosas, pode transferir a sujeira para o cabelo e o couro cabeludo.

Além de embaraçar e quebrar os cabelos, pode acontecer a separação das pontas duplas, o que pode causar danos permanentes ao folículo, e o trauma pode fazer com que ele pare de produzir novos cabelos.

Tratamentos para tricotilomania

Para diagnosticar a doença, o ideal é procurar um médico.

Se o caso for grave, medicamentos podem ser recomendados para o tratamento.

Os manuais do MSD relatam que entre os medicamentos potencialmente eficazes contra o distúrbio estão os inibidores seletivos da recaptação da

  • serotonina;
  • clomipramina;
  • N-acetilcisteína;
  • e olanzapina.

A terapia cognitivo-comportamental também pode ser eficaz, com uma abordagem definida como “treinamento para a inversão de hábitos“, onde os pacientes são treinados para monitorar seu comportamento compulsivo e controlá-lo.

Alguns truques podem ajudar a diminuir o ato de tocar nos cabelos. Confira:

10 dicas para quem sofre de tricotilomania

  1. Compre pinceis para puxar ou tocar as cerdas;
  2. Passar vaselina nos cabelos;
  3. Antes de começar a puxar fale para si mesmo “PARE”;
  4. Deixar as unhas curtas ou unhas postiças;
  5. Fazer crochê ou tricô pode dar a mesma sensação de puxar cabelo;
  6. Usar objetos desenvolvidos para transtornos repetitivos específicos;
  7. Usar band-aids ou esparadrapos na pontas dos dedos;
  8. Usar toucas, faixas ou turbantes;
  9. Usar óculos;
  10. Usar diversos penteados;

Tocar sem arrancar é tricotilomania?

Como vimos, a tricotilomania é caracterizada pelo ato de arrancar e até comer cabelos. Mas será que apenas tocar, sem arrancar, é tricotilomania?

A questão é, de fato, subjetiva e varia a cada caso em particular. Ocorre que muitas vezes começa-se tocando, sentindo, abrindo pontas duplas, enrolando os cabelos com os dedos para progressivamente passar a arrancá-los depois.

Arrancar gera consequências mais graves como alopecia e perda de cabelo, mas tocar também pode ser prejudicial seja do ponto de vista estético que social. A pessoa quer tocar o cabelo o tempo todo e passa uma imagem de ansiedade ou compulsão.

Contudo, tocar e enrolar cabelos não é necessariamente um TOC mas pode configurar transtorno obsessivo quando:

  • há pensamentos ou impulsos perturbadores que ocorrem repetidamente
  • atos repetitivos ou “rituais” que aliviam temporariamente o estresse e a ansiedade
  • quanto tais pensamentos e rituais duram mais de uma hora por dia e interferem na vida da pessoa

Fique atento se  a vontade de tocar os cabelos o tempo todo te deixa em estado de ansiedade e te prejudica de qualquer modo. Descobrir as causas por trás dessa compulsão poderá te ajudar a viver melhor.

Procure ajuda especializada: um psicólogo, psicoterapeuta ou psicanalista.

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Lara Meneguelli


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