Putin vai apertar o botão nuclear? Veja a linha vermelha que não deve ser ultrapassada


A pergunta que todos estão fazendo, políticos, jornalistas, palpiteiros e até cartomantes: existe realmente o risco de Vladimir Putin apertar um botão e degenerar uma guerra nuclear com consequências apocalípticas para todo o mundo?

Quem responde é Benjamin Hautecouverture, cientista político, membro da Fondation pour la Recherche Strategique e um dos maiores especialistas franceses em armas nucleares.

Em uma entrevista para o Corriere della Sera, Hautecouverture diz que o uso de armas nucleares de baixa intensidade não é impossível, mas no momento é improvável. Isso porque, para o especialista, Putin não é louco, é um estrategista cujos movimentos militares são bastante racionais.

Para o especialista, a ameaça russa que se coloca como retórica de guerra nuclear, é uma estratégia usada para fazer com que os países da OTAN não se metam nas operações militares russas.

A OTAN é um tratado de defesa, e não de ataque. Então, às provocações do ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, que evoca continuamente a guerra nuclear, os ocidentais estariam respondendo apenas com o silêncio para não levantar os ânimos.

“O silêncio também é uma resposta, é uma maneira de dizer que a dissuasão nuclear mútua é um assunto sério, enquanto falar sobre isso com muita facilidade em público é inútil e contraproducente”, diz o especialista.

Se a ameaça nuclear russa tem o objetivo de “apenas” desencorajar a OTAN de ajudar a Ucrânia, existe uma linha vermelha que ninguém deve cruzar?

Qual é linha vermelha que não deve ser ultrapassada?

“A linha vermelha é o envio de tropas, que de fato nenhum país membro da OTAN enviará. Depois, há uma linha laranja escura, representada pelos sistemas de armas pesadas e ofensivas. É por isso que se especifica que as armas enviadas pela União Europeia à Ucrânia são ‘defensivas’. Por enquanto, a dissuasão nuclear está preservada, ninguém quer recorrer às armas nucleares porque sabe que a resposta seria igualmente atômica e imediata. A guerra na Ucrânia passou de baixa para alta intensidade, mas ainda estamos abaixo do limiar nuclear. A dissuasão clássica ainda está em operação e será até que a Rússia ataque um país da OTAN, por exemplo os países bálticos ou a Romênia ou a Polônia”.

Com relação ao envio de armas e soldados europeus ao front, Hautecouverture diz que:

“É justamente para sublinhar a outra linha vermelha que não ser superada. Um ataque a um país da OTAN desencadearia o artigo 5º do Tratado com o risco de chegar a esse ponto em um conflito nuclear. No entanto, por enquanto, a dissuasão nuclear está funcionando e seus códigos não mudaram. Teremos que ver em algumas semanas ».

Putin não é louco

Perguntado se Putin seria louco, paranóico ou teria perdido as faculdades mentais, Hautecouverture é claro: do ponto de vista estritamente militar, a jogada de Putin obedece a uma lógica de tomada de território. São planos táticos que podem avançar menos rápido do que o esperado, mas são coerentes.

Para finalizar, ele acredita que não devemos ter medo de um Putin enlouquecido que desencadeia a Terceira Guerra Mundial. Pelo menos não parece ser esse o caso.

Leia aqui a entrevista completa, em italiano.

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Daia Florios

Cursou Ecologia na UNESP, formou-se em Direito pela UNIMEP. Estudante de Psicanálise. Fundadora e redatora-chefe de greenMe.


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