Poucas pessoas estão dispostas a mudar o comportamento para salvar o planeta, revela pesquisa com 10 países

Poucas pessoas estão dispostas a mudar o comportamento para salvar o planeta, revela pesquisa com 10 países

As bombas estão sendo lançadas durante a COP26. Mas uma pesquisa, coincidentemente publicada para impactar os assuntos debatidos na conferência climática em Gasglow, revelou que poucas pessoas estão dispostas a mudar o estilo de vida para salvar o planeta.

Em 10 países, a pesquisa contou com amostras representativas de mais de 1.000 pessoas que foram questionadas nos Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, França, Holanda, Alemanha , Suécia, Polônia, Cingapura e Nova Zelândia.

Dupla lição para os governos

A pesquisa internacional revela que a maioria dos cidadãos acredita que já estão bastante comprometidos com o meio ambiente, ou seja, que já estão fazendo suas partes.

Para Emmanuel Rivière, diretor de pesquisas internacionais da Kantar Public, o relatório continha uma “dupla lição” para os governos: precisa primeiro corresponder às expectativas das pessoas, mas também precisa persuadi-las de quais são as soluções e como é possível compartilhar a responsabilidade e as preocupações de maneira justa.

O estudo constatou que 62 % das pessoas pesquisadas veem a crise climática como o principal desafio ambiental que o mundo enfrenta agora, à frente da

  • poluição do ar (39 %);
  • impacto dos resíduos (38 %);
  • novas doenças (36 %).

Mas quando solicitadas a avaliar suas ações individuais em comparação com outras, como as de governos, empresas e da mídia, as pessoas geralmente se viam como muito mais comprometidas com o meio ambiente do que outras pessoas em sua comunidade local ou qualquer instituição.

Aí vão os dados encontrados:

  • 36 % se classificaram como “altamente comprometidos” com a preservação do planeta;
  • 21 % achavam que o mesmo acontecia com a mídia;
  • 19 % com o governo local;
  • 18 % sentiram que sua comunidade local estava igualmente comprometida;
  • 17 % com governos nacionais;
  • 13 % com grandes corporações, vistos como ainda menos engajados.

Quanto as pessoas estão dispostas a agir para preservar o Planeta?

Apenas 51 % disseram que definitivamente agiriam para proteger o planeta, com 14 % dizendo que definitivamente não o fariam. As pessoas na Polônia e em Cingapura (56 %) foram as mais dispostas a agir, e na Alemanha (44 %) e na Holanda (37 %) foram consideradas menos dispostas.

Por quais razões?

As razões mais comuns apontadas para não querer fazer mais pelo planeta foram:

  • Tenho orgulho do que estou fazendo atualmente” (74 %);
  • Não há acordo entre os especialistas sobre as melhores soluções” (72 %);
  • Preciso de mais recursos e equipamentos do poder público” (69 %).

Outras razões para não querer fazer mais incluem:

  • Não posso me dar ao luxo de fazer esses esforços” (60 %);
  • Não tenho informações e orientação sobre o que fazer” (55 %);
  • Não acho que esforços individuais possam realmente ter um impacto” (39 %);
  • Acho que as ameaças ambientais estão superestimadas” (35 %);
  • Não tenho tempo para pensar nisso” (33 %).

Quais ações de preservação devem ser priorizadas?

Cerca de 57 %, por exemplo, disseram que reduzir o desperdício e aumentar a reciclagem é “muito importante”.

Outras medidas consideradas prioritárias foram

  • reverter o desmatamento (54 %),
  • proteger espécies animais ameaçadas (52 %),
  • construir edifícios com eficiência energética (47 %)
  • e substituir combustíveis fósseis por energias renováveis ​​(45 %).

Classificação em termos de importância

Os entrevistados consideraram as medidas que podem afetar seus próprios estilos de vida, no entanto, como significativamente menos importantes:

  • redução do consumo de energia (32 %);
  • favorecimento do transporte público em vez de carros (25 %);
  • mudança do modelo agrícola (24 %).

Apenas 23 % consideram que reduzir viagens de avião e cobrar mais por produtos que não respeitam as normas ambientais são importantes para preservar o planeta, ao mesmo tempo que banir os veículos movidos a combustíveis fósseis (22 %) e reduzir o consumo de carne (18 %) e o comércio internacional (17 %) foram vistos como prioridades ainda mais baixas.

O problema é sempre o outro

Numa perspectiva geral da pesquisa, as pessoas deram a si mesmas a pontuação mais alta em comprometimento em todos os lugares, exceto na Suécia, enquanto apenas em Cingapura e na Nova Zelândia os governos nacionais foram vistos como altamente engajados. A distância entre a visão dos cidadãos sobre seus próprios esforços (44 %) e a de seu governo (16 %) foi maior no Reino Unido.

As palavras do estudo traz a indagação: será que realmente podemos cobrar do governo e outras instituições enquanto nos auto sabotamos?

O que estamos realmente fazendo e quais ações precisam ser executadas para a mudança de hábitos ao invés de apenas reproduzirmos reclamações?

Fica como reflexão uma parte da pesquisa que traz o questionamento sobre o grau de comprometimento das pessoas com a preservação do planeta e sobre o obstáculo da “insatisfação” com o governo:

“Os cidadãos estão inegavelmente preocupados com o estado do planeta, mas essas descobertas levantam dúvidas quanto ao grau de comprometimento com sua preservação.

Em vez de se traduzir em uma maior disposição para mudar seus hábitos, as preocupações dos cidadãos estão particularmente focadas em sua avaliação negativa dos esforços dos governos“.

É aquele ditado “faça o que eu falo mas não faça o que eu faço”. Enquanto o problema é para o outro resolver tá ótimo, não é problema meu. Na verdade ninguém quer se enxergar como parte do problema porque ninguém quer se sacrificar para resolvê-lo.

E essa pesquisa fosse feita no Brasil? Como você responderia? Você acha que faz alguma coisa para salvar o planeta? O que e o quanto? E os governos da sua cidade, do seu estado do seu país? Eles fazem mais ou menos que você?

Conta pra gente!

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