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Os momentos mais importantes da luta contra o racismo

Um massacre que fez 69 mortos e 189 feridos. Esse é apenas um dos exemplos do quanto o racismo e todas as formas de intolerância podem ser nocivas para a humanidade.

Os 69 mortos e 189 feridos são parte da estatística do que foi o Massacre de Sharperville, ocorrido na África do Sul, em 1960. Na ocasião, cerca de 20 mil pessoas faziam uma manifestação pacífica contra a Lei do Passe, que restringia o acesso dos negros em determinados lugares.

O “combate” a essa mobilização veio em forma de violência, deixando dezenas de mortos e centenas de feridos.

Esse acontecimento motivou a criação do Dia Internacional de Luta contra Discriminação Racial, organizado pelas Organizações das Nações Unidas (ONU), que acontece todo dia 21 de março.

Essa é uma batalha que não diz respeito apenas aos negros, mas a todos que desejam uma sociedade mais justa.

Acompanhe abaixo alguns dos momentos mais importantes da luta contra o racismo.

O Fim do Apartheid

De 1948 até 1994 a África do Sul viveu um dos períodos mais tristes da história da humanidade – O Apartheid. Esse foi um sistema institucionalizado pelo governo que negava direitos políticos, econômicos e sociais aos negros do País.

Um dos nomes mais simbólicos de luta contra esse sistema opressor foi Nelson Mandela, que, desde cedo, se uniu a movimentos estudantis e passou a lutar contra esse regime de segregação racial. Embora tenha passado 27 anos na prisão, Mandela tornou-se, quatro anos após ser liberto, o primeiro presidente negro da África do Sul, em 1994.

O apartheid foi extinto, em 1990, graças à intensa pressão popular e atuação de Mandela, que ganhou também o Prêmio Nobel da Paz pela sua trajetória, em 1993.

É dele a frase abaixo, que pregava o amor ao próximo, acima de tudo:

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”.

A Luta de Zumbi

zumbi

O Brasil também tem representantes muito importantes na luta contra o racismo.

Um deles, Zumbi dos Palmares, foi um escravo que lutou a vida toda contra a escravidão, fundando uma comunidade de escravos libertos, o Quilombo dos Palmares, onde os negros viviam livres em um modelo autossustentável.

Em 1964, o Quilombo foi dizimado por forças portuguesas, lideradas pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. Zumbi foi degolado aos 40 anos, em 1695.

O Dia da Consciência Negra no Brasil é em homenagem a ele, que virou um símbolo importante da luta dos negros pela liberdade.

O Acontecimento Rosa Parks

Rosa Parks virou símbolo dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, após um episódio no qual se recusou a ceder lugar no ônibus a um branco.

Nessa época, a cidade onde ela morava, Montgomery, vivia um regime segregacionista, que estipulava que o transporte na cidade fosse segregado por raças. Por isso, negros não podiam sentar nos mesmos locais que brancos, e, às vezes, nem mesmo pegar os mesmos ônibus.

Rosa Parks lutou a vida toda contra a discriminação racial, e chegou a ser presa por esse episódio no transporte público. No entanto, foi solta no dia seguinte, embora tenha sofrido as consequências de sua ação por anos e anos. Ela recebeu, na época, ameaças de morte e teve muita dificuldade de conseguir emprego. Mas entrou para a história como uma das mulheres mais importantes da luta dos negros por igualdade.

A Morte de Martin Luther King

Martin Luther King foi um homem que lutou a vida inteira contra o racismo, adotando, principalmente, princípios pacíficos para combater a desigualdade racial. Foi ministro batista, ativista e ajudou a fundar a Conferência da Liderança Cristã do Sul, em 1957. Também ajudou no boicote aos ônibus de Montgomery, que instituíam sistema de segregação racial nos transportes da cidade, separando negros de brancos. É autor do famoso discurso “I Have a Dream”. Ganhou o Nobel da Paz, em 1964. Luther King foi assassinado em 1968, o que gerou grande mobilização em todo mundo.

Black Lives Matter

Recentemente, a morte de George Floyd levou milhares de pessoas no mundo inteiro a mais uma vez terem que protestar contra o fantasma do racismo, que continua a vagar entre nós. “I cant’ breath”, “No Justice, no peace” foram as frases mais usadas durante estes protestos. A morte de Floyd, como disse sua filha, mudou o mundo. O assassinato filmado do homem negro sufocado pelo policial branco, levantou os ânimos do famoso movimento que teve inicio em 2013 que é o Black Lives Matter.

O BLM vem ganhando cada vez mais destaque com Lewis Hamilton empunhando em sinal de luta, a mensagem de que vidas negras importam. Ele que, negro e vegano, é o campeão dos campeões em um esporte extremamente elitista e branco.

A recente eleição nos Estados Unidos que colocou Kamala Harris no lugar de vice-presidente, sendo a primeira mulher e negra a ocupar este alto posto da politica mundial, também trouxe em 2020 esperanças de que as coisas estão mudando.

Mas ainda falta muito…

A luta continua

Lembramos apenas alguns destes momentos marcantes da história da luta contra o racismo. Infelizmente, não obstante anos de luta, o problema ainda persiste.

No Brasil, um país onde a miscigenação está em nosso DNA, embora sejamos todos negros, índios e europeus, somos racistas. E o nosso racismo é institucionalizado quando nossos maiores representantes políticos ousam dizer que “no Brasil, não existe racismo“.

Como todos sabem, há dois dias, na véspera do feriado nacional do Dia da Consciência Negra, dois homens brancos agrediram à morte um homem negro de 40 anos.

Recordar é viver. Informar é uma forma de combate. Vidas negras importam. Devemos repetir esse mantra…. a exaustão. Racismo nunca mais.

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Sobre Daia Florios

Daia Florios
Ingressou no curso de Ecologia pela UNESP e formou-se em Direito pela UNIMEP. É fundadora e redatora-chefe em GreenMe Brasil.

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