Como não se deixar influenciar por influenciadores


Recentemente, no Brasil, eclodiu um escândalo envolvendo uma empresa de apostas esportivas chamada Blaze e os influenciadores que levavam indivíduos suscetíveis a apostar dinheiro em jogos viciantes, causando ansiedade e, é claro, perdas financeiras. O caso ganhou notoriedade após uma reportagem do Fantástico viralizar, expondo os influenciadores ‘arrependidos’, que alegam desconhecimento ético dos fatos e, enfim, prometendo encerrar contratos com a referida empresa. Mas vamos ao cerne da questão: é possível não se influenciar por influenciadores?

©cottonbro/Pexels

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Influenciador x Influenciável

O fenômeno do influenciador só existe porque há um influenciável. E o problema não é exclusivo do Brasil, infelizmente! Recentemente, na Itália, a influenciadora Chiara Ferragni foi pega envolvida em uma espécie de fraude do panetone. Vendendo um doce natalício com sua imagem, ela prometeu doar parte dos lucros a um hospital que tratava um raro câncer infantil nos ossos. Apesar de milionária, ela ousou ganhar dinheiro às custas de crianças gravemente doentes, impulsionada pelos seus seguidores (influenciados) que correram para adquirir o tal panetone.

Retornando ao Brasil, pode-se pensar que nosso país, carente de educação pública gratuita, é mais propenso a criar influenciadores e influenciáveis. Entretanto, talvez a verdade seja que o mundo inteiro carece de conhecimento e espírito crítico. Sendo assim, somos todos presas fáceis para diversas influências.

Como não se deixar influenciar

É praticamente impossível não ser influenciado pelo outro, em geral, pois nossa constituição psíquica ocorre praticamente na alteridade. No entanto, é possível não se deixar influenciar por pessoas vazias que só exibem dinheiro, status, músculos ou ossos, dependendo do caso.

Podemos nos deixar influenciar por ‘mortos’ de grande importância na história e no pensamento humano como Platão, Sócrates, Aristóteles, Nietzsche, Dostoiévski, Baumann, Freud, Machado de Assis, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Luís de Camões, e a lista continua…

Portanto, se não é possível não se influenciar, que tenhamos boas influências. A arma contra más influências só pode ser o pensamento crítico. Não há outra, e é necessário, sim, dialogar com ‘mortos’ mais vivos do que muitas pessoas vazias, verdadeiros ‘zumbis’ na vida.

Enquanto culpamos os influenciadores por venderem coisas ilícitas, imorais ou que promovem maus hábitos, que tal olharmos para nós mesmos e nos questionarmos por que seguimos pessoas de conteúdo duvidoso?

Assim, fica a dica: que tal fazermos uma ‘limpeza’ nas redes sociais? O novo ano se aproxima com novas influências, novos amores e novas artes.

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Daia Florios

Cursou Ecologia na UNESP, formou-se em Direito pela UNIMEP. Estudante de Psicanálise. Fundadora e redatora-chefe de greenMe.


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