Brasil desce de posição no ranking da proteção animal. O que fazer para mudar isso

Brasil desce de posição no ranking da proteção animal. O que fazer para mudar isso

O Índice de Proteção Animal é um ranking para verificar quais países têm demonstrado melhorias em termos de legislação, política, compromissos e ações, em prol do bem-estar animal.

Veja como estão o Brasil e outros países nesse ranking.

A maior pontuação de classificação do Índice de Proteção Animal é representada pela letra A e a mais baixa pela letra G.

Em 2020, o Brasil foi classificado com a letra D, sendo que em 2014 estava na posição C, ou seja, nosso país vem caindo nessa classificação.

Os indicadores utilizados para a classificação

A pontuação do Índice de Proteção Animal, teve como base os seguintes indicadores:

  • Reconhecimento da senciência animal e proibição do sofrimento animal
  • Presença de legislação de bem-estar animal
  • Estabelecimento de órgãos governamentais de apoio à proteção animal
  • Suporte para padrões internacionais de bem-estar animal, seguindo os padrões da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e as indicações da Declaração Universal de Bem-Estar Animal.

Países bem colocados no ranking

Áustria, Suécia e Reino Unido foram os mais bem colocados no Índice de Proteção Animal, tendo classificação B.

Vale salientar que nenhum dos 50 países avaliados receberam a classificação A, posição mais alta desse ranking. Isso é indicativo que o mundo precisa progredir na questão animal.

Leia mais em:

Causas da queda do Brasil nesta classificação

Apesar de alguns avanços, o Brasil ainda tem muito o que melhorar em relação à proteção animal, principalmente no que diz respeito ao combate à crueldade e às ações de defesa dos animais.

Algumas das causas que confirmam isso e refletem os motivos de o Brasil ter descido sua posição no ranking são:

  • A falta de ações para a proteção dos animais de fazenda e silvestres
  • Necessidade de proibição dos cruéis confinamentos dos animais de criação, como bovinos, suínos, caprinos e galináceos
  • A permissão do comércio de animais silvestres, inclusive as espécies ameaçadas de extinção
  • A deficiência de ações concretas por parte dos órgãos governamentais para promover a defesa, proteção e assistência aos animais de rua.
  • Retrocessos nas regulamentações com aprovação de vaquejada, rodeios e caça de javalis.

Saiba mais:

Recomendações para o Brasil

Com base no Índice de Proteção Animal, a entidade World Animal Protection dá diversas recomendações ao Brasil.

Seguem algumas delas:

  • ampliar o conceito de senciência animal na legislação, reconhecendo que vertebrados, cefalópodes e crustáceos decápodos são sencientes
  • proibir que animais de fazenda sejam confinados nas piores formas, como em estábulos, caixas de parto e gaiolas
  • inibir o comércio de animais exóticos que impacta negativamente a vida dos animais silvestres
  • proibir a criação de animais para comércio de peles
  • implantar uma legislação que proíba a matança de animais de rua
  • criar leis para proibir práticas cruéis que usam animais para entretenimento (circos, vaquejadas, rodeios, entre outros)
  • manter a caça de animais proibida em todo o país.

Abandono animal, um problema que tem crescido no Brasil

Embora o Índice de Proteção Animal não tenha especificado de forma direta soluções para a questão do abandono animal, este é um problema que está inserido dentro dos critérios da avaliação desse ranking.

A olhos vistos é evidente que este problema vem crescendo vertiginosamente, principalmente em decorrência da falta de ações governamentais e públicas, agravadas ainda mais pelos efeitos socioeconômicos decorrentes da pandemia.

Governantes, protetores de animais, cidadãos e representantes da causa animal, precisam se unir para viabilizar ações concretas que combatam, reduzam e evitem o abandono, o desamparo e os maus-tratos aos animais, o que tem aumentado em várias cidades brasileiras.

O que tem contribuído para isso, é a falta de um órgão municipal que torne acessível o atendimento veterinário aos animais de estimação da população pobre, e que também aja dando assistência aos animais de rua ou resgatados por protetores ou cidadãos de cada município.

Uma ideia para que isso fosse concretizado, seria que cada município tivesse sua Secretaria de Defesa Animal, coordenando um Centro de Amparo Animal. Dessa forma, a prefeitura de cada cidade poderia agir de forma efetiva a fim de reduzir o abandono e o sofrimento animal.

Secretaria de Defesa Animal

Com um órgão municipal direcionado à proteção animal, ficaria mais fácil implementar as ações necessárias para dar assistência aos animais de rua e aos pets de pessoas de baixa renda.

A criação de uma Secretaria de Defesa Animal seria uma forma de combater o sofrimento e o abandono. Mas para isso, precisaria funcionar com os seguintes seguimentos ou setores:

  • Centro de Amparo Animal – Com veterinários e funcionários capacitados para coordenar  ações voltadas à assistência aos animais em risco de vida, abandonados ou pets da população carente.
  • Pronto Socorro Animal – Esse órgão teria o objetivo de servir ao pronto atendimento de animais resgatados, de rua e da população carente.
  • SUS animal  – O objetivo desse órgão seria prestar atendimento gratuito fornecendo exames ambulatoriais, fazendo acompanhamento de saúde, realizando vacinação,  tratando de doença e permitindo internações para os animais necessitados.
  • SAMU Animal – Com a finalidade de socorrer e transportar os animais que precisam de atendimento até o Pronto Socorro Animal.
  • Clínica Veterinária Móvel de Castração – Para realizar campanhas de castrações destinadas aos animais da população carente.
  • Feiras de Adoções e Eventos de arrecadação de fundos para ajudar no trabalhos do Centro de Amparo Animal – Estas ações poderiam ser realizadas no próprio espaço do Centro de Amparo Animal ou em outros locais, provenientes de parcerias com este órgão.
  • Campanhas educativas – Para divulgar cuidados, informações sobre a defesa e proteção animal em escolas e sociedades de bairro
  • Vacinação gratuita – Destinada aos animais resgatados pelos protetores e pets da população pobre, que poderia vir a ser realizada tanto no SUS Animal, quanto pela Clínica Veterinária Móvel
  • Criação de Leis Municipais de Defesa e Proteção Animal – Em conjunto a todas essas medidas, seria necessária a criação de leis municipais de combate aos maus-tratos e abandono animal, que garantissem efetivamente a proteção animal em cada município.

Todas essas medidas ficam como propostas para estimular iniciativas daqueles que buscam acabar, ou pelo menos reduzir, o abandono e os maus-tratos aos animais.

Essas iniciativas podem vir a se tornar realidade através de parcerias, entidades, mobilizações, petições direcionadas aos governantes e ações governamentais.

A causa animal precisa da união de todos

O Índice de Proteção Animal demonstra, através dos resultados apresentados, que precisamos trabalhar em conjunto com a participação de:

  • organizações autônomas
  • sociedade civil
  • governo

Precisamos nos unir, cada um dando a sua contribuição, naquilo que é possível fazer a fim de propiciar aos animais uma existência digna.

Uma sociedade somente evolui em justiça e verdadeiro progresso, quando respeita os Direitos dos Animais e se relaciona com eles de forma ética e consciente.

Mesmo que coletivamente ainda não estejamos nesse patamar, existem ações que podem ser feitas por cada um de nós.

Por exemplo:

Outra forma de contribuir para ajudar os animais é compartilhando e divulgando este conteúdo, para levar essas informações a mais e mais pessoas.

Vamos semear essa ideia para que ela caia em solo fértil, e dê bons frutos à causa animal!

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