Musk, Bezos e Gates: os 3 mais ricos da Terra querem combater a crise climática

Musk, Bezos e Gates: os 3 mais ricos da Terra querem combater a crise climática

Os donos do dinheiro e da tecnologia dizem estar empenhados em salvar o mundo da crise climática. Será mesmo que dá para confiar neles?

Elon Musk, fundador da Tesla, Jeff Bezos, fundador da Amazon, e Bill Gates, cofundador da Microsoft, são os principais bilionários do mundo. Além da grana, os que eles têm em comum é o engajamento com a causa climática.

Estima-se que os três juntos acumulam uma fortuna de US $ 466 bilhões, além de deixaram as maiores pegadas de carbono para o planeta. Eles acreditam que o livre mercado e os avanços tecnológicos serão a principal resposta para a emergência climática, que já afeta a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

A questão é: por que os três, tendo tanto dinheiro e influência, falam tanto e fazem tão pouco?

Bezos, por exemplo, dou do seu Bezos Earth Fund US$791 milhões para o clima.  Mas o que são US$791 milhões para quem tem US$ 184 bilhões?

De boas intenções…

Por trás dessas boas intenções alguém acredita mesmo que eles não estejam querendo aumentar as suas fortunas pessoais?

As falas dos bilionários são contraditórias, como divulgou o The Guardian.

Gates, em seu mais recente livro, defende a adoção da carne sintética, mas diz que pensa “mais como um engenheiro do que como um cientista político”, enquanto Musk declarou que os combustíveis fósseis são um “experimento insano”, mas critica o transporte público como um “pé no saco” desconfortável.

Como diz o ditado popular: “De boas intenções o inferno está cheio”.

De olho no combo tecnologia + inovação, os três gigantes do segmento não querem perder o bonde da vez.

Segundo Bill Weihl, diretor executivo da Climate Voice:

“Eles competem entre si, mesmo que apenas inconscientemente. A ideia é investir fundos em um monte de coisas e esperar que alguns realmente tenham sucesso”.

No caso, alguns mesmo, já que quem lucraria com as bem intencionadas visões de futuro de Musk, Gates e Bezos seria a elite financeira mundial da qual eles fazem parte. A ativista da justiça ambiental no Sindicato dos Cientistas, Adrienne Hollis, vê a iniciativa com desconfiança:

“É ótimo que eles tenham novas ideias, mas acho que, antes de mais nada, precisamos garantir que as comunidades afetadas primeiro e as piores sejam resilientes, em vez de se recomporem depois. Se você não está exposto a algo que muitas pessoas mais pobres e negras estão expostas, provavelmente não está pensando muito nisso”.

Como os três bilionários pretendem engajar a sociedade em seus planos?

Seguem as propostas de cada um deles para a sua avaliação.

Elon Musk

Musk está empenhando em construir um novo mundo de baixas emissões, com a sua empresa Tesla, fabricante de veículos elétricos e baterias domésticas. Ele prometeu recentemente US $ 100 milhões ao vencedor do X Prize que consiga capturar carbono, removendo-o da atmosfera e dos oceanos para “trancá-lo” permanentemente.

Segundo cientistas, é improvável que as emissões sejam reduzidas a zero a tempo suficiente sem um esforço de reflorestamento em massa ou de máquinas capazes de sugar os gases diretamente do ar.

Para o engenheiro ambiental da Universidade da Virgínia Andres Clarens, que pesquisa opções de captura de carbono: “Elon Musk é um tecno-otimista”. Sem falar que ele não dá uma saída sobre o que fazer com tanto CO2 capturado.

Bill Gates

Gates tem passado os últimos 20 anos gastando o seu dinheiro no enfrentamento de questões como pobreza, doenças e mudanças climáticas.

Ele tem um fundo de investimento, o Breakthrough Energy, que investe em projetos de alto risco e longo prazo que poderiam contribuir para clima do planeta. Os investidores do fundo é gente acostumada a perder muito dinheiro, como jogadores do Jogo da Vida.

Um projeto investido por eles busca converter a água do mar em partículas microscópicas a serem pulverizadas em nuvens, aumentando a capacidade de refletir mais luz solar de volta ao espaço, reduzindo o aquecimento global. Há também investimentos em novas usinas nucleares e tecnologias “verdes” mais tradicionais, como solar e eólica.

Que Gates é cheio de ideias todo mundo sabe. Mas, talvez, elas não consigam dar certo, sobretudo, por falta de adesão política. Ele é um grande defensor do live mercado, este que tanto vem contribuindo para as crises financeiras do século XXI.

Jeff Bezos

Como dissemos antes, o Bezos Earth Fund acaba de doar US $ 791 milhões a uma série de grupos de conservação e soluções climáticas. Segundo o fundador da Amazon, essa é a primeira distribuição financeira para o combate do que ele chamou de “a maior ameaça para o nosso planeta”.

Ele também estabeleceu uma meta climática para a Amazon: emissões líquidas de CO2 zero até 2040, por meio de uma mudança para energia renovável e a compra de 100 mil veículos elétricos de entrega.

A visão de uma das empresas mais poderosas do mundo sobre a questão climática foi bem recebida pelos defensores do clima e pelo mercado financeiro. Entretanto, há que tenha destacado a falta de detalhamento do ambicioso projeto. Como a Amazon pretende chegar a emissões zero, se alguns dos trabalhadores da empresa estão descontentes com o fato de Bezos se recusar a fechar contratos que fornecem serviços de computação em nuvem para empresas de combustíveis fósseis?

O problema é que toda essa retórica está longe do lobby político. Um relatório recente descobriu que as maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos gastam pouco em lobby político em comparação com as petrolíferas.

“Essas empresas de tecnologia estão deixando as grandes petrolíferas dominarem o debate político. As grandes petrolíferas estão lutando arduamente para enfraquecer e atrasar a política, enquanto a maioria das outras empresas está sentada à margem, em vez de torcer os braços. Eles precisam se inclinar e garantir que os legisladores saibam que essa é uma questão existencial”, analisa Weihl.

Por fim, com tanto dinheiro, há de se investir na própria reputação bem como na de suas empresas e negócios. Vai saber o que é marketing, o que é business, o que é investimento de visionário e o que é boa vontade de ajudar.

Pode ser tudo isso junto, claro! A esperança é a última que morre!

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