desmatamento da Amazônia
desmatamento da Amazônia

Relatório inédito mostra pontos reveladores sobre o desmatamento em cada região do Brasil

Uma reportagem do programa Fantástico da Globo, mostrou um relatório inédito feito pelo MapBiomas Brasil que aponta cada região desmatada no país.

No relatório, o MapBiomas analisou imagens de satélite e constatou que foram destruídos 12 mil quilômetros de floresta, equivalentes a duas vezes o território do Distrito Federal, em 56 mil pontos no país. Do total de alertas, 11% foram registrados em unidades de conservação e 6% em terras indígenas.

As áreas mais atingidas foram Amazônia e o Cerrado, com maior desmatamento nos últimos 10 anos. 

Na Amazônia, a região mais atingida foi em Altamira no Pará, só as terras indígenas da etnia Apyterewa deram 479 alertas de irregularidades. As imagens captadas pelos satélites são assustadoras, quilômetros de mata derrubada, imensos clarões no meio da floresta.

Inclusive Altamira teve a maior área desmatada do Brasil, 4 milhões de árvores foram ao chão sem que nenhuma pessoa fosse presa ou impedida.

O relatório mostrou 5 fatos reveladores

  • O desmatamento atingiu todos os biomas do território brasileiro, dos pampas até a Amazônia;
  • 99% do desmatamento é ilegal, ou seja, aconteceu em locais que não deveriam ocorrer;
  • As queimadas na Amazônia são propositais porque o fogo não é espontâneo em floresta úmida;
  • Desmatamento ocorre em grandes áreas, mas em apenas 1% das propriedades rurais do Brasil, porém, isso afeta as outras 99% restantes;
  • É mito dizer que o desmatamento é feito por gente pobre ou pequenos produtores rurais, custa muito caro desmatar grandes áreas e precisa de equipamentos especializados de alto custo.

Outro levantamento apontado no relatório, é que em 2/3 dos alertas, estão em áreas que têm dono, senão reconhecidos, pelo menos declarado, ou seja, é possível atribuir responsabilidade àquele “responsável” pela área.

MapBiomas

O MapBiomas é um projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo do Brasil, através de sensoriamento remoto, SIG e ciência da computação que utiliza processamento em nuvem e classificadores automatizados desenvolvidos e operados a partir da plataforma Google Earth Engine para gerar uma série histórica de mapas anuais de cobertura e uso da terra do Brasil.

O projeto conta com a parceria de diversas entidades dezenas de entidades, entre universidades, ONGs e empresas de tecnologia que, pela primeira vez, conseguiu analisar todos os alertas de desmatamento gerados satélites de várias fontes de medição de imagens, inclusive o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Inpe, órgão ligado ao governo federal.

A intenção é desenvolver uma metodologia rápida, confiável e de baixo custo para gerar mapas anuais de cobertura e uso do solo do Brasil, facilitando o acesso a informação. O site é bem funcional e disponibiliza as informações, os mapas, por região ou assunto de interesse.

Aumento do desmatamento com a pandemia do coronavírus

Para piorar, pesquisadores constataram a coincidência de dois picos simultâneos: aumento de casos de Covid-19 e de registros de destruição da floresta.

No primeiro quadrimestre deste ano, o aumento foi de 55% em relação ao mesmo período de 2019. Os dados são do sistema Deter-B, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE.

No mês de abril, ocasião da escalada do coronavírus no Brasil, o país registrou um outro aumento nos alertas de desmatamento da Amazônia. O número subiu 63,75% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Sempre a região Amazônica sofrendo com o grande aumento do desmatamento devido a interesses econômicos de mineradores, grileiros e madeireiros, a maioria ilegais.

Outros órgãos

O Ministério Público Federal é outro órgão que contribui com o projeto MapBiomas e pretende utilizar esses dados para intensificar a fiscalização e as ações necessárias para impedir o desmatamento e principalmente, punir os culpados.

Com o Decreto que autorizou a Garantia da Lei e Ordem, GLO, as Forças Armadas assumiram por três meses o controle das ações de fiscalização e combate ao desmatamento e queimadas promovidas pelo Ibama. Para executar o plano, foram disponibilizados pelo governo federal 60 milhões de reais, quase o orçamento total que o Ibama recebe para serem usados durante o ano todo.

Interferência do governo

Segundo a reportagem do Fantástico,

“há indício que o Presidente Jair Bolsonaro interferiu nas investigações e ações em andamento em combate ao desmatamento”.

O programa mostrou uma conversa de mensagem de aplicativo de celular entre o Presidente e o então Ministro da Segurança, Sérgio Moro, na qual o presidente mostra reportagens sobre ações do Ibama e Força Nacional e diz que não vai se omitir. No mesmo dia da troca de mensagens, o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles demitiu o Coordenador Geral de Fiscalização do Ibama Rene Luis de Oliveira e 7 dias depois, o coordenador de operações fiscalização, Hugo Loss.

A reportagem também aponta que o Ministro Ricardo Salles “desmontou o fundo Amazônia e dificulta o trabalho de fiscais” e que as multas ambientais estão praticamente paradas, segundo informação do human Rights Watch, da Onu.

Talvez esses fatos sejam uma das causas para o aumento vertiginoso no desmatamento florestal de todo o país, desde o início de 2019, conforme mostrado no estudo.

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Sobre Juliane Isler

Juliane Isler
Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher

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