desmatamento

24 árvores derrubadas a cada segundo, 99% por desmatamento ilegal

24 árvores derrubadas a cada segundo, 99% por desmatamento ilegal

O órgão responsável pela fiscalização ambiental brasileira, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), tem cada vez mais perdido o seu poder funcional na administração atual do governo federal. Os alertas de satélites sobre o desmatamento nas florestas do Brasil não têm  conseguido chegar à atuação do órgão.

Segundo dados do Projeto MapBiomas, uma rede de especialistas que analisa esses alertas e acompanha o desmatamento, afirma que o desmate no país vem crescendo desde 2018. Segundo divulgado por El Pais, entre metade de 2018 e início de 2021, somente 5% da área desmatada no Brasil recebeu alguma intervenção do Ibama, como multas e embargos.

Desmatamento ilegal

Outro dado revelado pelo projeto é que 99% do desmatamento feito no Brasil desde 2018 é proveniente de atividades ilegais, desrespeitando o Código Florestal. Em 2020, houve um crescimento de 13,6% no desmate de florestas, uma média de 3.795 hectares por dia, ou 24 árvores a cada segundo.

Todos esses dados e informações foram publicados no Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2020, que ainda revela que, em 2020, o desmatamento explodiu no Brasil em relação a 2019 – foram 74.218 registros, o que representa 30% a mais em relação ao ano anterior. Literalmente, a boiada passou e arrasou com tudo ao redor. Segundo o MapBiomas:

“No dia mais crítico, 31 de julho, foram 4.968 hectares, quase 575m2 por segundo”.

Os dados do MapBiomas listam a Amazônia como a principal região atingida pelo desmatamento (cerca de 61% de área), seguida pelo Cerrado, com 31%, Pantanal, 1,7%, e Pampa, 0,1%.

O Pará é o estado líder de desmatamento no país, com 33% do número de alertas e 26,4% de área desmatada. Não é casualidade que se trata do estado onde há maior atuação do Ibama, que cobriu 8% da área desmatada e 1% dos alertas reportados.

Impunidade

O relatório ainda traz uma informação alarmante: em 2019 e 2020, não houve nem um embargo ou autuação do Ibama em nove estados. Para o coordenador-geral da organização, Tasso Azevedo, a explicação para esse cenário é que:

“Na prática, se resume a vontade política. Mas significa que vai acabar o desmatamento se autuar todo mundo? Não, mas temos que diminuir a sensação de impunidade. Para isso, é preciso garantir que o desmatamento seja detectado e reportado e que os responsáveis sejam devidamente penalizados e não consigam aferir benefícios das áreas desmatadas”.

Azevedo acrescenta que os órgãos fiscalizadores têm acesso aos registros dos responsáveis pelo desmatamento, porque os relatórios vêm acompanhados por imagens.

O MapBiomas foi criado em 2018 para facilitar a atuação do Ibama a partir  do processamento de alertas emitidos por cinco sistemas de monitoramento por satélite. Entretanto, a atuação do órgão vem sendo enfraquecida, como recentemente vem mostrando a investigação da Polícia Federal em um processo de exportação ilegal de madeira para os Estados Unidos e a Europa envolvendo, supostamente, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o presidente do Ibama, Eduardo Bim.

Talvez te interesse ler também:

Plástico descartável do delivery é o que mais polui os oceanos, revela pesquisa

Se a Floresta Amazônica ainda está de pé, o mérito é dos povos indígenas

Milhares de animais selvagens comercializados em péssimas condições de higiene na China, antes da pandemia

Gostou? Compartilhe!

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on tumblr
Share on reddit
Share on pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *