Veterinários apoiam uso de canabidiol em animais

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canabidiol em animais

Com a aprovação da Proposition 64 que libera o uso recreativo de maconha na Califórnia, empresas farmacêuticas têm visto uma oportunidade ímpar de ampliar sua área de atuação fabricando medicamentos à base de canabidiol para animais. Embora o assunto ainda seja eivado de tabu, veterinários garantem a eficácia do elemento.

O canabidiol (ou CBD) nada mais é do que um elemento químico encontrado na maior parte da estruturação da Cannabis sativa, a popularmente conhecida maconha. O elemento, embora associado a uma planta tão estigmatizada socialmente, não é psicoativo, gerando apenas efeitos benéficos segundo especialistas.

“Honestamente, as pessoas ficam mais chocadas e surpresas com esse assunto porque nunca ouviram falar de maconha para animais de estimação”, diz Kate Scott, enfermeira na VETCBD, empresa especializada em produtos com canabidiol para animais de estimação na Califórnia. Segundo a empresa, cuidadores de cães e gatos testemunham favoravelmente a respeito do tratamento com óleos e remédios a base de canabidiol para seus animais.

O tema também entra em harmonia com as reivindicações do PETA, organização focada no tratamento ético e direitos dos animais. Em artigo sobre o assunto, o PETA declarou que “os cuidadores humanos têm o direito de falar por seus companheiros animais e explorar tratamentos alternativos para aliviar a dor e o sofrimento”.

Isso deixa claro para quem ainda tinha dúvidas a respeito dos motivos ou necessidades da utilização de canabidiol em animais. Conforme acontecem os avanços científicos e incrementam-se os tratamentos para humanos, os animais também pode ser beneficiados. A ideia não é que o animal faça uso dos efeitos psicoativos (até mesmo porque esses não acontecem com a mera aplicação do canabidiol), mas sim dos efeitos anestésicos, calmantes e anti-inflamatórios do canabidiol.

Para a dra. Tina Wisner do ASPCA (sociedade focada em resgatar animais de abusos ou outras injustiças), o uso do canabidiol em animais é aceito e traz benefícios, mas carece de critérios de qualidade, pois “quando você não tem um órgão regulador, o controle de qualidade se torna um problema”, alega.

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Nestes termos, não parece haver grande controvérsia quanto aos benefícios que o canabidiol pode trazer aos animais. Mesmo que seja uma área sem grandes estudos de análise a longo prazo, muitos especialistas na área demonstram fácil aceitação do uso, assim como a técnica veterinária Liz Hughston, membra da Academia Veterinária Internacional que viu os benefícios do CBD em seu cão. Segundo ela, antes do CBD seu cão era nervoso e apresentava diversos problemas de ansiedade, “ele estava no nível 11 (se considerarmos 10 como máximo) de ansiedade”, diz.

A falta de regulamentação ou legalização em alguns estados, segundo Hughston, não inibe que os donos de cães e gatos procurem por tratamentos com canabidiol de forma alternativa quando o médico não pode prescrever, o que pode gerar problemas, pois é importante que os proprietários e cuidadores “usem produtos mais seguros e eficazes em seus animais de estimação”, complementa.

Este é o grande entrave que as autoridades terão de enfrentar. Enquanto a ciência não tem mais dúvidas a respeito da utilização adequada do canabidiol para tratar os mais variados quadros em seres humanos (recuperação de cirurgias, complemento de quimioterapia, tratamento de dores, stress e etc.), ainda há a problemática da origem do produto enquanto não houver regulamentação.

Trata-se de uma questão que fica mais complicada a cada dia sem regulamentação e controle. Com isso, surgem empresas com interesses particulares comercializando supostos produtos com CBD sem uma análise apurada, podendo até mesmo colocar em risco a vida dos animais que tanto amamos. Além disso, há o problema da ilegalidade e os transtornos sociais.

Neste momento, é importante que se incentivem as pesquisas a respeito dos efeitos do canabidiol a longo prazo antes que seja livremente comercializando, e, talvez ainda mais importante que isso, é importante que a sociedade finalmente evolua e deixe os preconceitos de lado. Canabidiol é parte de uma planta, não uma droga.

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