Pedreiro pedalou 42 km por dia para se formar em Direito

Às vezes a vida nos presenteia com exemplos de superação. São exemplos que existem para nos inspirar, para nos ajudar a seguirmos em frente, a termos fé de que podemos realizar nossos sonhos, não importa o quão difíceis eles possam parecer. Este é o caso de Joaquim Corsino. Um senhor de 63 anos de idade, pedreiro morador da cidade de Cariacica, no Espírito Santo, que acabou de se formar no curso superior de Direito.

A saga de Joaquim Corsino

A jornada de Joaquim Corsino rumo ao objetivo de se formar em Direito não foi fácil. Foram mais de 40 anos de provas e desafios antes que o pedreiro pudesse realizar seu sonho.

Joaquim pedalava, todos os dias, 42 quilômetros para ir e voltar da faculdade de Direito em que estudava. Corsino era obrigado a estudar na capital do estado, Vitória, cuja distância de casa é de 21 quilômetros, mas isso não o desanimou. “Quero ser delegado”, dizia Joaquim, vontade que o fazia ir de bicicleta da sua casa à faculdade, depois de um dia inteiro de trabalho.

A necessidade interrompe os estudos

Quando era mais jovem, Joaquim, mineiro que foi para o Espírito Santo, fez um curso de técnico de Administração com pouco mais de 20 de anos para, em seguida, tentar a faculdade de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

A tentativa não vingou e Joaquim, como quase todos os jovens de sua época, não tinha dinheiro para uma faculdade particular, e precisava interromper os estudos para trabalhar e garantir seu sustento.

Dos livros Joaquim seguiu para o trabalho braçal. Primeiro como ajudante de pedreiro e depois como pedreiro de ofício, profissão que continuou exercendo até o presente.

A vontade de estudar falou mais alto

O desejo do pedreiro de cursar o ensino superior jamais o abandonou. Tanto é que, para cada parede construída por Joaquim, uma parte do dinheiro ia para seu fundo particular. Destinado a garantir a casa própria e os estudos no futuro.

Depois de erguer sua residência, o pedreiro conseguiu juntar 55 mil reais para a faculdade, só que agora o curso em mente não era mais de Ciências Contábeis, ele agora queria cursar Direito. O motivo da mudança? Ajudar o próximo!

“Eu sou um camarada que gosta das coisas honestas. Sempre quis fazer um curso de Direito para ajudar outras pessoas”, diz Joaquim.

O ingresso na faculdade particular de Direito aconteceu no ano de 2008, mas, após quatro períodos concluídos, ele teve de adiar seu objetivo mais uma vez após emprestar 4.500 reais para um amigo que não pagou de volta. “Um amigo pediu R$ 4.500 emprestados e não pagou. Aí eu tive que parar a faculdade para juntar mais dinheiro para poder pagar o curso todo”.

O retorno e a conclusão do curso

Em 2012, Joaquim retorna à faculdade para não parar mais. Sem reclamar, peregrinou com sua bicicleta pelos 42 quilômetros todos os dias, até alcançar sua recompensa na forma de um canudo, o diploma do curso de Direito, entregue no dia 17 de setembro.

Os próximos objetivos de Joaquim?

Passar no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e se tornar delegado. “Quando eu leio a Constituição no artigo quinto, que fala que todos têm direitos iguais, vejo que tem muita coisa boa nela e eu gostaria de contribuir para isso”.

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Fonte e foto: G1