Janeiro é branco: cor da paz e da saúde metal. Conheça essa Campanha

No Brasil, o branco simboliza começar o ano com o pé direito, garantindo uma renovação harmoniosa e pacífica. Para dar continuidade à valorização dessa sensação de bem-estar, o janeiro foi escolhido como o mês da saúde mental, tendo como cor simbólica o branco.

Doenças mentais, um tabu a ser combatido

Saúde mental para muitos é ainda um tabu. Muito preconceito, por isso, ronda o tema, o que faz com que tantos os números sobre pessoas que sofrem com as diversas doenças mentais sejam subnotificados, quanto o tratamento adequado para elas seja insuficiente.

Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em países de baixa renda, os gastos públicos com saúde mental não chegam a 1 dólar per capita, além de o número de profissionais na área ser baixo: dois para cada 100 mil habitantes. Isso demonstra que uma parte considerável de pessoas que precisa de cuidados mentais não os receberá.

Esse cenário é revelado no Atlas de Saúde Mental 2017 da OMS, que defende como forma de enfrentamento clínicas comunitárias para a universalização de atendimento. Do total de 117 países que responderam à publicação, cerca de dois terços informaram que os planos nacionais de seguros de saúde ou reembolso não consideram o tratamento de pacientes com transtornos mentais graves, informa o site da ONU Brasil.

O diretor do Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias da agência da ONU, Shekhar Saxena, justifica a razão dos esforços da OMS para que haja cobertura universal de saúde mental: “garantir que todos, em qualquer lugar, tenham acesso aos cuidados dos quais necessitam, incluindo em relação à saúde mental”.

A OMS vem fazendo tal alerta desde 2000, ano em que houve a primeira avaliação global que mapeou os investimentos em saúde para esse segmento específico nos países. Os dados obtidos têm ajudado a OMS a monitorar as ações e os avanços dos países-membros do Plano de Ação Integral de Saúde Mental 2013-2020.

Janeiro Branco

janeiro branco

A campanha Janeiro Branco visa a sensibilizar a sociedade sobre o problema da saúde mental, sobretudo, por ser, ainda, um tema pouco discutido. Por isso, é fundamental conhecer o conceito de saúde mental de forma ampla, isto é, um estado de equilíbrio que proporciona bem-estar ao indivíduo e a toda a sociedade.

São transtornos mentais depressão, ansiedade, fobias, pânico e etc. Muitas pessoas cuidam do físico e da alimentação e negligenciam o lado emocional de suas vidas ou, simplesmente, desconhecem terem algum tipo de transtorno mental.

O mês de janeiro e a cor branca foram escolhidos para a campanha por representarem um recomeço. Os criadores da campanha aproveitaram esse simbolismo para relacioná-lo à saúde mental e, também, como forma de chamar a atenção para a melancolia de fim de ano, que fragiliza tanta gente.

O janeiro seria uma oportunidade para começar de novo e buscar ajuda profissional para cuidar de si. Já o branco é considerado como uma tela em branco, nova, na qual se pode desenhar uma nova história, informa o site Psicologia para Curiosos.

Metas

A OMS, entidade pertencente à Organização das Nações Unidas (ONU), estabeleceu como meta, no Plano de Saúde Mental 2017, a ampliação da cobertura de serviços de saúde mental para 20% até 2020.

Outras metas são: pelo menos 80% dos países atualizem ou desenvolvam políticas e planos de saúde mental que tenham como princípios instrumentos de direitos humanos internacionais e regionais; cumprimento de leis sobre saúde mental na margem de 50% até 2020; 80% dos países tenham, no mínimo, dois programas nacionais de saúde mental funcionais e multissetoriais, orientados para promoção e prevenção.

“Esta última edição nos fornece mais evidências de que o aumento de recursos para a saúde mental não está acontecendo com rapidez suficiente. Nós sabemos o que funciona. A falta de investimento em saúde mental como uma questão de urgência terá custos de saúde, sociais e econômicos em uma escala que raramente vimos antes”, alerta Saxena.

Direitos humanos

Garantir que pessoas com transtornos mentais tenham acesso a prevenção e tratamento já é um desafio, ainda mais que esses cuidados respeitem as convenções de direitos humanos.

O premiado livro “Holocausto Brasileiro”, da jornalista Daniela Arbex, investiga como durante décadas milhares de pacientes foram internados à força, sem diagnóstico de doença mental, num hospício no interior de Minas Gerais. Nesse local, pessoas foram torturadas, violentadas e mortas sem que ninguém se importasse com os seus destinos.

Eram epilépticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, meninas grávidas pelos patrões, mulheres confinadas pelos maridos, moças que haviam perdido a virgindade antes do casamento, enfim, quaisquer pessoas que fossem consideradas “diferentes” eram confinadas no local.

O mais chocante da reportagem da jornalista é que esse holocausto brasileiro foi provocado pelo próprio Estado e seus agentes – médicos, funcionários – e pela própria população. Essa violação de direitos humanos ocorreu aqui no Brasil há bem pouco tempo, nos anos 1960 e 1970.

Entretanto, essas práticas ainda são comuns: menos da metade dos 139 países onde há políticas e planos de saúde mental está alinhada com as convenções de direitos humanos que defendem a transição do tratamento em instituições psiquiátricas para serviços comunitários, como vem ocorrendo com êxito, por exemplo, no Zimbábue com o Banco da Amizade. Nesse projeto, voluntárias intervêm sobre a vida diária de pessoas com transtornos mentais usando como instrumentos a escuta e a palavra.

Afinal, alguns transtornos mentais, sobretudo os leves, poderiam ser tratados de forma muito mais eficaz se o sofrimento fosse visto com empatia e o tratamento como um cuidado ao outro.

Por isso, a campanha Janeiro Branco é tão importante para que temas como psicologia, psiquiatria, saúde mental sejam tratados com seriedade, sem estereótipos e preconceitos, para que quem sofre receba tratamento e respeito.

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É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.
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