A corrida entre lucro e segurança para encontrar uma vacina contra o coronavírus

A comunidade científica internacional está totalmente mobilizada para encontrar uma vacina que crie uma barreira para o novo coronavírus.

Embora o Sars-CoV-2 tenha surgido de forma devastadora nos últimos quatro meses, os esforços coletivos de cientistas e médicos de todo o mundo estão sendo intensos.

Pressão para a descoberta de vacina

A indústria farmacêutica, naturalmente, tem um interesse real na descoberta de uma vacina de abrangência global e já sinalizou que está trabalhando em uma velocidade galopante para isso, segundo informa uma reportagem do The New York Times.

Entretanto, embora testes estejam sendo feitos, não há garantia de que uma vacina seja realmente eficaz contra o coronavírus e nem quando ela poderá ser comercializada em breve. Alguns especialistas defendem que o caminho mais promissor, no momento, é acelerar a recuperação de pacientes em tratamento. Os resultados iniciais com um novo medicamento antiviral, o remdesivir – já usado no combate ao ebola – têm sido largamente defendidos pela comunidade médica.

Embora a indústria farmacêutica esteja interessada em uma vacina global, os governos querem soluções locais para imunizar as populações. Políticos estão fazendo pressão para que haja uma rápida aprovação regulatória de patentes. Por isso, várias pesquisas estão sendo financiadas por governos nacionais para a descoberta de vacinas “próprias”.

O reitor da Harvard Medical School, George Q. Daley, disse ao NYT que pensar em termos nacionalistas, e não global, seria imprudente, já que

“envolveria desperdiçar as doses iniciais da vacina em um grande número de indivíduos com baixo risco, em vez de abranger tantos indivíduos de alto risco em todo o mundo – como profissionais de saúde e idosos – para impedir a disseminação”.

A diretora do programa de desenvolvimento de vacinas da Fundação Bill e Melinda Gates, Anita Zaidi, coloca o problema sob um outro ângulo:

“Digamos que recebamos uma vacina rapidamente, mas só podemos receber dois milhões de doses no final do próximo ano. E outra vacina, igualmente eficaz, vem três meses depois, mas podemos fazer um bilhão de doses. Quem venceu essa corrida?”

Segurança sanitária

Como equilibrar a conta entre as vidas perdidas e a segurança necessária para colocar uma vacina em circulação? Em média, as pesquisas que desenvolvem vacinas levam de dez a quinze anos. 

Algumas empresas estão prometendo celeridade para colocar vacinas no mercado já no próximo ano. O problema é que os testes que estão sendo feitos podem falhar, gerando milhões de doses inúteis de vacinas. É como ter que escolher entre a cruz ou a espada.

Enquanto o mundo aguarda que uma vacina eficaz possa conter o novo vírus, novos tratamentos têm se mostrado uma alternativa mais realista, como é o caso do uso de remdesivir em pacientes graves.

O medicamento está tendo eficácia na interrupção da progressão da doença, mas não é capaz de reduzir significativamente as taxas de mortalidade.

Pesquisas com medicamentos tendem a ser mais rápidas do que os ensaios de vacinas, visto que estas são aplicadas em milhões de pessoas que ainda não estão doentes, o que exige um alto nível de segurança. Além disso, os resultados obtidos com o uso de medicamentos podem ser vistos mais rapidamente do que os ensaios de vacinas, pois os pesquisadores precisam aguardar quem será o próximo infectado.

O que os especialistas em saúde pública esperam são avanços que tornem a Covid-19 menos letal. E, ao que tudo indica, serão os tratamentos que farão essa diferença. É o que espera Luciana Borio, ex-diretora de preparação médica e biodefesa para o Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos:

“Se você pode proteger as pessoas vulneráveis ​​e tratar as pessoas que sofrem com a doença de maneira eficaz, acho que isso mudará a trajetória dessa pandemia”.

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Sobre Gisella Meneguelli

Gisella Meneguelli
É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.

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