Covid-19: com + de 50 mil mortos nos EUA, Trump sugere injeção de desinfetante. Brasil pode estar ainda pior

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugere injetar detergente como remédio, Brasil apresenta curva mais acentuada da doença do que nos EUA, Itália e Espanha.

Em entrevista coletiva na Casa Branca ontem, 23, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sem qualquer embasamento técnico, médico ou científico e contrariando normas sanitárias, sugeriu que injeções de desinfetante poderiam servir de tratamento para a Covid-19:

“E aí eu vejo o desinfetante, que derruba [o coronavírus] em um minuto. Um minuto! E tem um jeito de a gente fazer algo, uma injeção dentro ou quase uma limpeza? Porque, veja bem, ele entra nos pulmões e faz um trabalho tremendo nos pulmões, então seria interessante checar isso. Então, será preciso ver com os médicos, mas soa interessante para mim”.

O presidente dos EUA também mencionou a possibilidade de tratar a Covid-19 com radiação ultravioleta, novamente sem qualquer base científica.

“Talvez seja possível, talvez não seja. Eu não sou médico. Mas eu sou, tipo, uma pessoa que tem um bom você sabe o quê”, afirmou Trump.

Tão logo a entrevista coletiva foi divulgada, especialistas e autoridades médicas reagiram fortemente com muito espanto e indignação e recriminaram a fala do Presidente.

Stephen Hahn, funcionária da FDA (agência de vigilância sanitária americana), disse

“Eu certamente não recomendaria a ingestão interna de desinfetante”.

A fala do presidente ocorreu logo após um funcionário do Departamento de Segurança Interna, William Bryan, conselheiro de ciência e tecnologia do titular da pasta comentar sobre um estudo no qual a luz do sol e uma temperatura muito alta aceleram a morte do vírus tanto no ar quanto em superfícies.

Mais de 50 mil mortos: EUA vêm batendo todos os recordes

Os casos de Covid-19 aumentam segundo a segundo e não é possível apresentar um número fixo. Até a manhã de hoje, 24, os dados mundiais mostravam mais de dois milhões e setecentas mil pessoas infectadas e mais de 193 mil mortos.

Nos EUA, atualmente o epicentro da doença, ultrapassando países como a China, Itália, Espanha, Irã e Reino Unido, somou mais de 890 mil infectados e 50 mil mortos, mais precisamente 50.451 pessoas falecidas vítimas da Covid-19.

Em 24 horas, os EUA computaram 3.176 mortes, batendo o recorde mundial em número diário de mortes.

Aliás, os EUA vêm batendo todos os recordes mundiais. Números assustadores e eles podem ser bem piores e elevados, porque é sabido que não existem testes para todos, nem todo o infectado é testado porque existem aqueles que possuem sintomas leves ou assintomáticos.

Apesar disso, nos EUA, vários estados como Texas, Vermont e Geórgia, decidiram flexibilizar as regras do isolamento, autorizando o funcionamento de alguns estabelecimentos comerciais.

Mas Brasil pode estar ainda pior

Por que comparar os Estados Unidos com o Brasil em termos de pandemia do coronavírus? Primeiramente pelas similaridades territoriais e populacionais de ambos os países, e segundo porque o vírus chegou um poucos antes do Brasil nos EUA, dando pra gente, querendo, tirar algumas lições sobre o avanço da epidemia lá, para evitarmos que o mesmo cenário catastrófico ocorra por aqui.

No Brasil, a situação é alarmante e os números mostram que a curva vem crescendo muito rápido.

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que a cada cinco dias o número de mortes causadas pelo novo coronavírus dobra e esse crescimento supera os EUA (seis dias) e Itália e Espanha (oito dias), países onde os óbitos pela Covid-19 são maiores.

A Fiocruz mantém na internet um site com os dados mais recentes sobre o coronavírus, MonitoraCovid-19, trata-se de um sistema que reúne números da pandemia do novo coronavírus e a velocidade de disseminação da doença.

O epidemiologista Diego Xavier, pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict), da Fiocruz, disse que

“Os dados de óbitos são mais confiáveis do que os dados de casos para medir o avanço da epidemia. Isso porque, no caso do óbito, mesmo o diagnóstico que não foi feito durante a evolução clínica do paciente pode ser investigado”.

O mesmo estudo mostra que a Covid-19 avança rapidamente para as cidades do interior do Brasil, sendo que todos os municípios com mais de 500 mil habitantes já possuem casos da doença, enquanto 59,6% daqueles com populações entre 50 mil e 100 mil possuem registros.

A primeira morte no Brasil ocorreu em 17 de março, 30 dias depois chegávamos a mil mortes, passados sete dias, duas mil e seis dias depois passamos das três mil mortes.

Um crescimento assustador, até a manhã de hoje, 24, o Brasil apresentava 50.329 casos de infectados e 3.345 mortos e tivemos um aumento de mais de mil mortos passados apenas 6 dias.

Segundo dados do centro de contingenciamento da crise da Covid-19 em São Paulo, no estado, o número de contaminados avança vertiginosamente e cresceu 21 vezes no interior e litoral.

A prefeitura de São Paulo informou que vai aumentar o número da capacidade de sepultamento em 400 por dia, elevando em 1/3 a capacidade diária, além de abrir 13 mil valas em cemitérios administrados pelo município.

O prefeito Bruno Covas anunciou nessa quinta-feira, 23, que contratou 8 câmaras refrigeradas para armazenar até mil cadáveres e o acréscimo de 36 novos carros funerários, mais que dobrando a frota atual de 32 veículos.

Mas essas são ações de resposta aos mortos.

O centro de contingenciamento da crise do coronavírus de São Paulo informa que se o isolamento social fosse atendido em 100% precisariam de 2 mil leitos de hospital, se chegar até 50% elevaria em 9 vezes mais.

Estamos numa curva crescente e perigosa.

Para evitar o contágio a única forma continua sendo a prevenção, na falta de vacinas e remédios.

Por isso, para quem pode ficar em casa, trabalhar em casa, a melhor solução é o isolamento social e higiene pessoal e utensílios.

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