Austrália, seguindo os EUA, pede investigação independente sobre a origem e disseminação do coronavírus

A Austrália buscou apoio de outros países para uma investigação internacional independente sobre as origens e a disseminação do novo coronavírus. O país pretende contar com apoio inclusive da Organização Mundial de Saúde.

Segundo a agência Reuters, parlamentares australianos também questionaram a transparência de Pequim sobre a pandemia.

O primeiro-ministro australiano Scott Morrison disse no Twitter que ele teve “uma discussão muito construtiva” com Trump sobre as respostas dos dois países à Covid-19 e a necessidade de colocar as economias em funcionamento.

Na semana passada, os EUA anunciaram que estavam realizando uma investigação sobre a origem do coronavírus, sustentando a teoria de que o vírus teria se originado em um laboratório chinês, situado em Wuhan, e liberado acidentalmente ao público.

O governo norte-americano criticou incisivamente a China e anunciou que retirou o financiamento da OMS por não concordar com a forma como a agencia da ONU lidou com a pandemia, afirmando que houve proteção ao governo chinês.

O primeiro-ministro australiano também escreveu no Twitter que

“conversou com a OMS e estão trabalhando juntos para melhorar a transparência e a eficácia das respostas internacionais às pandemias”.

Scott Morrison ainda disse que conversou com a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Emmanuel Macron, por telefone, sobre o papel da OMS na pandemia do coronavírus.

França e a Grã-Bretanha manifestaram-se apontando que esse momento é de união para conter a pandemia e combater a doença, e os esforços devem ser concentrados nesse sentido.

Emanuel Macron disse que

“concorda que houve alguns problemas no início, mas que a urgência é a coesão, que não é hora de falar sobre isso, ao mesmo tempo em que reafirma a necessidade de transparência para todos os participantes, não apenas para a OMS”.

Um porta-voz do primeiro-ministro Boris Johnson disse que por enquanto, os ministros estão concentrados em combater a pandemia e ao final, todos irão avaliar as lições que poderão ser aprendidas com a crise.

Em Berlim, o governo confirmou que Merkel havia conversado com Morrison. Na sexta-feira, 17, seu porta-voz disse:

“O coronavírus apareceu pela primeira vez na China. A China sofreu muito com o vírus e fez muito para lutar contra a disseminação”.

Resposta rápida?

Já o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que as ações da agência são sempre avaliadas para, ao final das emergências, se extrair os erros e acertos para continuar melhorando a atuação do órgão.

A OMS informou aos Estados Membros do surto do coronavírus em 5 de janeiro e alertou publicamente uma semana depois que havia transmissão “limitada” de homem para homem. As autoridades da OMS chegaram a Wuhan em 20 de janeiro, depois que o vírus já havia se espalhado para outros países, declarando emergência global em 30 de janeiro.

A Austrália pretende analisar se a OMS deve ter poderes, semelhantes aos inspetores internacionais de armas, para entrar em um país para investigar um surto sem ter que esperar pelo consentimento.

Jeremy Farrar, especialista em epidemias de doenças infecciosas e diretor do fundo de saúde global Wellcome Trust, defendeu a atuação da OMS e disse que a agência deu uma resposta rápida à emergência da pandemia de Covid-19. Mas a Organização Mundial de saúde declarou a pandemia somente no dia 11 de março.

Jeremy ainda questiona a atuação dos governos de cada país no enfrentamento à crise:

“Os governos nacionais responderam da maneira correta e seguiram os conselhos da OMS? Não, eles não responderam. E terá que haver investigações sobre tudo isso.”

Em Canberra, a embaixada da China rebateu com fortes críticas, acusando o governo australiano de ser porta-voz de Trump e reiterou em comunicado oficial que

“certos políticos australianos estão ansiosos para imitar o que os americanos afirmaram e simplesmente os seguem na encenação de ataques políticos à China”.

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