ONU Mulheres Brasil contra a violência sexista

Violência contra qualquer pessoa é crime. Violência contra mulheres é crime. Violência sexista é crime. Não entendo como nem porquê, na disputa política, é permitido, ou pessoas se dão ao direito de exercerem violência, sexista, contra uma figura pública. Esta, para mim, é uma atitude vergonhosa de quem já perdeu todo e qualquer argumento, toda e qualquer ética. Enfim, é violência pura para humilhar, denegrir, matar o outro. Aqui quero falar da violência sexista exercida por alguns e divulgada pela mídia, contra a Presidenta da República brasileira, Dilma Roussef e da manifestação explicita, contra, por parte da ONU Mulheres Brasil que, em nota divulgada no passado dia 24, condenou veementemente o fato.

O Brasil deveria ter orgulho de ter eleito a sua primeira presidenta. Sim, no português brasileiro, presidenta é sim o feminino de presidente, apesar da reclamação de tantos. Está consagrado, faz parte dos nossos dicionários. Enfim, isso faz parte do nosso orgulho, claro. Mas, mesmo assim, o machismo brasileiro é de uma falta de educação aberrante, vergonhosa, e de uma violência que nada fica a dever aos mais atrasados culturalmente. E não só homens exercem, aos gritos, essa violência sexista, aterradora. Também mulheres o fazem, o que é mais ainda horrível já que não se conseguem ver em outra pessoa de seu mesmo gênero. Claro, eu sei que isso é produto de toda uma cultura de ódio, que interessa ao sistema capitalista para que sempre haja algum bode expiatório fácil de ser sacrificado. Mas, não estou de acordo.

"Nenhuma discordância política ou protesto pode abrir margem e/ou justificar a banalização da violência de gênero", diz o comunicado, assinado pela representante da entidade, Nadine Gasman.

Aliás, nada pode justificar a banalização de qualquer tipo de violência, acrescento eu. A paz entre os seres é uma necessidade da vida do planeta.

Mas, não deixe de ler a nota da ONU Mulheres Brasil, na íntegra:

"A ONU Mulheres observa com preocupação o contexto político brasileiro e apela publicamente à salvaguarda do Estado Democrático e de Direito.

Aos poderes da República, a ONU Mulheres conclama a preservação da legalidade, como condição máxima das garantias estabelecidas na Constituição Federal de 1988 e nos tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário.

À sociedade brasileira, a ONU Mulheres pede serenidade nas manifestações e não-violência frente aos debates públicos necessários para a condução democrática dos rumos políticos do país. O debate saudável entre opiniões divergentes deve ser parte intrínseca da prática cidadã em uma democracia.

Nos últimos 30 anos, a democracia e a estabilidade política no Brasil tornaram reais direitos humanos, individuais e coletivos. São, sobretudo, base para políticas públicas – entre elas as de eliminação das desigualdades de gênero e raça – determinantes para a construção de uma sociedade inclusiva e equitativa.

Como defensora dos direitos de mulheres e meninas no mundo, a ONU Mulheres condena todas as formas de violência contra as mulheres, inclusive a violência política de ordem sexista contra a Presidenta da República, Dilma Rousseff. Nenhuma discordância política ou protesto pode abrir margem e/ou justificar a banalização da violência de gênero – prática patriarcal e misógina que invalida a dignidade humana.

Que o legado da democracia brasileira, considerado referência no mundo e especialmente na América Latina e Caribe, seja guia para as soluções da crise política.

Nadine Gasman
Representante da ONU Mulheres Brasil"

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