Desmatamento pode afetar e muito a economia: Europa quer boicotar produtos brasileiros

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Além de afetar o meio ambiente, o aumento do desmatamento no Brasil pode afetar a economia de forma desastrosa.

A Europa está pronta para preparar uma ação ambiental para boicotar os produtos brasileiros.

A ideia dos ambientalistas é responsabilizar os importadores europeus por danos às florestas e suas relações comerciais, podendo afetar diretamente a compra de produtos agrícolas brasileiros.

O INPE e outros órgãos de medição por imagens de satélite, como o MapBiomas, divulgaram relatório informando sobre o maior aumento em dez anos no desmatamento em todo o território brasileiro, com afetação maior da Amazônia e Cerrado.

O ministro do Meio Ambiente, durante reunião ministerial, sugeriu aproveitar a “tranquilidade” da pandemia para “passar boiada” no meio ambiente.

Esses assuntos estão na pauta de todos os jornais europeus e levantou uma preocupação que não é de hoje.

Ambientalistas europeus veem como um “sinal de alerta” a “política ecológica desastrosa” do governo do Presidente Jair Bolsonaro.

Sempre que há algum dado, notícia ou fato que afeta o meio ambiente, a Europa, grande consumidora de nossos produtos, é a primeira a se manifestar exigindo o cumprimento das normas legais de proteção ambiental.

Além de ambientalistas, parlamentares e autoridades europeias, os consumidores desses países também são muito exigentes.

Eles não querem

Tem trabalho escravo envolvido? Destruiu a floresta? Produz aquecimento global? É terra invadida? Afetou a fauna e a flora? Tem agrotóxico? Se a resposta for sim, eles não querem.

Os produtores agrícolas europeus também fazem apelos junto aos consumidores, para que eles não comprem produtos de origem ou feitos com matéria-prima brasileira.

Sob pressão de seus governos, as empresas europeias também podem criar novas restrições para a compra de produtos brasileiros, como a exigência de certificações.

O principal risco para o Brasil, na atual situação, é que as empresas europeias passem a dificultar a entrada de produtos brasileiros em seus territórios, principalmente as commodities, no caso da soja, por exemplo.

Há mais de 2,6 milhões de hectares de plantações de soja — uma área quase do tamanho de Alagoas — em terras não registradas na Amazônia e no Cerrado, cujo destino principal é China e a União Europeia.

Os dados são de um relatório lançado pela Trase, uma iniciativa para a transparência nas cadeias de produção, em parceria com a ONG Imaflora.

Segundo o relatório da Trase, somando-se essa pesquisa aos dados de satélite referentes ao desmatamento coletados pelo Inpe, contata-se forte correlação entre o número de fazendas de soja não registradas e o desmatamento. Quase todo o desmatamento recente ligado à expansão de soja aconteceu no Cerrado e na Amazônia.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz Pereira, atribuiu a intensidade da repercussão no exterior a uma disputa comercial:

“A questão é que países como a França estão aproveitando a oportunidade para tentar nos atingir, porque eles sabem que não conseguem competir com nossos produtores. Lá, o setor só se sustenta com subsídios. Nós preservamos de 20% a 30% das nossas propriedades, conforme prevê o Código Florestal. Quanto às queimadas, os números estão dentro da média. Não há motivos para alarme.”

Há alguns meses, uma rede de supermercados sueca Paradiset propôs o boicote a produtos brasileiros em função da liberação do uso de agrotóxicos na agricultura.

Barreiras no comércio mundial

Está crescendo uma nova dimensão de barreiras no comércio mundial, chamadas de não tarifárias e com viés protecionista. Seria uma forma de criar barreira não tarifária e incluir na agenda questões ambientais principalmente com a visibilidade da Amazônia, usada com grande repercussão na mídia e redes sociais.

Os acordos comerciais seguem as normas da Organização Mundial do Comércio, OMC, e é preciso debater medidas restritivas.  Eventuais boicotes ao comércio dos produtos brasileiros poderiam ser questionados na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas não seria surpresa se os países apoiassem as restrições, mesmo que não publicamente.

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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