Desmatamento zero já: novas árvores não sequestram carbono como se pensava e não se comparam às florestas maduras, diz estudo

Desmatamento zero já: novas árvores não sequestram carbono como se pensava e não se comparam às florestas maduras, diz estudo

Não há mesmo tempo a perder. No ponto em que estamos, ações mais que necessárias para mitigar a crise ambiental já podem ter seus efeitos reduzidos precisamente por causa das mudanças climáticas. É o que revela uma pesquisa sobre o desenvolvimento de florestas secundárias, conduzida numa área de desmatamento antigo, na região amazônica

Há 20 anos, a cidade de Bragança, no nordeste do Pará, vem sendo monitorada por equipes de pesquisadores que, nesse período, acompanharam o ciclo das árvores plantadas em uma área originalmente de floresta, que foi completamente desmatada há mais de dois séculos, em um processo de colonização antigo.

Os pesquisadores acompanharam o nascimento, crescimento e morte das árvores, coletando informações como a riqueza da flora, período de chuvas e a capacidade da nova floresta de sequestrar carbono da atmosfera. Depois de duas décadas de monitoramento, eles descobriram que, contrariando as previsões anteriores, a contribuição das novas árvores no combate às mudanças climáticas não é tão grande quanto se pensava, e muito menor do que a das florestas maduras. Mais que isso: tidas como uma das soluções possíveis para mitigar as mudanças climáticas, o desenvolvimento das novas árvores vem sendo afetado, precisamente, pelas mudanças climáticas.

Como explica uma reportagem da BBC Brasil, o estudo levou em conta especificamente a área nas proximidades de Bragantina, que apresenta características particulares, com um histórico antigo de degradação do solo. No entanto, o que acontece ali serve de alerta para demais regiões, uma vez que lança luz quanto aos obstáculos que o meio ambiente encontra e o tempo que pode levar para se regenerar, sobretudo quando não há áreas preservadas de floresta por perto.

“Em paisagens fragmentadas e desprovidas de florestas primárias e com solo degradado, como na região Bragantina, a recuperação é muito mais lenta do que se imaginava“, disse à BBC o biólogo Fernando Elias, especialista em ecologia […] “Essa região foi a primeira região de colonização da Amazônia. O solo já está em uma situação pobre em nutrientes, as propriedades se perderam, e o solo passou por vários ciclos de uso. A regeneração nessas áreas acontece de forma devagar.”

Elias é um dos membros da equipe que conduziu o estudo, da qual fazem parte pesquisadores do Brasil e do Reino Unido, responsáveis por dar continuidade à pesquisa pioneira de Socorro Ferreira, que começou a monitorar a região em 1999.

É a própria Socorro quem afirma: as florestas secundárias levam de 70 a 100 anos para se parecerem com uma floresta primária.

Tal descoberta não só joga um balde de água fria em uma das maiores apostas para conter a crise ambiental, como indica também que as mudanças climáticas provocam ciclos de devastação que inibem as próprias alternativas de mitigação.

Tudo isso só confirma o que cientistas e ativistas do clima há tempos alardeiam aos quatro ventos: é preciso conter os desmatamentos para ontem. O que falta para acordarmos?

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