E o óleo do Nordeste? 6 meses depois continua lá, como um enigma e sem culpados

Dizem que no Brasil tudo acaba em pizza. Parece que essa máxima, ao menos, vale para o caso do vazamento de óleo no litoral brasileiro.

Seis meses após as primeiras manchas de óleo aparecerem em praias do Nordeste, a identificação da causa do problema é, ainda, um enigma. De acordo com cientistas consultados pelo UOL, a origem do vazamento está muito longe de ser descoberta – e, talvez, jamais será.

Histórico

O óleo que tomou conta da costa brasileira se tornou o maior desastre ambiental litorâneo do Brasil. As primeiras manchas, que apareceram em duas praias da Paraíba em agosto passado, a princípio foram tratadas como um caso isolado. Entretanto, o produto foi se espalhando até atingir 1.009 praias em 11 estados.

Apesar do efeito devastador, os especialistas envolvidos na investigação afirmam que já é tarde demais para saber quem causou o acidente.

 “A etapa que a gente está não é mais de saber de onde veio, quem é o causador. Isso já se perdeu, teria dado certo se tivesse acontecido e a gente chegasse perto da fonte. Acho que agora é só avaliar os impactos”, afirma o professor Rivelino Martins Cavalcante, do Instituto de Ciências do Mar da UFC (Universidade Federal do Ceará).

Como a fonte do vazamento de óleo estancou, já não é mais possível recuperá-la após tanto tempo.  Todas as imagens de satélite disponíveis já foram analisadas, sem sucesso na identificação da causa do acidente.

Nesta terça-feira (3), será realizada uma audiência pública da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara que, desde novembro, está investigando o desastre. Estarão presentes representantes do Instituto Nacional de Pesquisas (INPE) e do Ibama.

Danos ambientais

Enquanto isso, os danos ambientais à fauna e flora marinhas foram e são incalculáveis. A pesquisadora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Célia Rocha, explica que, embora o óleo não seja mais visto nas praias, no fundo do mar há, ainda, fragmentos encontrados em recifes de coral e bancos de algas.

“É o que a gente chama de teia, de rede alimentar. Consequentemente, isso vai chegar às populações que se alimentam de zooplâncton, como peixes e outros animais; e na meiofauna marinha, como crustáceos, moluscos etc. A médio e a longo prazo, a gente ainda vai ter consequências desse óleo”, lamenta a oceanógrafa.

Seis meses após o acidente, ainda não é possível avaliar o dano real que ele causou e causará ao meio ambiente.

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É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.
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