Veneno na mesa em plena quarentena: agrotóxicos são liberados durante a pandemia

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Não é novidade para ninguém o compromisso assumido pelo governo de Jair Bolsonaro com o agronegócio. Na prática, isso significa, entre outras medidas, a liberação de agrotóxicos no país.

De acordo com uma reportagem feita pela Agência Pública e a ONG Repórter Brasil para investigar o uso de agrotóxicos no Brasil, divulgada pela Conexão Planeta, desde a chegada da pandemia de Covid-19 no país, foram registrados mais de 20 agrotóxicos e protocolados cerca de 67 pedidos de registro de produtos.

Desde março, foi publicado no Diário Oficial da União o registro de 118 novos produtos, dos quais 84 são destinados para agricultores e 34 para a indústria. Referente a esse mesmo período, deram entrada no Ministério da Agricultura mais de 216 solicitações de registro de pesticidas por empresas produtoras, as quais estão sob a avaliação da pasta.

Atividade essencial durante a pandemia

Em relação aos meses de março e abril de 2019, o número de aprovações de registro aumentou este ano, sendo que o ano passado bateu o recorde histórico de liberação de agrotóxicos no país. Até abril de 2020, foram registrados 128 novos produtos no mercado.

A Medida Provisória 926 e o Decreto 10.282, ambos de 20 de março deste ano, regulamentam que a cadeia produtiva de defensivos agrícolas é uma atividade essencial durante a pandemia e, por isso, não pode ser interrompida.

Isso gerou uma reação da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida:

“Em meio à pandemia de coronavírus, confusão generalizada no governo federal, caos na saúde pública e colapso econômico, o Ministério da Agricultura segue a marcha do veneno”.

Muitos desses agrotóxicos que estão sendo autorizados no Brasil já foram banidos da União Europeia. Um dos produtos cujas novas versões foram aprovadas este ano é o Fipronil, conhecido por ser um exterminador de abelhas. Em 2019, ele foi o responsável por dizimar mais de 500 milhões delas. Na França, a substância foi proibida em 2004 após 40% das abelhas dos apiários franceses terem morrido.

Outro produto bastante polêmico que acaba de receber a chancela do governo brasileiro é o inseticida Clorpirifós, que está deixando de ser usado em outros países por causa de estudos que demonstram que ele provoca má formação cerebral em bebês. 

A lista de agrotóxicos liberados no Brasil que produzem efeitos danosos ao meio ambiente e à saúde humana é extensa. Se eles causam tanto mal, por que estão, afinal, sendo liberados? A resposta é simples: muitas empresas estão lucrando com o enorme mercado da agricultura brasileira.

A empresa chinesa Adama foi a principal beneficiária dos processos regulatórios. A China é o país que mais apresenta crescimento no setor de defensivos agrícolas no mundo. A maior parte dos registros de agrotóxicos no Brasil foi concedida a empresas estrangeiras; já o mercado nacional ficou com a fatia de 40% das permissões.

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É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.
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