AgroAtóxico: alunas de 15 anos criam composto orgânico capaz de substituir agrotóxicos

Uma feira científica da Universidade de São Paulo (USP) revela o talento de estudantes de 15 anos que desenvolveram um projeto para uma produção agrícola sustentável.

Um projeto de estudantes paranaenses do ensino médio foi premiado na 18ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia 2020 (Febrace) por ter desenvolvido um composto orgânico capaz de substituir agrotóxicos.

As alunas Sarah Bernard Guttman e Luiza Fontes Bonardi, participantes do projeto AgroAtóxico desde que estavam no 9º ano do ensino fundamental, contam que:

“Nossa motivação veio de um cartaz alertando para o fato do Brasil ser o país que mais consome agrotóxicos no mundo – como forma de combater insetos, pragas e doenças e garantir a produtividade na plantação. Na hora, veio a ideia de fazer algo para mudar isso”.

As estudantes também se preocuparam com a saúde dos agricultores, que ficam diretamente expostos aos agrotóxicos.

A orientadora do projeto, a professora Suellyn Homan, explica que ele passou por diversas etapas, como pesquisas com plantas medicinais que cumprem a função de proteger uma plantação de um agrotóxico:

“Para nossa surpresa, nos testes iniciais, o produto foi tão bom que estimulou o crescimento das plantas. Mas decidimos mudar a formulação, pois utilizamos própolis, um ingrediente que acabava encarecendo o produto”.

Produção orgânica em larga escala

O AgroAtóxico é capaz de ser utilizado em hortas caseiras, pequenas e médias propriedades, mas ele precisa ainda ser testado em larga escala.

As pesquisadoras alertam para a real necessidade de ser feita a transição agrícola para a produção orgânica.

“Estudos já mostraram que, se não fizermos uma mudança na produção de orgânicos, é provável que todos os biomas, em especial a Cerrado, o mais explorado por conta da soja e do pasto, serão extintos em seis anos”, adverte Sarah.

Embora haja preconceito e críticas sobre a produção orgânica em larga escala, como se ela fosse inviável de ser praticada em grandes propriedades, é urgente que práticas de abastecimento sustentável recebam o devido investimento de políticas governamentais.

O projeto das estudantes não apenas mostra a viabilidade de uma produção orgânica alimentar em larga escala como a importância de se investir em ciência.

Parabéns às jovens pesquisadoras!

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É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.
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