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Pariri: planta de excelente ação medicinal. Como usar de diversas formas

Pariri: planta de excelente ação medicinal. Como usar de diversas formas

Pariri, crajiru, carajiru, cajuru, crejeru, carajunu, chica, china, cipó-cruz, coá-pitanga, coá-piranga cuíca, guajuru, guajuru-piranga, guarajuru, oajuru, oajuru-piranga, paripari e crejer. Estes são alguns  dos nomes populares dados à Arrabidaea chica B. Verlot, planta da família Bignoniaceae.

São plantas encontradas nas regiões tropicais e subtropicais, nas Américas Central e do Sul e, no Brasil, principalmente da região amazônica até o Rio Grande do Sul, não possuindo um habitat único, porém, é mais conhecida nas regiões norte e nordeste do país, porque muito utilizada pelos indígenas, inclusive como corante natural vermelho, além de seu grande potencial medicinal, com ação anti-inflamatória e cicatrizante.

Características da planta

O pariri é uma planta trepadeira, arbustiva de aproximadamente 2,5 m de altura.

Suas flores são róseas ou violaceas dispostas em cachos e seu fruto é uma cápsula linear, contendo sementes em forma de ovoides.

A planta pode apresentar folhas maiores ou menores, mais ou menos pontiagudas, com grande variação morfológica.

Propriedades medicinais

O pariri ou crajiru, integra a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (Renisus), que é constituída por plantas nativas ou exóticas adaptadas, amplamente utilizadas pela população brasileira e que apresentam evidências para indicação na atenção básica de saúde.

O pariri é utilizado principalmente em forma de infusão das folhas ou chá e também na forma de folhas maceradas, em forma de emplasto.

Na medicina popular vem sendo utilizada como

  • anti-inflamatória
  • cicatrizante
  • antianêmico
  • e até auxiliar no tratamento de câncer.

De acordo com uma pesquisa liderada pela professora de biologia Fernanda Aires Guedes, da Escola Estadual Manoel Antônio de Souza, intitulado “Comprovação do potencial medicinal da planta pariri (Arrabidae chica) e suas aplicações químicas em produtos fitoterápicos”, restou evidenciado que a planta auxilia no tratamento de câncer,

“quando alguém faz quimioterapia ou radioterapia, sofre uma queda de hemácias, ao tomar o chá de pariri, aumenta-se a hemoglobina no sangue.”

Em sua composição química, o gênero Arrabidaea é conhecido como fonte de flavonóides (antioxidantes), particularmente antocianidinas e especificamente o pariri, caracteriza-se pela ocorrência de 3-desoxiantocianidinas, além de outros fenólicos, antraquinonas, esteróides, triterpenos e saponinas.

A presença de flavanoides explica a ampla gama de ações terapêuticas atribuídas a esta espécie reportando suas atividades farmacológicas, tais como anti-inflamatória, antimicrobiana, anti-hipertensiva e analgésica.

Usos medicinais

Segundo publicação da Fiocruz, as folhas do pariri são usadas na forma de infusão empregadas no:

  • tratamento de cólica intestinal
  • diarréia com sangramento
  • anemia
  • inflamação uterina
  • e de feridas cutâneas como cicatrizante.

Na medicina tradicional são usadas também no tratamento de enfermidades da pele como:

Segundo relatos, “algumas tribos indígenas faziam uso do infuso das folhas no tratamento da conjuntivite aguda e sob a forma de cataplasma contra o ataque de insetos”.

Na região amazônica, o pariri é utilizado como ação anti-inflamatória, adstringente e na desinfecção das partes íntimas da mulher.

Já no estado do Maranhão, vem sendo utilizada, principalmente, no controle da pressão arterial e para dissolver cálculos renais.

Segundo pesquisadores do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Unicamp,  o pariri demonstrou ação para auxiliar a cicatrização de lesões da pela e da mucosa. Mas não se trata de colocar mais um cicatrizante no mercado, segundo a pesquisadorora  Mary Ann Foglio,

“o produto tem um poder cicatrizante muito bom que poderá atender àqueles pacientes que desenvolvem ulcerações em consequência de diabetes ou ainda pacientes imunodeprimidos.”

Segundo os pesquisadores da Unicamp, o pariri aumentou a produção de fibroblastos que agem na cicatrização dos ferimentos, e a pesquisa alcançou resultado de cicatrização in vivo reduzindo de 80% a 70% a área cutânea ulcerada, após 10 dias de tratamento.

No portal da Embrapa, consta informação de que

“as folhas possuem propriedades antiinflamatórias, particularmente nas infecções de origem uterinas. O chá das folhas combate males do fígado, estômago e intestino, servindo para diarréias, leucemia, lavagem de feridas e atua também nos casos de anemias. Algumas tribos fazem uma infusão das folhas, que é utilizada no tratamento de conjuntivite aguda. Para o ataque de insetos, utilizam uma pasta na forma de cataplasma.”

Segundo os estudos apontados, as folhas do pariri apresentam extrato etanólico com significativa eficácia antimicrobiana, sugerindo eficácia na prevenção de surgimento de doenças bacterianas tais como a

Sua ação estimula ainda a produção de urina o que combate doenças urinárias tais como:

  • cistite
  • insuficiência renal
  • e cálculos renais.

Como se vê, muitos estudos e a própria sabedoria popular, atribuem muitas propriedades medicinais ao pariri, além das já mencionadas atividades anti-inflamatória e cicatrizante, várias outras ações terapêuticas como anti-hipertensiva, hepatoprotetora e antiparasitária, também são atribuídas à planta.

Trata-se, assim, de uma espécie com grande potencial farmacológico, com vários estudos, artigos científicos, dissertações e teses relacionados às suas propriedades terapêuticas, sendo uma planta que deve, para além de sua preservação, ser também conhecida e amplamente utilizada.

Outros usos

Além das propriedades medicinais, o pariri vem sendo utilizado por pequenas indústrias de cosméticos da região norte do Brasil, devido à sua ação adstringente, sendo que o extrato das folhas integra a fórmula de xampus e sabonetes.

Devido à sua ação cicatrizante e anti-inflamatória, seu extrato também é indicado no tratamento da acne em forma de sabonetes ou cremes.

Além disso, as folhas de pariri são ricas em pigmentos de coloração vermelho-escuro a vermelho-tijolo e já foi bastante empregada no tingimento de fibras artesanais, enfeites, utensílios e vestuários, também utilizado em blush, brilho labial, batons e sombras.

Os povos indígenas há muito utilizam desse pigmento para fazer pintura corporal.

Como usar o pariri

Segundo relatos de populares, para preparar uma infusão, que é quando as folhas não fervem junto com a água, elas são colocadas depois, deve-se cortar as folhas em pequenos pedaços para que as propriedades da erva sejam absorvidas em sua totalidade pela água.

Como fazer a infusão

Para uma xícara: adicionar 250ml de água fervente sobre 1 colher de chá de folhas de pariri.

Para 1 litro: adicionar 1 litro de água fervente sobre 1 colher de sopa de folhas de pariri.

Tampe e deixe em infusão (repouso) até esfriar (cerca de 5 minutos).

Para extrair o máximo das propriedades, aconselha-se produzir um extrato da erva, para isso basta deixar a infusão em repouso por 12 horas e depois de coar consumir no máximo em até 24 horas sem o acréscimo de açúcar.

O chá deve ser consumido ingerindo 250 ml três vezes ao dia.

Para uso externo

No uso externo, em feridas da pele, as folhas devem ser amassadas e trituradas com um pouco de água e aplicada no local 3 vezes ao dia deixando agir por aproximadamente 30 minutos.

A pomada é feita macerando quatro folhas em meio copo de agua sendo utilizada em casos de inflamações uterinas, diarreias e hemorragias.

Para fazer corante natural

Já para fazer corante ou tintura, esse pigmento pode ser obtido pela fervura das folhas ou por fermentação. As folhas maceradas em água, cozidas ou cruas produzem uma tintura vermelha escura que servem para tingir a pele e outros produtos.

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Fonte foto: UFRGS

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