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O que é greenwashing e como não ser enganado por isso

O ano de 2020 foi um divisor de águas para as empresas. Elas precisaram se reinventar em um mundo que “parou” de funcionar.
Seja por razões econômicas, seja por uma revisão dos hábitos de consumo, as pessoas alteraram algumas rotinas, o que provocou um alerta nas empresas em relação ao tema da sustentabilidade.
Entretanto, sabemos que há muito marketing para abafar o descompromisso real com práticas sustentáveis.

Uma prática ecologicamente INcorreta

Essa atitude antiética e antiecológica tem nome: greenwashing, que significa, em tradução livre, “maquiagem verde”. O conceito foi desenvolvido para identificar a imagem pública de fabricação ecologicamente sustentável pela organização TerraChoice Environmental Marketing, em 2010.

De acordo com um relatório produzido pela entidade, cerca de 95% dos produtos de uso doméstico presentes nos mercados estadunidense e canadense se apresentavam como sustentável, ecologicamente correto, vegano, cruelty free, mas, na verdade, praticavam greenwashing.

É fundamental que essa onda provocada pela pandemia faça com que o conceito de desenvolvimento sustentável seja não apenas discutido como implementado pelas empresas, sejam elas grandes, sejam elas pequenas.

A responsabilidade socioambiental precisa ser seguida, mas há muitas marcas que não a praticam aproveitando-se do atual momento.

Como não ser enganado

A responsabilidade socioambiental por parte das empresas tem atendido ao aumento do interesse dos consumidores pelas questões ambientais, que incluem diversos aspectos, como: bem-estar animal, ingredientes não poluentes, não exploração de trabalhadores, embalagens reutilizáveis, etc.

Muitas empresas apelam para uma falsa publicidade fazendo uso de uma comunicação “ecologicamente correta” para atrair consumidores, os quais, por outro lado, precisam ter a responsabilidade de buscar informação sobre aquilo que adquirem.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec)  analisou cerca de 500 embalagens de produtos de higiene, limpeza e utilidade doméstica no intuito de verificar a prática do greenwashing. Várias empresas foram notificadas para esclarecer sobre práticas enganosas e foi sugerido a elas adequar suas embalagens.

Para ajudar o consumidor, o Idec elaborou um guia alertando sobre como não se deixar enganar pelas práticas de greenwashing.

  1. Ausência de certificados – Faltam provas e dados: o rótulo do produto não comprova, por exemplo, que ele é vegano ou orgânico, já que não apresenta estudos nem certificados.
  2. Troca oculta: ocorre quando a empresa faz uma falsa compensação ambiental, como por exemplo o produto não utilizar plástico, mas que para ser feito usa um volume enorme de água.
  3. Imprecisão: usar, por exemplo, termos como “sustentável”, “vegano” e “cruelty free”, sem explicar ao consumidor como essas práticas são adotadas pela empresa.
  4. Irrelevância: a informação pode ser verdadeira, mas do ponto de vista ambiental não faz qualquer diferença.
  5. Menor de dois males: uma empresa cujo produto tem menos plástico na sua composição, mas não busca resolver o problema do lixo.
  6. Mentira descarada: informações absolutamente falsas, como a empresa afirmar que pratica o descarte seletivo quando não o faz.
  7. Falsos certificados: embalagens que usam a cor verde para mostrar um certo engajamento “green” apelando para certificados duvidosos ou que não têm comprovação científica.

Informe-se

Não tem outra forma de fugir do greenwashing se não for através da informação. É preciso, sim, ler os rótulos, pesquisar a biografia das empresas e cobrar mudanças de atitude.

Uma coisa muito frequente de acontecer é uma grande marca ter uma linha de produtos verdadeiramente green. Mas de que adianta ela ter uma pequena parte de sua produção sustentável se em sua maior produção não houver engajamento ambiental? Isso significaria que a empresa apenas está se dando ao trabalho de não perder a pequena fatia do mercado a que ela pode servir.

Uma empresa que ofereça produto green deve ser green desde a sua concepção. Investigue a empresa e descarte-a se ela for suspeita. Por exemplo, o que significa uma marca que vende produtos feitos com carne ter uma linha vegana. Tem sentido?

Talvez a palavra que deva ser usada na sua busca para não ser enganado é COERÊNCIA!

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Sobre Gisella Meneguelli

Gisella Meneguelli
É doutora em Estudos de Linguagem, já foi professora de português e espanhol, adora ler e escrever, interessa-se pela temática ambiental e, por isso, escreve para o GreenMe desde 2015.

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