PsiCoronavírus: americanos atravessam fronteira para comprar papel higiênico no México

Com todas as paredes derrubadas, não há mais arame farpado: o coronavírus é assustador, e agora os norte-americanos estão atravessando as fronteiras do México para comprar não só papel higiênico, mas também água, arroz e feijão. É isso mesmo, o México do qual muitos queriam manter distância, agora parece valer ouro.

É verdade que o sentimento desconhecido e surreal de um amanhã absolutamente incerto assusta. Isso se aplica a todos e agora os cidadãos dos EUA estão ensinando a si mesmos uma lição: diante de uma emergência de saúde, não há mais um muro divisor.

Vários moradores do estado da Califórnia estão de fato atravessando a fronteira do México para comprar água, papel higiênico e também alimentos como arroz e legumes. A rede de supermercados Costco, em Tijuana, é uma das estruturas mais populares atualmente.

Os funcionários da fábrica disseram que cerca de 600 pessoas já estavam alinhadas para entrar uma hora antes da abertura na terça-feira passada.

De acordo com relatos da mídia local, um grande número de clientes norte-americanos procurou itens que já estão em falta nos Estados Unidos, devido à emergência causada pelo coronavírus.

No entanto, as escolas fecham em todos os lugares, o bloqueio é coisa de todo mundo, a corrida para os supermercados não tem cores ou olha para raças e idades. Essa corrida dos norte-americanos aos supermercados mexicanos é um paradoxo totalmente moderno.

A psicologia do papel higiênico

De acordo com informações do BBC News Brasil, em outros lugares como Reino Unido, por exemplo, as pessoas correram para os supermercados e esvaziaram as prateleiras. Dentre os itens mais comprados, o papel higiênico foi um deles.

Mas por que essa obsessão pelo papel higiênico? O autor do livro The Psychology of Pandemics, Steven Taylor, explica que a relação do público com o papel higiênico se dá pelo fato das pessoas ficarem sensíveis às infecções e o papel higiênico representa um item de segurança.

Segundo Taylor, o papel higiênico é visto como algo que evita coisas nojentas:

“O papel higiênico virou um símbolo de segurança, embora não vá impedir que as pessoas sejam infectadas pelo vírus. Mas quando as pessoas ficam sensíveis a infecções, aumenta a sensibilidade delas para o que é nojento. É um mecanismo para nos proteger de patógenos”.

Além disso, as pessoas estão sendo motivadas a fazer esse tipo de compra exagerada, por causa das imagens vistas nas redes sociais. A pandemia de Coronavírus, na opinião de Taylor, é chamada de “infodemia”, pois as imagens de corredores e prateleiras vazias viralizam nas redes e as pessoas imaginam que ficarão sem suprimentos básicos.

O grande problema é que as pessoas só fazem o que as outras estão fazendo, assim como lavar as mãos corretamente. Essa é uma das recomendações para evitar o Coronavírus, mas as pessoas só lavam as mãos demoradamente quando vêem alguém fazendo. Do contrário, elas esquecem. É o tal do “efeito manada“, dizem os especialistas.

Estocar ou não estocar, eis a questão

Segundo os especialistas, não é hora para pensar apenas em si próprio e acabar com os produtos das prateleiras, principalmente com o álcool gel e o papel higiênico. O mais correto e útil a se fazer, é uma lista com os itens necessários de acordo com um período de pelo menos 40 dias, mas não exagerar nas quantidades, pois o Coronavírus vai embora e o estoque de álcool gel ficará.

O ideal nesse momento é ajudar aqueles não podem sair para fazer suas compras, pois precisam ficar em isolamento. Ou mesmo aqueles que não tem condições de comprar os itens básicos de saúde e higiene.

Geplaatst door Brasil de Fato op Dinsdag 17 maart 2020

Temos que lembrar que não é sobre nós, é sobre todo mundo”, finaliza Taylor.

Sobre os Estados Unidos e o México, ficou claro o bordão: “O mundo dá voltas”, não é mesmo? Mas, e se fosse o contrário? Já sabemos a resposta…

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Sobre Eliane A Oliveira

Eliane A Oliveira
Formada em Administração de Empresas e apaixonada pela arte de escrever, criou o blog Metamorfose Ambulante e escreve para GreenMe desde 2018.

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