Tantra yoga: origens, práticas, teoria

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Muitas tradições orientais são ressignificadas quando chegam ao ocidente. Às vezes, as deturpações são tantas que se afastam da origem da tradição. É o que ocorreu com o Tantra.

O que é Tantra?

Em sânscrito, Tantra significa urdidura, a trama do tecido, a trama de uma tapeçaria que se estende. Em sua origem, o Tantra nada tem a ver com sexualidade ou sexo. Representa a ideia de que todas as coisas do universo estão conectadas, entrelaçadas, unidas entre si, através de uma espécie de fio invisível que forma essa união íntima de todas as coisas.

Aquilo que une tudo, que está dentro de tudo, é o Poder divino (Shakti). Esse Poder está dentro de cada um de nós e, também, está fora de nós. Porém, nosso modo comum de ver o universo e de vermos a nós mesmos não permite que enxerguemos essa perfeição de tudo. O Tantra, como prática, leva a uma transformação da pessoa, permitindo-lhe ver além das aparências e perceber a realidade divina em tudo.

Tudo aquilo que existe pode ser utilizado como um veículo para entrar em contato com a Divindade, nada é errado ou impuro. Desde que tenha desenvolvido a atitude espiritual correta, o praticante do Tantra pode vivenciar a perfeição em tudo.

“Não existe nada que não se possa fazer e nada que não se possa comer. Não há nada que não se possa pensar ou falar, seja agradável ou desagradável. O Eu supremo existe dentro dele assim como nos outros seres. Assim considerando, o Yogi deve se aproximar da comida e da bebida e das outras coisas.”

No ocidente, o Tantra acabou sendo atrelado ao sexo. O Tantra indiano usa práticas de natureza sexual, mas elas são um dos seus múltiplos aspectos. Fazer sexo e ter prazer não são nem o objetivo, nem o principal instrumento do Tantra.

Para a tradição indiana, o sexo não é algo impuro: os objetivos humanos listados nos textos clássicos indicam que as pessoas podem buscar a libertação espiritual (moksha), a ação correta no mundo (dharma), riquezas (artha) e prazer (kama). O Kama Sutra, por exemplo, é um manual que fala sobre as formas de obter prazer, mas não é um texto tântrico. No Tantra, o sexo é como um dos muitos modos de obter desenvolvimento espiritual através daquilo que nos atrai.

O ponto central do Tantra não é o sexo, mas a obtenção de uma transformação de nosso modo de ver a realidade através de práticas que podem utilizar aquilo que desperta em nós emoções e sensações muito fortes. Através dessas práticas, o modo comum de funcionamento de nossa mente é ultrapassado e surgem vivências espirituais completamente diferentes. Desse modo, de forma gradativa, vão sendo abertos canais de comunicação com a realidade divina, para se estabelecer um contato constante com esse estado de consciência.

Filosofia e prática do Tantra

Dentro do Tantra há diversas linhas ou correntes de pensamento e de prática. Pode-se dizer que os dois maiores grupos de pensamento tântrico são o Shivaísta (no qual Shiva é considerado a principal divindade) e o Shakta (no qual Shakti, a Grande Deusa, é considerada a principal divindade). A fusão íntima entre Shakti e Shiva é representada pela união sexual entre eles, ou por uma figura com os dois sexos, um lado masculino e outro feminino.

Pelo ponto de vista prático, o Tantra desenvolve uma série de atividades que induz a estados alterados de consciência, transformam o praticante e o levam a uma percepção diferente da realidade. Para essas vivências serem integradas à vida, é preciso o estudo teórico.

Muitos recursos usados em diferentes linhas da Yoga, como posturas, práticas de respiração meditação, são empregados pelo Tantra. A recitação de mantras também é importante, assim como o uso de imagens de devas e especialmente da Shakti, o uso de diagramas para meditação, purificação do corpo e rituais especiais utilizando mantras e gestos com as mãos, geralmente feitos dentro de círculos especiais (mandalas). O culto e a adoração da Grande Deusa são também essenciais no Tantra.

O Tantra é uma linha de trabalho mais radical, destinada a mudar toda a consciência do praticante. Por isso, não se deve iniciar práticas tântricas a menos que a pessoa queira deixar para trás seus valores, suas crenças e sua vida antiga, iniciando uma nova. Ele exige uma morte do ego, para levar a uma transformação espiritual completa.

O Tantra se desenhou no tempo como uma filosofia hindu, dentre tantas outras. Por isso, esteja alerta aos serviços que oferecem técnicas maravilhosas de desbloqueio da energia sexual como uma prática tântrica. O Tantra, como teoria e prática, está muito longe de soluções rápidas e miraculosas.

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Fonte:  terra e shri-yoga-devi