Nem cartomante, nem bola de cristal. O futuro pode ser revelado nos sonhos, diz a ciência

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Quem não gostaria de prever o futuro? Quantos de nós já nos rendemos às previsões de astrólogos, tarólogos, cartomantes na tentativa de ter uma pista sobre o que pode acontecer em nossas vidas?

Na história grega "Édipo Rei", de Sófocles, o rei de Tebas, Laio, foi alertado pelo Oráculo de Delfos que seu próprio filho, Édipo, iria matá-lo e se casaria com a própria mãe, Jocasta. Em busca de sua identidade, Édipo parte para Delfos ao encontro do Oráculo. Uma vez que a profecia se realiza, Édipo se condena furando os próprios olhos. Uma das mensagens de Édipo Rei é que o poder pode fazer mal. E o poder de prever o destino também. Será que conhecendo o nosso destino poderíamos dar outro rumo para as nossas vidas? 

O que diz a neurociência

O neurocientista Sidarta Ribeiro, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), resolveu ser sujeito da sua própria experiência: anotou as lembranças de seus sonhos no intuito de compreendê-las. A pesquisa resultou no livro “O oráculo da noite — A história e a ciência do sonho”.

Como contou O Globo, o objetivo do estudo era entender o percurso da mente humana na evolução da espécie. Com uma extensa bibliografia, Ribeiro mostra como, desde a Antiguidade clássica, o registro de sonhos premonitórios traça a história de vários povos.

A partir das anotações em seu diário dos sonhos, o pesquisador explica que:

"O desejo é o motor do sonho porque é a ativação das vias dopaminérgicas de recompensa e punição durante o sono REM (fase em que os sonhos mais vívidos acontecem) que dá direção ao sonho. Isto é, as imagens oníricas são concatenadas de acordo com o desejo e o seu contrário, o medo, criando de imagens independentes uma história que pode ser depois narrada e portanto re-representada para outras pessoas”.

As populações ameríndias, por exemplo, usavam os sonhos como ferramentas para o diagnóstico de problemas e, em consequência, para a solução deles.

Ribeiro analisa seus sonhos como um “fiapo de memória”. Ele contou a O Globo que, após muitos anos, ele voltava às suas anotações e passava a entender que os seus sonhos eram interpretantes daquele momento, mesmo que ele não pudesse na ocasião dar-se conta disso.

Anote aí:

A dica do estudioso é anotar as lembranças dos sonhos diariamente, de manhã cedo, porque, quando estamos no sono REM, não conseguimos fixar memória. É justamente ao acordar que resta, ainda, um vestígio da memória do sonho. Agarrando-se a ele, é possível desenrolar o fio da memória, que vai voltando aos poucos.

Tipos de sonhos

Existem tipos distintos de sonhos. Um deles é o supersonho ou sonho lúcido. Ribeiro explica que esse tipo de sonho caracteriza-se por um controle do enredo, como se fôssemos diretor, roteirista e ator do nosso próprio sonho. Já os sonhos comuns são aqueles em que não conseguimos alcançar os seus objetivos, como um simulacro da própria vida.

Um dos estudiosos dos sonhos foi o psicanalista Sigmund Freud, que publicou o livro “Interpretação dos Sonhos”, uma obra inovadora que trata dos processos inconscientes, pré-conscientes e conscientes envolvidos nos sonhos, incluindo sonhar, recordar e relatar o sonho. O livro argumenta um novo modelo do inconsciente e desenvolve um método para conseguir acessá-lo, tomando elementos de suas experiências prévias com a técnica da hipnose.

Ribeiro sai em defesa da proposta freudiana, que abarca que o sonho é um reflexo da vigília, algo já demonstrado em experimentos feitos com eletrodos e ressonância em ratos e passarinhos.

“A ideia de que existem repressão inconsciente e supressão consciente de memória foi provada em dois artigos na revista 'Science' por grupos muito bons, que citam Freud na primeira linha. Como pode ser que algum pesquisador dessa área diga que essa contribuição de cem anos atrás não é fértil para a ciência?", indaga o pesquisador.

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