Doença extremamente complexa: o que se sabe e o que ainda é dúvida sobre a Covid-19

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Especialistas, pesquisadores, profissionais da saúde e cientistas do mundo todo estão lutando contra o tempo para descobrir o máximo de informações sobre a Covid-19 e sobre o novo coronavírus.

Em relação à doença, a Covid-19, seus sintomas, efeitos e consequências, o que já foi descoberto? E o que ainda continua sem resposta?

Falta de padrão

O que surpreende é justamente o fato de que o vírus se comporta de uma forma diferente para cada pessoa, tornando a doença multissistêmica.

Não existe um padrão muito evidente, inclusive entre os assintomáticos.

Uma pesquisa feita por telefone com cerca de 294 pacientes que foram hospitalizados na Itália, mostrou que a fadiga foi o primeiro sintoma revelado (68%), seguido de alteração de olfato (64%,4) e tosse (60,4%).

O Centro de Controle e Prevenção em Doenças dos EUA registrou como principais sintomas: falta de ar, tosse, febre, arrepios e dor muscular.

Já aqui no Brasil, segundo o Boletim Epidemiológico de São Paulo, os sintomas mais relatados entre os pacientes hospitalizados foram: tosse (83,8%), febre (82,1%) e dispneia, termo médico para dificuldade em respirar, (73,2%) dos casos. Desconforto respiratório foi sentido por 59,7% dos pacientes.

É possível perceber que os sintomas podem ser diferentes e também ocorrerem com frequências e intensidades variadas, não existindo um padrão a ser interpretado em todas as pessoas.

Tanto que existem pessoas assintomáticas e pessoas gravemente afetadas, com risco de vida e morte, o que demonstra que a doença é altamente complexa e de difícil diagnóstico e tratamento.

Mais do que uma Síndrome Respiratória Grave

Por ser um vírus da família da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Severa) e Mers (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), ambos causadores de síndrome respiratórias graves, imaginava-se que o coronavírus afetasse apenas o sistema respiratório.

Mas logo no início, os médicos perceberam que afetava outros órgãos, com evidências crescentes, como rins, coração, fígado, cérebro e sistema nervoso.

Embora pneumonia, falta de ar e inflamação das vias respiratórias sejam um dos sintomas mais comuns, a Covid-19 mostrou, em casos graves, que outros órgãos podem ser afetados e muitos desses problemas estão ligados ao sangue.

Inflamação no sangue x trombose

Notou-se que devido à inflamação, o sangue dos infectados pelo coronavírus fica mais espesso e pegajoso, o que torna suscetível a formação de coágulos.

Houve casos de pacientes graves que apresentam inflamação sistêmica, formação ou aumento de coágulos e alterações em vários órgãos.

Há relatos de infartos, embolias pulmonares e Acidentes Vasculares relacionados à Covid-19 e estudos estão sendo realizados por médicos sobre essas consequências que foram verificadas em diversos países, inclusive no Brasil.

Beverly Hunt, especialista em trombose que trabalha em uma UTI em Londres, em entrevista à BBC, disse que

“tivemos pacientes muito, muito doentes, cuja massa corporal está passando por profundas mudanças”.

Os coágulos também dificultam o acesso de sangue a outros órgãos, como rins, fígado, baço e pâncreas.

Tempestade de citocinas

Evidências científicas sugerem que infecções graves por Covid-19 podem estar relacionadas à Síndrome de Tempestade de Citocinas. 

Uma tempestade de citocina ou cascata de citocina ou tempestade inflamatória, é uma reação imune potencialmente fatal de retroalimentação entre citocinas e glóbulos brancos. Os primeiros sintomas de uma tempestade de citocina são febre alta, inchaço e vermelhidão, náusea e fadiga extrema. Em alguns casos a reação imune pode ser fatal.

Isso poderia explicar por que algumas pessoas têm uma reação grave aos coronavírus, enquanto outras experimentam apenas sintomas leves.

Cérebro

Além dos Acidentes Vasculares Cerebrais já relatados, outra consequência cerebral da Covid-19, é a inflamação.

Segundo Hugh Montgomery, médico intensivista do Whittington Hospital, no norte de Londres, a inflamação do cérebro pode se apresentar de várias formas:

“desde ilusões e confusão, até convulsões e o que chamamos de encefalite difusa”.

Novamente, a falta de oxigênio e vasos sanguíneos danificados, devido à inflamação sanguínea provocada pelo coronavírus, são evidências das causas do quadro clínico apontado acima.

Incógnitas

Tendo visto o que se sabe até agora sobre a Covid-19 e o novo coronavírus, muitas perguntas ainda ainda restam sem respostas. Veja quais

  • O vírus pode gerar outros problemas ao organismo a longo prazo?
  • Por que para a maioria das pessoas infectadas com o novo coronavírus, os sintomas são moderados ou simplesmente não aparecem e, nos casos graves, a Covid-19 se apresenta como uma doença extremamente complexa?
  • Por que entre as crianças, embora haja vítimas fatais em todos os países, também restou verificado que na maioria dos casos, elas apresentam sintomas leves ou ficam assintomáticas?
  • A condição genética pode influenciar a maior vulnerabilidade de algumas pessoas para desenvolver ou não os sintomas da Covid-19?
  • Quanto tempo o vírus atua no corpo da pessoa?
  • Conseguimos produzir anticorpos mas por quanto tempo eles permanecem no corpo? Eles são capazes de eliminar o coronavírus em caso de reinfecção?
  • A Covid-19 deixa sequelas? Quais e quanto?

Médicos italianos advertem para a possibilidade de sequelas permanentes nos pulmões mas ainda são muitas perguntas para poucas respostas. E infelizmente, para algumas delas, só o tempo poderá responder.

De qualquer forma, em todas as situações e sob todos os aspectos, é imprescindível considerar os fatores clínicos de cada pessoa e sua condição física, a fim de individualizar os sintomas e conseguir verificar se a gravidade e evolução da doença mantém também relação com isso.

A única certeza que temos é que muitas outras dúvidas surgirão, mas com muito trabalho, dedicação e pesquisa, será possível encontrar uma resposta segura para todas essas perguntas.

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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