Os efeitos psicológicos da pandemia estão aí. Procure ajuda profissional e gratuita. Veja como

A pandemia do coronavírus mudou o que entendíamos como vida normal e o estado de medo, alerta, luto e tristeza virou um sentimento coletivo.

Aliado a isso ainda temos que enfrentar mudanças radicais de comportamento social, isolamento, quarentena, home office, distanciamento, uso de equipamentos de proteção, medidas de segurança e prevenção.

Shows, eventos esportivos, novelas, pré-estreias foram canceladas ou proibidas e até a Disney está fechada. Sinais de novos tempos?

Muitos comparam a pandemia do coronavírus como uma situação de guerra e o inimigo é invisível e mortal.

Por isso é necessário informação, prevenção e fortalecimento físico e mental para enfrentar os efeitos dessa guerra.

Incertezas no ar

No momento, as incertezas em relação à doença, transmissão e cura, as incertezas sobre os rumos da economia, trabalho e saúde, provocam uma sensação de medo e desespero nas pessoas que pode evoluir para angustia, depressão e outras doenças de trato psicológico.

Já há dados de bases científicas que os profissionais de saúde são os primeiros afetados psicologicamente com os efeitos da Covid-19, principalmente pelo estresse do atendimento hospitalar, falta de recursos e contato com as vítimas e falecidos.

Depois, tem aquelas pessoas que já sofrem com algum tipo de transtorno psicológico que tem o nível elevado ou agravado por conta da pandemia e suas consequências práticas.

E tem aqueles que, mesmo sem um problema psicológico pré-existente, que mantiveram ou não contato direto com a doença, podem desenvolver algum transtorno mental.

Experiência histórica

Em 2002/2003 quando houve um surto de SARS (um tipo de coronavírus) que causou cerca de 800 mortes pelo mundo, uma pesquisa mostrou que 42% das pessoas que foram contaminadas, mas sobrevieram, desenvolveram algum tipo de afetação psicológica, como transtorno de estresse pós-traumático e depressão.

Tão logo o surto do coronavírus iniciou, o governo chinês inaugurou uma linha direta para que os cidadãos pudessem ligar para requerer ajuda psicológica emergencial.

Um estudo com 1.257 médicos e enfermeiros na China durante o pico de coronavírus no país descobriu que metade relatou depressão, 45% de ansiedade e 34% de insônia.

No Brasil foi diferente, e os órgãos e profissionais especializados já se preocupam com a saúde mental das pessoas.

Desde 2018, o Conselho Federal de Medicina liberou atendimento de forma online, mas estavam restritas a 20 sessões. Com a pandemia, o CFM liberou tantos quantos atendimentos forem necessários, sem limites.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) também inclui a realização de psicoterapia online desde 2018, com a exigência de que o profissional faça um cadastro na plataforma e-Psi, para facilitar a fiscalização do órgão.

Com a pandemia, o CFP permitiu a realização do atendimento, mesmo por aqueles profissionais que ainda não fizeram o cadastro na plataforma, tudo para garantir maior acesso do serviço à população.

Precisando de suporte emocional

ansiedade 2

A urgência e necessidade são tantas, que entidades e profissionais da área da saúde formaram grupos de ajuda gratuitos até para atender a população.

A psicóloga e diretora do Centro de Psicologia Positiva e Mindfulness do Paraná Sheila Drumond resolveu ajudar e colocou seus serviços à disposição, de forma online e gratuita para todas as pessoas que estão precisando de suporte emocional para lidar com essa pandemia, via Whatsapp, Skype ou qualquer outro aplicativo que seja criptografado.

Os agendamentos devem ser feitos pelo número (41) 99957-7837.

Atualmente já são 20 profissionais voluntários.

Outro exemplo da preocupação com a saúde mental dos brasileiros, é a criação de sites especializados para atendimento online, como é o caso do Psicologiaviva, que disponibiliza psicólogos e terapia online, principalmente preocupados com os sintomas que estão afetando as pessoas por causa do coronavírus.

O Centro de Valorização à Vida informou que atende cerca de oito mil pessoas por mês e depois da pandemia, cerca de 50% desses atendimentos, já estão ligados à Covid-19.

Em entrevista à BBC Brasil, o psicanalista Cristhian Dunker, afirmou que

“Se você não está confuso nesse momento, procure um psicanalista porque você tem um problema, e ele não é o coronavírus”.

Os que os psicólogos defendem é que em tempos de pandemia, como em tempos de guerra, é bom, normal e saudável que as pessoas sintam medo.

É o instinto de sobrevivência, estamos diante de um perigo e o medo é necessário e genuíno.

Outra necessidade é de esperar. Não sabemos quando a cura vai chegar, quando o isolamento vai terminar, quando poderemos voltar à vida “normal”, se é que isso vai acontecer.

E o que acontece é que muitas pessoas deixam o medo dominar de tal forma que ele se transforma em desespero (des + espero), não esperar como deveria, e isso pode gerar angústia e afetação psicológica.

Percepção do medo

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O medo deve ser dimensionado. Tem os medos reais, medo do contato com o vírus, de locais e pessoas contaminadas, de aglomerações, de contato físico.

Há medos, porém, que não podem ser dimensionados, as incertezas do que que está por vir, como ficará a situação econômica do país e do mundo, a perda do emprego, de um familiar.

Mas mesmo diante dessas situações, é preciso que haja uma percepção do medo, identificação dos motivos para então verificar os fatores possíveis de resolução, ou seja, lidar com os medos e não se desesperar.

Suportar e sobreviver, são as palavras que podem definir a atual situação da pandemia.

A angústia surge justamente porque o medo é derivado de um sentimento de impotência que mostra às pessoas não só que elas não estão no controle, mas principalmente, que elas não têm controle e uma das únicas coisas que se pode fazer, além da prevenção, é esperar.

E tem pessoas que definitivamente não suportam esperar, são ansiosas e também não suportam não estar no controle da situação e por isso ficam angustiadas, porta de entrada para outros transtornos.

A Vita Alere, um Instituto formado por especialistas e doutores em prevenção de suicídio, disponibilizou em sua página no instagram, um guia com 8 itens que devem ser seguidos para proteger sua saúde mental durante a pandemia do coronavírus.

As orientações da ONU

Enquanto a OMS e as autoridades de saúde de todo o planeta agem para conter a pandemia, o Departamento de Saúde Mental e Uso de Substâncias da Agência de Saúde da ONU, apresentou recomendações sobre a proteção da saúde mental através de 31 pontos de orientação visando especificamente a população em geral, profissionais de saúde, gerentes de unidades de saúde, prestadores de cuidados infantis, idosos, prestadores de cuidados e pessoas com condições de saúde pré-existentes e aqueles que estão isolados para tentar conter a propagação da pandemia.

Dentre essas orientações, estão:

“Seja empático com todos aqueles que são afetados, dentro e provenientes de qualquer país”.

“O repentino e quase constante fluxo de notícias sobre um surto pode deixar qualquer pessoa preocupada”, “Trabalhe com fatos; não com rumores e desinformação”.

“Ajude outras pessoas, como telefonar para vizinhos ou membros da comunidade que possam precisar de assistência extra”.

“Trabalhar juntos como uma comunidade pode ajudar a criar solidariedade na abordagem à COVID-19”.

“Descanse o suficiente, coma alimentos saudáveis, pratique atividade física e mantenha contato com familiares e amigos”.

“Proteção dos funcionários contra o estresse crônico e a saúde mental ruim lhes proporciona as capacidades necessárias para o desempenho de suas funções”.

“Façam rodízio de trabalhadores das funções de maior e menor estresse e parceria de trabalhadores inexperientes com os que têm mais experiência, para proporcionar segurança”.

“Fornecer apoio, monitorar o estresse e reforçar os procedimentos de segurança e monitorar os intervalos do trabalho”.

O Departamento de Saúde da ONU traz também orientações para crianças, cuidadores de idosos, de vulneráveis, grávidas e mães que estão amamentando e outros grupos de risco.

Problemas preexistentes

Além do aumento dos problemas mentais como ansiedade, medo, distúrbios do sono e até depressão, é provável que o Covid-19 agrave problemas de saúde mental e neurológica preexistentes e distúrbios do uso de substâncias químicas, e os sistemas de saúde deverão estar mais fortes e aptos a atender essas pessoas.

Segundo foi antecipado por reportagem da agência de notícias Ansa, o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que

“os sistemas de saúde mental em todos os países precisam ser fortalecidos para lidar com o impacto do coronavírus”

e que será lançado um editorial na revista Word Psychiatry que a saúde mental em tempos de pandemia Covid-19 deve ser prioridade.

A preocupação da OMS é que essa onda que se que se aproxima de lesões mentais vai encontrar nos próximos meses um sistema de saúde severamente quebrado.

Aqui no Brasil, o Ministério da Saúde disponibilizou em seu site um plano de quarentena indicando que há uma equipe de assistência psicossocial à disposição dos brasileiros para atenuar o sofrimento psíquico e prevenir o transtorno de estresse pós-traumático.

A equipe conta com um psicólogo e um psiquiatra.

Além da avaliação psicológica primária, haverá avaliações semanais.

Em casos de sofrimento psíquico, o plano prevê avaliação de risco e abordagem terapêutica com aplicação, caso a caso, de psicoterapia, administração de remédios e acompanhamento e observação.

Atentar-se aos sinais e procurar ajuda profissional, esse é o primeiro passo.

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Juliane Isler, advogada, especialista em Gestão Ambiental, palestrante e atuante na Defesa dos Direitos da Mulher
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