Setembro amarelo: vamos falar sobre suicídio?

suicídio

É muito comum quando temos um problema silenciarmos sobre ele, como se ignorando-o ele fosse resolver-se sozinho, ou, quando notamos que alguém está enfrentando um momento difícil, nos afastamos para não nos envolvermos. Um grave problema que costuma ser tratado com silêncio é o suicídio.

A fim de dar visibilidade ao suicídio, um assunto que ainda é tratado como tabu, o setembro amarelo é uma campanha feita no mês de setembro com o objetivo de chamar a atenção para o suicídio e ajudar na sua prevenção. A campanha, realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria, alerta que a prevenção do suicídio é a melhor forma de atuar sobre mortes evitáveis. Dados do SUS revelam que, entre 1996 e 2012, houve um aumento de 28 suicídios por dia no Brasil. Em 1996, foram registrados 6.743 e, em 2012, houve 10.321 casos de suicídio no país

A Associação Brasileira de Psiquiatria estima que a cada hora uma pessoa comente suicídio no Brasil e, no mundo, a cada 35 segundos uma pessoa tenta tirar a sua própria vida. O suicídio parece ser um problema distante, mas ele é mais comum do que imaginamos. O silêncio faz com que ele aparente não estar perto.

Para prevenir, é preciso informar. Por isso, é tão importante falar do suicídio para que possamos ver e ajudar aquelas pessoas que estão em uma condição de extrema fragilidade emocional

A tristeza e a solidão são sentimentos comuns a todos nós, mas existem algumas pessoas que têm muita dificuldade em lidar com eles. Julgá-las e culpá-las são duas atitudes que não irão ajudá-las em nada, e pior: só irá agravar a situação. Quando alguém próximo comete suicídio, a pergunta "O que poderíamos ter feito?" acaba vindo à tona.

As possíveis e evitáveis causas do suicídio

O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antonio Geraldo da Silva, afirma que muitas causas do suicídio são evitáveis. Por isso, sempre é possível fazer alguma coisa para ajudar alguém que está sofrendo ao ponto de cometer suicídio. Em entrevista à EBC, Silva diz que "essas pessoas que se suicidaram tinham algum tipo de transtorno mental. Isto é ruim, porque sabemos que essas doenças podiam ter sido tratadas e não foram. Podemos dizer que cerca de 36% dos pacientes que se suicidaram tinham algum tipo de transtorno afetivo, chamado de transtorno de humor, que é depressão, transtorno bipolar e outros quadros".

O psiquiatra alerta que quase 100% dos casos de suicídio derivam-se de transtornos mentais. Caso fossem devidamente tratados, evitariam o suicídio. Um outro problema levantado pelo psiquiatra é a associação do suicídio com a dependência química. Não há nenhuma campanha de promoção da saúde e de prevenção de doenças como formas de ação de combate ao suicídio. Grande parte dos pacientes não têm acesso a tratamentos e medicamentos que atendam as doenças psiquiátricas.

A depressão é uma das doenças associadas ao suicídio. Ela é a dor da alma. É um sofrimento muito grande que pode levar uma pessoa a cometer o suicídio. Por isso, nunca ignore aquela pessoa que está próxima a você ou considere que ela esteja exagerando quando apresentar um quadro de depressão. 

O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria destaca, ainda, que o preconceito é uma das principais causas do suicídio, porque a ignorância sobre o tema leva ao seu silenciamento e à falta de discussão.

Silva faz um alerta para a família, que se sente muito culpada quando um familiar se suicida. Em geral, o suicida dá sinais de que pode atentar contra a sua própria vida. Quando alguém fala "não tenho mais interesse em viver" ou "não quero mais viver" é uma forma indireta de expressar que necessita de ajuda. A família e os amigos devem apoiar a pessoa levando-a ao psiquiatra e ao psicólogo. Em um primeiro momento, a pessoa pode mostrar-se resistente, mas é fundamental fazê-la chegar a um especialista em transtornos mentais.

Confira aqui a cartilha de combate ao suicídio disponibilizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria.

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