Mitos e verdades sobre o uso de banheiro público

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Quem nunca, ao entrar em um banheiro público, não se sentiu preocupado com as bactérias que podem ter no lugar e com as possíveis doenças que elas podem causar?

As mulheres, sobretudo, têm muita preocupação com o uso do sanitário público devido ao maior contato a que elas estão expostas. Por isso, a maioria delas faz xixi em pé para evitar o contato da pele com o vaso. É o que atesta uma pesquisa britânica, realizada na década de 1990, envolvendo 528 mulheres: 85% delas afirmaram que urinam agachadas sobre o assento e 12% o forram com papel antes de se sentar. Apenas 2% afirmaram se sentar encostando realmente no assento.

Para não ficar no campo da imaginação, vamos conhecer as opiniões de especialistas sobre o uso do banheiro público. Com informação, poderemos fazer melhor uso desse espaço sem prejudicar a nossa saúde.

Afinal, é realmente perigoso usar o banheiro público?

Segundo a professora do departamento de Análises Clínicas e Biomedicina da Universidade Estadual de Maringá, Vera Lucia Dias Siqueira, existem alguns mitos sobre o assunto. Não há muitos relatos sobre infecções graves decorrentes do uso do vaso sanitário público. “A maioria das bactérias, vírus ou protozoários capazes de causar doenças são micro-organismos muito sensíveis a variações de temperatura e umidade fora do seu hospedeiro, praticamente zerando o risco deste tipo de contaminação”, explica.

Vera afirma que sentar em um vaso sanitário sujo dificilmente causa graves problemas à saúde, pois é a pele que toca o vaso, tecido que não é uma porta de entrada para a maioria dos agentes infecciosos.

O professor Marco Antônio Lemos Miguel, do Instituto de Microbiologia Paulo de Góes da UFRJ, tem opinião diferente. Ele afirma que existe sim risco de contaminação. “Embora muitos microrganismos patogênicos não resistam por muito tempo no ambiente, outros o fazem perfeitamente. Podem existir alguns que causem doenças de pele como micoses, impetigo ou furunculoses”, defende.

Será que forrar o vaso sanitário garante proteção aos usuários é apenas um mito? O professor Miguel sugere que cobrir a lâmina d’água do vaso com papel ajuda a evitar respingos e que forrar a privada com papel higiênico reduz bastante os riscos de contaminação, mas não os elimina. “Um pequeno contato pode sempre existir, e ser suficiente para causar a infecção. O suor também pode furar o papel e acabar com a barreira”, diz.

Quanto à descarga, o indicado é, antes de usar o vaso, dar a descarga, pois ela diminui o número de micro-organismos. O alerta é que ela deve ser dada com a tampa do vaso fechada, para evitar respingos. “Novamente, considerando a viabilidade dos microrganismos, a descarga só seria importante na presença de matéria orgânica visível, principalmente se quisermos ser ecologicamente corretos economizando água”, explica Vera.

Uma outra preocupação entre os usários de banheiro público é quanto ao papel higiênico. Muitas vezes ele está sobre a porta do banheiro ou em um lugar improvisado. Evite usar o papel higiênico caso ele esteja no chão, pois pode estar contaminado. A mesma recomendação vale se ele estiver úmido. Se o papel estiver sobre a porta do banheiro, se houver algum risco, será o de irritação na pele provovada por poeira.

Após tomar esses cuidados, saiba a que tipos de doenças você pode estar sujeito ao usar o banheiro público

Em relação às DST, é improvável que elas sejam transmitidas pelo uso do vaso sanitário. Não há evidências médicas de que pessoas tenham contraído DST dessa forma.

Os grandes vilões dos banheiros públicos são os vírus e as bactérias, algumas delas resistentes a antibióticos. Esses micro-organismos são eliminados nas fezes e no vômito.

Os banheiros modernos, geralmente, têm uma descarga forte, o que pode provocar respingos nos assentos sanitários, onde ficam depositadas  gotículas invisíveis.

O uso de lenços antissépticos ajudam a reduzir em 50 vezes os germes dos assentos de vaso sanitários.

Deve-se tomar cuidado, também, com os botões de descarga, trinco da porta, manivela da torneira e o dispensador de papel toalha, pois, segundo estudos, são tão sujos quanto os assentos.

Por isso, sempre após usar o banheiro público, lave bem as mãos. Caso esteja disponível no banheiro álcool em gel, não deixe de usá-lo após lavar as mãos.

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