OMS critica a afirmação de que câncer é causado pela "má sorte”

Um estudo divulgado recentemente pela Universidade norte-americana Johns Hopkins, e que nós publicamos aqui, revelava que a sorte, ou o acaso, seria responsável pela maior parte dos tipos de câncer, e não os hábitos ou o estilo de vida, em 65% dos casos.

Por isso, defendia que estudos focassem em uma identificação precoce da doença como método de prevenção mais eficaz, em vez de mudança de comportamentos no estilo de vida.

A Organização Mundial de Saúde decidiu criticar o estudo, que saiu na prestigiada revista “Science”, apontando que suas conclusões não deveriam ser tomadas como um postulado científico, uma vez que as pessoas poderiam começar a não levar em consideração questões como sedentarismo, tabagismo e outros hábitos negativos à saúde.

A OMS apontou que "já sabíamos que para um indivíduo desenvolver certo tipo de câncer, existe um elemento sorte, mas isto tem pouco a dizer sobre o nível de risco de câncer em uma população". E isso acabaria por não contribuir, em nada, com os avanços das pesquisas sobre a doença.

Essa questão com a OMS não é a primeira polêmica levantada pela pesquisa. Cinco dias após sua publicação, houve um adendo por parte dos próprios cientistas da Universidade Johns Hopkins, o qual afirmava que não era apenas um o elemento capaz de causar câncer, mas sim, um conjunto deles. A IARC – Agência Internacional para Pesquisa de Câncer – também se pronunciou, apontando que a maior parte dos tipos de tumores não era causada por “má sorte”. Além disso, a metodologia da pesquisa foi questionada, devido ao fato de apenas tomarem como objeto do estudo tipos muito raros de câncer.

A questão que o estudo quis levantar é lembrar que, apesar de muitas pessoas acharem chocante considerar que um fator importante que contribui para o aparecimento do câncer, está além do controle de qualquer um, por outro lado, muitos outros encontram alívio nesta constatação: "O câncer tem uma longa história de estigmatização. Pacientes e familiares frequentemente culpam a si mesmos, acreditando que havia alguma coisa que poderiam ter feito para prevenir o próprio câncer ou o de um membro da sua família. Temos ouvido muitas dessas famílias e estamos satisfeitos que nossa análise possa trazer conforto e até mesmo tirar o peso da culpa em pessoas que sofreram as consequências físicas e emocionais do câncer", diz o adendo da pesquisa.

Os estudos e as discussões sobre o câncer não param nunca porque até agora não se descobriu exatamente o porquê surge a doença, ao mesmo tempo que esta parece ser cada vez mais frequente. A intenção porém, é sempre no sentido de melhorar a vida das pessoas que estão passando por este problema, de diagnosticar sempre o mais rapidamente possível para obter sucesso no tratamento e alcançar a cura, e proporcionar uma vida melhor a todos.

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