Mesada aos filhos – Dar ou não, eis a questão

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Mesada

Um assunto que é complicado na vida de todo adulto, pode ser uma via de mão dupla no caso das crianças: dinheiro. Não tem como fugir desse assunto, tendo em vista que esse item simbólico é questão de sobrevivência para todo mundo. Como é na infância que se fincam as bases para a construção do indivíduo, nada mais natural do que colocar o dinheiro no cerne das questões também. Sim ou não? O que você acha de dar mesada aos pequenos?

Embora seja um tema polêmico, grande parte das pessoas concorda que repassar um valor, ainda que diminuto, para as crianças, pode lhes ensinar educação financeira, melhor do que qualquer livro. No entanto, há que se ter cuidado na forma como esse repasse será feito. Por exemplo, crianças pequenas não têm maturidade ainda para saber economizar para comprar aquele brinquedo, e muito menos conseguem segurar a ansiedade de esperar um mês pela nova quantia.

No Brasil, há uma espécie de consenso de que a mesada seja dada a partir dos 6, 7 anos, e que seja reajustada anualmente já que, com o crescimento dos filhos, as necessidades mudam.

Mas não é assim em todo lugar. Em vários países europeus, as escolas não possuem cantinas, então não há nenhuma necessidade de que a criança tenha ou leve dinheiro consigo pra escola, pois não há nada para se comprar lá. Diferentemente podem ser as situações em que a criança sai com os pais de outras crianças para irem à feiras, parques, etc, mas geralmente os pais que convidam, pagam as despesas da outra criança, além das despesas do próprio (s) filho (s).

É claro que cada país tem a sua cultura (e também a sua economia) diversa, e portanto as situações e os valores ficam a critério dos pais e, levando em consideração a idade dos filhos, mas, se puder optar, dê sempre um pouco a menos do que um pouco a mais.

Conheça abaixo algumas vantagens e desvantagens de dar mesada aos filhos:

AS VANTAGENS DE DAR MESADA AOS FILHOS

Oportunidade de educar financeiramente – A mesada por ser um bom mote para orientar as crianças sobre o valor do dinheiro, o quanto é difícil tê-lo, como é importante economizar, priorizar os gastos e planejar o que fazer com ele. Evidentemente, todo esse ensinamento demanda dos pais esforço para fazer da mesada uma oportunidade de educar.

...E de se reeducar também – Filhos aprendem muito mais pelo exemplo, do que pela verbalização. Talvez não seja tão efetivo dizer que é importante saber lidar com o dinheiro do que aprender com a prática que, quem consome demais, gastando mais do que tem, acaba se dando mal não tendo dinheiro para a hora de uma real necessidade. As crianças percebem e vão se espelhar no que veem em casa também, por isso a mesada pode ser uma ótima oportunidade de reeducação a respeito da postura que se tem com relação ao dinheiro.

Ensina sobre escassez – Nesse sentido, vale a dica de dar menos, e não mais. A criança que lida com uma quantia limitada de dinheiro tem a oportunidade de vivenciar na pele que não dá para ter tudo que se tem, na hora que se quer, e ainda que ganhar dinheiro não é uma coisa simples, e deve ser valorizada.

É um instrumento para falar sobre o tema – Sem a mesada, a conversa sobre dinheiro pode ficar apenas no terreno das ideias, e a criança vai ter dificuldade para entender por que os pais precisam pagar conta, economizar, e etc. Recebendo um valor mensal ou semanal, o pequeno consegue ver na prática conceitos abstratos sobre dinheiro, como poupar, priorizar e consumir com consciência.

Pode ser usado como incentivo – Não se trata de recompensar a criança por fazer obrigações, como ir bem à escola ou arrumar a cama, mas sim dar a ela oportunidade de ganhar uns trocados com tarefas que ela não costuma fazer, como lavar o carro do pai ou pesquisar algo para a mãe.

mesada familia

AS DESVANTAGENS DE DAR MESADA AOS FILHOS

Mesada não é presente – Sem o propósito educacional, e sem a orientação dos pais, dar dinheiro para a criança pode não significar nada, e ainda tornar-se um problema. Não utilize a mesada, de modo desorganizado, sem explicar para a criança que ela tem uma responsabilidade sobre o dinheiro.

Exige rigor dos pais – É necessário fazer um controle orçamentário também da mesada das crianças. Ficar de olho no que ela está gastando, se o dinheiro está acabando muito rápido e por que, além de se ater aos valores pagos, às necessidades do pequeno e também saber quando é hora de reajustar.

Não deve ser usada como recompensa – Jamais pague a criança por ter feito algo que é da obrigação dela fazer, como arrumar o quarto ou tirar notas altas na escola. Fazendo isso você só estará ensinando-a que tudo de positivo que ela faz tem que ser recompensado, criando assim, um adulto “mercenário”.

Sensação de dinheiro garantido pode ser prejudicial – A criança pode entender, obtendo a mesada, que sempre vai ter dinheiro disponível, e com isso criar uma mentalidade de “segurança” em relação a algo que, todos sabem, é bem inconstante. Isso pode, inclusive, prejudicar mentalidades infantis mais “empreendedoras”.

Pode incentivar o consumismo – Principalmente, se feita de modo desorganizado e sem regras. A criança pode ver no dinheiro uma oportunidade de obter satisfação comprando coisas, tais como brinquedos e roupas. O ideal é mostrar para a criança que não há nada errado em querer comprar algo, mas que isso deve ser feito de modo prático, organizado e nunca como estímulo do consumismo por si só.

DAR OU NÃO MESADA AOS FILHOS, EIS A QUESTÃO

Tendo em vista as vantagens e as desvantagens de dar dinheiro mensalmente às crianças, leve em consideração as suas reais necessidades e também a cultura do lugar onde você vive. É claro que as crianças se comparam e talvez não seja boa ideia que elas sejam educadas de maneira muito diferente do contexto em que elas vivem. Tenha bom senso e decida por quanto, como e quando iniciar a dar mesada aos filhos, considerando as dicas dadas.

Não se esqueça que economizar por elas também é uma opção, ou seja, em vez de lhes dar dinheiro sem que elas realmente precisem, guardar a mesada não dada pode ser uma alternativa para juntar o dinheiro necessário para uma viagem, ou para comprar aquele presente mais caro que a criança tanto deseja.