Criança não namora, nem de brincadeira: chega de erotização infantil!

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Criança não namora

Já dizia Nelson Rodrigues: “Ninguém enxerga o óbvio”. Pois essa é a frase que vem à mente quando setores da sociedade precisam fazer campanha a respeito de determinados assuntos.

É o caso da recente Campanha da Secretaria de Assistência Social do Amazonas, lançada no último dia 5 de abril, em parceria com o blog Quartinho da Dany (da professora Dany Santos) intitulada “Criança não Namora. Nem de Brincadeira”.

Até o momento, já são mais de 90 mil curtidas, 400 mil compartilhamentos e o alcance de 24 milhões de pessoas no Brasil. O próximo passo será promover uma mobilização ainda maior junto às escolas e profissionais da área, além da comunidade, evidentemente.

“Adultização” das crianças

Atualmente há uma “adultização” das crianças tão ampla que, quando uma menina pré adolescente como a apresentadora e atriz, Maísa Silva, que cresceu nos palcos de TV, diz coisas como “Galera insiste em arrumar boy para mim. Eu tenho 13 anos, arrumem boy para vocês”, as pessoas até estranham. No entanto, estamos falando de uma garotinha. E isso deveria ser a regra, não a exceção.

crianca nao namora

Essa precocidade pode nascer até mesmo na casa da criança, com os pais incentivando brincadeirinhas a respeito de namoricos no colégio ou em outros ambientes frequentados pelo filho. No entanto, a criança não entende o conceito de namoro e tende a repetir aquilo que aprende. Nesse caso, ela pode, por exemplo, reproduzir determinados comportamentos, sem ter noção da complexidade que envolve uma relação afetiva amorosa.

Por esse motivo, brincadeiras desse tipo nunca são inofensivas. Vale lembrar que crianças são seres em formação, aprendem muito com o exemplo dos pais e pessoas próximas, estão ainda aprendendo conceitos como “certo” e “errado”.

Não à erotização

Uma erotização precoce pode ser nociva para a criança, pois ela acaba pulando uma das etapas mais importantes da vida: a infância.

Todo afeto envolvido nos primeiros anos de vida é feito sem malícia. Até mesmo a descoberta da sexualidade da criança nasce como descoberta, curiosidade, sem a erotização que envolve o mundo adulto.

Esse certamente é um terreno espinhoso, pois são crianças em jogo. Por isso, essa campanha deve mesmo ser curtida, compartilhada, comentada. Mas, o mais importante, é que seja absorvida pela comunidade como o óbvio que é.

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