“Alô Brasil! Aqui tem educação?”

Estava andando de ônibus quando um trânsito enorme parou todos os carros. “São os estudantes” – ouvi o cobrador falando, e logo fui perguntar a que se referia.
“O Alckmin está mudando o sistema das escolas públicas, e as crianças e os professores não gostaram nada disso e começaram a fazer passeatas!”

Foi assim que descobri que o Alckmin havia anunciado o projeto de reorganizar as escolas, dividindo os colégios por ciclos de ensino, separados por ensino fundamental e médio. O plano anunciava que 94 escolas seriam fechadas e os alunos seriam redirecionados para as escolas mais próximas de suas casas.

Os estudantes e professores revoltados com a notícia foram às ruas manifestar seu direito à educação! Todos os dias crianças e adultos juntos, apoiados por outros movimentos, como das mulheres contra Cunha, movimentos indígenas e o MPL – Movimento passe livre – tentaram se expressar, e todos os dias foram reprimidos pela polícia, que se utilizava de artifícios como spray de pimenta e bomba de gás, com a intenção de “diminuir o tumulto”.

Os estudantes cansados de se manifestarem sem conseguir chamar a atenção do Secretário da Educação para o que estava acontecendo, decidiram ocupar os colégios. Primeiro foi em Diadema, e depois na Pedroso de Moraes, o colégio Fernão Dias que se tornou referência para cerca das 60 escolas que foram ocupadas no decorrer da semana do dia 16.

Quando as primeiras ocupações ocorreram, a polícia ainda estava agindo de forma agressiva: os manifestantes que apoiavam a causa não podiam entrar nos colégios, separados da escola por um cordão humano de policiais. Depois de quase uma semana com as ruas fechadas e a ação diária da polícia, o governo permitiu a entrada dos estudantes nas escolas.

Alice Chuery, Ana Rosa de Araújo Dona, Antoine Saint Exupéry, Antônio Adib Chammas, Antonio de Mello Cotrim, Antônio Manoel Alves de Lima, Viana, Astrogildo Arruda, Augusto da Silva Cesar, Caetano de Campos, Caetano de Campos - Aclimação, Carlos Gomes, Castro Alves, Chlorita de Oliveira Penteado Martins, Cohab Inácio Monteiro III, Comendador Miguel Maluhy, Coronel Antônio Paiva de Sampaio, Délcio de Souza Cunha, Diadema, Américo Brasiliense, Egídio Damy, Elizete Oliveira Bertini, Eloy de Miranda, Eulália Silva, Fernão Dias Paes, Flávio José Osório Negrini, Godofredo Furtado, Heloisa Assumpção, Homero Silva, João Carlos Gomes Cardim, João Doria, Joao Galeao Carvalhal Senador, João Kopke, Joaquim Leme do Prado, José Augusto de Azevedo Antunes, José Lins do Rego, Josepha Pinto Chiavelli , Leonardo Vilas Boas, Luís Magalhães de Araújo, Maria Elena Colonia, Maria Regina Machado de Castro Guimaraes, Marilsa Garbosa Francisco,. Mario Avezani, Mary Moraes, Miguel Naked Junior, Moacyr de Campos, Neyde Apparecida Sollitto, Oscavo de Paula e Silva, Padre Sabóia de Medeiros, Pedro Fonseca, Pio Telles, Prefeito Mario Avesani, Raul Fonseca, República do Suriname, Roger Jules de Carvalho Mange, Salvador Allende, Santinho Carnaval, Shinquiguichi Agari, Silvio Xavier Antunes, Sinhá Pantoja, Stella Machado, Suely Machado Silva, Tancredo Neves, Tito Lima, Valdomiro Silveira, Wilma Flor, completam as 66 escolas ocupadas.

foto:fotospublicas

Todas as escolas estão em contato via internet, cada uma tem sua página própria no facebook, divulgam conjuntamente planilhas pedindo doações para as ocupações, onde avisam o que precisam para continuar a luta, divulgaram um mapa com a localização das escolas ocupadas, e até uma proposta aberta de aula pública nas escolas, nas quais pedem que as pessoas doem seus tempos e conhecimentos, com a intenção de manter as atividades educativas funcionando.

Tive a oportunidade de conhecer por dentro a ocupação Fernão Dias. Quando cheguei, um grupo de samba estava tocando e fazendo todos dançarem! Quando fui entrar, dois garotos, estudantes, identificados com uma plaquinha escrita “Milico”, me pararam pedindo para anotar meu nome completo, assim poderiam monitorar a entrada e saída das pessoas, garantindo saber quem permanecia na ocupação.

Conversando com o pessoal, que estava bem animado, descobri que o colégio Fernão Dias dividiu os ocupantes em 7 grupos de trabalho, cada um com um objetivo diferente, desde limpeza, segurança e alimentação, até apoio, atividades e comunicação. Todos se ajudando, com a intenção de fortalecer a luta por uma educação de qualidade no Brasil!



Toda ajuda é bem vinda. As escolas públicas precisam de mais visibilidade e a educação é mesmo a base de tudo. As crianças e adolescentes estão ocupando suas escolas para que elas não sejam fechadas, para que o sistema de educação público não piore, mas melhore.

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Fontes: #SeFecharAGenteOcupa#, cartamaior, folhadesaopaulo

Fonte foto capa: fotospublicas