Retrato de Lima Barreto, da ficha de internação no Hospício Nacional de Alienados

13 de maio é dia de Lima Barreto e não de Isabel

13 de maio é dia de Lima Barreto e não de Isabel

São 134 anos de Não Abolição.

Dona Isabel que história é essa?

O dia 13 de maio cantado em forma de ladainha pelo Mestre de Capoeira Toni Vargas:

“Dona Isabel que história é essa?
Dona Isabel que história é essa,
Oi ai ai!
de ter feito abolição?
De ser princesa boazinha que libertou a escravidão
Tô cansado de conversa
tô cansado de ilusão
Abolição se fez com sangue
Que inundava este país
Que o negro transformou em luta
Cansado de ser infeliz
Abolição se fez bem antes
E ainda há por se fazer agora
Com a verdade da favela
E não com a mentira da escola
Dona Isabel chegou a hora
De se acabar com essa maldade
De se ensinar aos nossos filhos
O quanto custa a liberdade
Viva Zumbi nosso rei negro
Que fez-se herói lá em Palmares
Viva a cultura desse povo
A liberdade verdadeira
Que já corria nos Quilombos
E já jogava capoeira

Iê Viva Zumbi!

Informe-se para não falar bobagem:

A falácia do dia 13 de maio de 1888

Pessoas negras não comemoram essa data, ela só marca o fim jurídico da instituição da escravidão.

Na prática, as pessoas negras continuaram e continuam vivendo em uma sociedade excludente.

A própria Lei que decretou o fim, Lei 3.353/88, não trouxe uma insígnia sequer acerca da reparação às pessoas negras que durou mais de três séculos de trabalho forçado e não remunerado.

O Brasil foi o último país da América a abolir a escravidão e também o lugar com mais negros escravizados em todo o mundo. Foram mais de 5 milhões de pessoas raptas entre 1532 a 1850.

A lei só tinha dois artigos. Olha o que dizia:

Artigo primeiro: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.

Artigo segundo: Revogam-se as disposições em contrário”.

Pensava-se que essas pessoas morreriam à míngua.

O desejo do Estado brasileiro era varrer a população negra da sociedade e não oferecer políticas públicas reparatórias foi a forma mais rápida de fazê-la desaparecer, sem destinar:

  • saúde;
  • moradia;
  • educação;
  • trabalho.

A Lei Áurea não forneceu condições de sobrevivência e nenhum apoio aos milhões de homens e mulheres que ficaram em situação de miséria e pobreza.

Em crítica ao dia 13, o cantor baiano Lazzo Matumbi diz em sua música:

“No dia 14 de maio, eu saí por aí
Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir
Levando a senzala na alma, eu subi a favela
Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci

Zanzei zonzo em todas as zonas da grande agonia
Um dia com fome, no outro sem o que comer
Sem nome, sem identidade, sem fotografia
O mundo me olhava, mas ninguém queria me ver”

 

Política de eugenia e branqueamento

Nos anos seguintes, implantou-se a política de eugenia e branqueamento.

Sara Araújo, graduada em Direito e acadêmica de Ciência Sociais, afirma:

“A eugenia através de diversos mecanismos de animalização desses corpos, alçando-os à condição de não humanos, e instrumentalizando o judiciário para conter esses corpos através do código penal.

Isabel não teve nada de bondade, só foi mais um truque da branquitude a fim de livrar a própria pele, ou seja, os bens da elite.

Quem violenta, não ama.

Dia de Lima Barreto

Jornalista e escritor brasileiro, Afonso Henriques de Lima Barreto, nasceu dia 13 de maio de 1881 no Rio de Janeiro.

Dedicou sua vida a denunciar cada ato de opressão e violência praticada pelo sistema escravagista e pela República.

Lima, publicou romances, sátiras, contos, crônicas e uma vasta obra em periódicos, principalmente em revistas populares ilustradas e periódicos anarquistas do início do século XX.

Escreveu clássicos como:

  • Triste Fim de Policarpo Quaresma;
  • Clara dos Anjos;
  • Os Bruzundangas;
  • O Cemitério dos Vivos.

Conhecedor de diversos movimentos de emancipação política e econômica, criticava a elite brasileira e fez de sua caneta a arma para denunciar as violências.

Grande escritor, Barreto, foi um denunciador do racismo e por isso, foi silenciado, esquecido e recebeu como punição, a internação, pois adoeceu física e mentalmente.

O racismo adoece e mata.

Lima, morreu jovem, aos 41 anos, e nos deixou um legado enorme no campo literário.

A causa negra é por igualdade de direitos e oportunidades. Pessoas que desejam um mundo mais justo, precisam se importar.

A exploração da mão de obra das pessoas não terminou e continua se espalhando o racismo estrutural, a desigualdade social, racial, econômica e a violência contra os negros..

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