Escandaloso Brasil 2021: escravidão em plena pandemia Covid-19

Escandaloso Brasil 2021: escravidão em plena pandemia Covid-19

No Brasil de 2021, descobriu-se que escravidão e Covid-19 podem andar lado a lado.

Foi o que apurou a coluna de Leonardo Sakamoto na UOL sobre um trabalhador resgatado em uma plantação de cana-de-açúcar nas cidades de Guará e Ituverava, ambas localizadas no interior do estado de São Paulo.

Os auditores fiscais que fizeram o resgate disseram que se trata do primeiro caso de um trabalhador escravizado que testou positivo para Covid-19. O homem teve febre, dores no corpo, tosse e dificuldade para andar sem que recebesse qualquer assistência médica do “patrão”.

A operação feita pelo Grupo de Fiscalização Móvel libertou 22 pessoas que haviam sido vendidas de um empregador a outro, tipificando o crime de tráfico de seres humanos.

A mesma história de sempre vitimou os trabalhadores: uma promessa de salário de até R$ 4200 por mês, alojamentos dignos e boas condições de serviço. Entretanto, ao chegaram no local de trabalho, encontraram uma outra realidade.

O patrão lhes cobrou uma dívida de 12 colchões usados adquiridos para parte do grupo, já que o restante dormia em um chão sujo e frio ou em redes, de acordo com a fiscalização. No montante da dívida também havia o transporte desde Vitória do Mearim (MA), onde foram contratados – gastos, que segundo a lei, devem ser cobertos pelo empregador.

Além da dívida injusta, os trabalhadores foram resgatados de condições degradantes, como não terem disponíveis instalações sanitárias, o que os obrigava a usar o mato, e itens de higiene.  Os alojamentos também não contavam com qualquer segurança elétrica, havendo risco de incêndio. Eles chegaram, inclusive, a passar fome e os próprios fiscais arcaram com gastos de alimentação para o grupo.

No final das contas, a dívida era do empregador, que devia em salários e verbas rescisórias o total de R$ 101.522,70 aos trabalhadores. Os dois empregadores firmaram termo de ajustamento de conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho e terão que pagar R$ 37 mil em danos morais a cada trabalhador resgatado – uma pena muito branda por todo o mal que causaram e por perpetrarem, nos dias de hoje, a prática da exploração do trabalho escravo no Brasil.

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