Vale inventa o “health washing” e faz marketing para inglês ver

Vale inventa o “health washing” e faz marketing para inglês ver

Você conhece a expressão inglesa “green washing“? É quando uma empresa procura se fazer passar por “green” para atingir um segmento de mercado preocupado com questões ambientais. A mineradora Vale renovou o conceito e agora parece praticar o “health washing”.

A Vale está com o “filme queimado” no Brasil e no exterior após os crimes ambientais ocorridos pelo rompimento de barragens em Mariana e Brumadinho, os quais ainda estão em tramitação na justiça e cujas vítimas ainda não foram devidamente reparadas.

Agora, aproveitando o momento da vacinação, a empresa anunciou uma doação ao Instituto Butantan no valor de R$ 10 milhões destinado a obras de ampliação do Centro Multipropósito para Produção de Vacinas, local onde são fabricados os imunizantes, informa a Tribuna de Minas.

A mineradora alega que a doação vai contribuir para aumentar a capacidade de fabricação das vacinas contra a Covid-19 e de outros imunizantes produzidos no instituto. O valor total da obra, que será financiada pela inciativa privada, é R$ 130 milhões.

Marketing para inglês ver

Tomando conhecimento dessa “benevolência” da Vale, algumas questões inevitavelmente acabam aparecendo:
  • R$ 10 milhões é um valor irrisório para a Vale e não chega a 10% do orçamento total da obra;
  • será que essa doação será contabilizada como restituição para a empresa, ou seja, ela está dando para receber?;
  • a campanha de marketing pró-vida está longe de humanizar a empresa;
  • o valor doado ao Instituto Butantan, embora longe daquele que deveria ser pactuado judicialmente entre a empresa e as vítimas dos crimes ambientais, poderia fazer a diferença na vida de muitas pessoas que perderam tudo e sequer, agora, podem contar com o auxílio emergencial.

Não que não sejam importantes doações de empresas privadas para a produção de vacinas contra a Covid-19. Entretanto, as pessoas sabem distinguir o que é bondade do que é marketing, e reconhecem quando uma ação é, de fato, bem intencionada e quando não é.

Ainda hoje, foi anunciado o acordo no valor de R$ 37,68 bilhões entre a Vale e o governo de Minas Gerais para reparação do rompimento da barragem da mineradora em Brumadinho. Desse montante, R$ 14,4 bilhões “serão acrescidos no passivo associado à reparação socioeconômica e socioambiental de Brumadinho”, informa o InfoMoney.

Entretanto, o acordo não contempla as reparações por danos individuais, as quais foram celebradas em um Termo de Compromisso com a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais em abril de 2019.

E você: acha que o valor doado pela Vale ao Instituto Butantan é beneficência, ou uma estratégia para que a empresa possa reconstruir a sua imagem pública?

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