O feminismo aristocrático para combater os privilégios dos homens nobres

O feminismo aristocrático para combater os privilégios dos homens nobres

O patriarcado foi criado basicamente para manutenção dos privilégios de uma classe rica, através da proteção e ampliação da propriedade, bens, títulos e nobreza, por meio da instituição do casamento, para perpetuar, principalmente, a linhagem paterna.

Houve um tempo em que o homem quando se casava só aumentava seu patrimônio, nunca dividia.

Agora, imagine que numa família de pai nobre, onde todos os filhos são mulheres e o título de nobreza, que cabe ao patriarca, não poderá ser transferido às suas descendentes e herdeiras necessárias, mas, ao contrário, terá de ir para um parente distante, cujo contato é mínimo, apenas pelo fato dele ser homem.

Parece coisa do século passado e é. Mas também perdura até hoje.

Em verdade, títulos, bens e propriedades dos nobres somente podem ser transferidos aos herdeiros homens.

Antiguidade atualizada

Segundo uma reportagem do The Atlantic, Sir Richard Carew Pole, um baronete com título aristocrático concedido à sua família pelo rei Carlos I, em 1628, e que vem sendo passado de geração em geração entre os homens da família, tornou-se avô em 2015 e sua neta não poderá receber o título de baronesa do avô, porque ela não é um menino.

Quando Charlotte Carew Pole, nora de Sir Richard, teve sua primeira e única filha, ela soube, de imediato, desde o nascimento, que ter uma filha mulher não era bom para “os negócios” da família. Era uma decepção.

E mesmo totalmente familiarizada com as regras patriarcais impostas, ficou perplexa com o tratamento que recebeu. Primeiro, com a decepção dos familiares, depois pelos comentários, como: “Que pena”, ou “Você deve tentar de novo” ou “Não se preocupe, pode ir para o seu sobrinho”.

Afinal, o seu sogro é o 13º baronete, o marido de Charlotte um dia será o 14º, mas a filha, jamais poderá ser a 15ª.

Outro caso que mostra como esse patriarcado para manutenção dos bens afeta em cheio as mulheres, é o de Hugh Grosvenor, de 25 anos, que herdou a propriedade multibilionária de seu pai, o duque de Westminster, antes de sua irmã mais velha, Tamara, pelo simples fato de ser homem.

Nesse caso, é bem provável que se ele tiver herdeiros homens, esses bens sejam transferidos para eles sem qualquer participação da irmã mais velha preterida.

O sistema é cruel com a mulher, independente da classe social.

Em jogo, os direitos políticos

Tão grave quanto a manutenção e a transferência dos títulos, bens e propriedades apenas para os homens, está o fato de que esses nobres e seus descendentes, desde a época dos reis, têm direito a 92 cadeiras no Parlamento do Reino Unido reservadas, todas atualmente ocupadas por homens.

Em ordem decrescente de ostentação, os títulos vão de: duque, marquês, conde, visconde a barão e todos seus titulares têm o direito de concorrer às vagas na Câmara dos Lordes.

É a política feita por homens para os homens.

A vez e a importância do feminismo em qualquer classe social

Essa história serve para demonstrar nitidamente como as mulheres sofrem opressão e perda de direitos, mesmo entre os ricos e nobres.

O dinheiro, status, título, linhagem e sobrenome, não são garantia alguma do direito da mulher.

Ao contrário, como se viu, pode até ser motivo de perda de direitos.

Diante da situação absurda que enfrenta com a filha e, principalmente porque em com outros títulos isso já é permitido, como ocorre com os títulos escoceses, Charlotte decidiu agir e criou um movimento para tentar mudar a lei para que os títulos em inglês e galês pudessem ser passados ​​para os filhos primogênitos e filhas igualmente.

Outra luta também é para impedir que apenas os herdeiros homens possam ocupar as cadeiras do Parlamento do Reino Unido.

Ainda que não tenha recebido esse nome, a ação de Charlotte não deixa de ser feminista, porque em prol de uma coletividade, mesmo que de mulheres ricas e aristocratas, a comprovar que até estas ficam à mercê da vontade e das leis feitas pelos homens.

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